Cara Nova

Mais uma vez o www.CronistasReunidos.Com.Br mudou de cara.

E se mudança é aquela coisa que faz a gente dar uma olhadinha no que estava meio escondido lá no fundo do armário antes de botar na caixa de papelão, as crônicas escritas por aqui desde 1999 têm muita coisa pra mostrar sobre a trajetória de cada um de nós, já nem tão Cronistas assim, mas ainda bastante Reunidos. Amém!

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Eu, Spock e meu pai.

Leonard Nimoy representou um dos papéis mais icônicos da história do cinema. Todo mundo conhece o “Spock”. Todo mundo faz (ou tenta fazer) o sinal com as mãos. Vida longa e próspera. Eu o conheci bem pequeno, quando ainda não tinha idade para entender todas as nuances daquelas histórias. Meu pai, fã da série, foi quem me apresentou. E foi com Star Trek que tentei me apresentar a meu pai.

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Na avenida solidão

Na avenida da solidão, você pode encontrar a paz. Um sossego inebriante, distinto da tristeza e amargura que acompanham a própria idéia de solidão.

Lá você pode enlouquecer da forma mais pura, por prazer, pelo simples fato de poder; correr em círculos fazendo caretas como as que você fazia quando era criança. Se você ainda é, faça o que quiser.

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A Casa do Bié

Existe uma cidade de São Paulo que nunca vi, mas acabei conhecendo muito bem por conta das histórias que ouvi minha vida toda. Tudo porque meus bisavós chegaram por aqui no comecinho do século passado, construíram umas chácaras quando um tal de Jardins era só mato e por conta disso meus avós se conheceram, se casaram, meu pai nasceu e por aí vai.

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Eduardo e Mônica 2014

(Sugestão do autor para leitura: abra o Youtube numa outra janela, coloque a versão original da música para tocar e leia cantando no mesmo ritmo até o final!)

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

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Sozinho

Acordou sozinho e foi fazer exercício. Sozinho.

Correu, curtiu o Sol, suou e se sentiu bem. Ainda sozinho.

Foi almoçar, era domingo. E sentou numa mesa na calçada, pra ver o passeio, como diziam os antigos.

Pediu o prato e então se surpreendeu com um motoqueiro parando no cruzamento à sua frente.

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Todo dia, ou a breve história de Seu Paschoal e Dona Elvira

Todo dia, ele saía de casa pra trabalhar bem cedinho.

Todo dia, ela acordava bem cedinho pra fazer a marmita dele.

Todo dia, ele parava em frente ao portão, olhava pra trás e acenava.

Todo dia, ela corria pra chegar na janela e acenar de volta.

Certo dia, perguntei :

– “Vô, por que você faz isso todo dia?”

E ele respondeu :

– “A gente nunca sabe se vai voltar.”

Todo dia.

Da série “Macho Moderno no Divã” : Caixinha

Eu não sei dar caixinha. Desde pequeno, vejo meu pai dando caixinhas pro manobrista, frentista, empacotador do supermercado, e isso sempre me pareceu algo muito natural e bacana. Dar a caixinha é algo que os adultos fazem.

Só lá pelos meus trinta e poucos anos, fui me dando conta de algo muito sério: eu virei adulto. Mas isso não contribuiu de forma alguma para a minha relação com a tal caixinha.

Fiquei pensando então, em qual o motivo desse desconforto, mesmo depois de ter bem menos cabelos que meu pai.

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Travessia de Vida

As caspas se foram, ficaram-se os fios; brancos também.

Achando bom saber das coisas, ser mais velho e maduro. Fato é que o niilismo passou a ser uma força incontrolável que de existente, começa a ser preponderante; e nesse oceano sem fim que é a vontade humana, acabo chegando há uma baía, lindíssima, onde o sol te aquece sem queimar a pele, onde a brisa fresca te traz o alívio, onde a natureza estanca o mar.

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Jornal de Domingo

Toda vez que vejo um exemplar do “Estadão”, penso na devoção que meu pai sempre teve pelo jornal de papel. Lembro dele contando que, quando criança, só podia tocá-lo depois que todos os adultos da casa o tivessem lido. Meu bisavô, o patriarca, era o primeiro. Tinha a mania de começar o jornal de trás pra frente, marcando com um lápis as notícias lidas para não se perder.  Na sequência, meu tio-avô podia lê-lo, seguido do meu avô,  e só depois as mulheres e as crianças. Aquela hierarquia bem típica das famílias italianas.

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