Arquivo de agosto, 2000

“Depende de nós…”

Hoje cheguei a uma conclusão triste e resolvi escrever sobre isso para eu ver se mudo de idéia. Existe altruísmo verdadeiramente altruísta…

ALTRUÍSMO

do Fr. altruisme
s. m.,
disposição para se interessar e dedicar ao próximo;
amor ao próximo;
abnegação;
filantropia.

Será que em qualquer que seja nossa “boa ação” não há um pouco de egoísmo…penso que se damos um trocado para o garotinho do farol estamos nos aliviando de não fazer nada…se lutamos contra a poluição é para que não morramos asfixiados…se levamos o saquinho de lixo para a praia é por que queremos a praia limpa para nós mesmos…
Este pseudo altruísmo quebra com todos os conceitos do verdadeiro altruísmo, é totalmente o contrário…

OMSIURTLA

Do Fr. omsiurtlat
s, m
disposição para se interessar e dedicar a si mesmo;
amor próprio;
egoísmo;
pilantropia.

Sim na verdade é isso que praticamos, o omsiurtla está presente na vida de todos nós e pior que isso, está na moda. É impossível fugir pois o que você vai sentir quando chegar no escritório e seu colega da sala ao lado perguntar: “Já ligou pro Tele Ton?”, obviamente você não vai se sentir bem…mesmo não gostando de ninguém que está na T.V no horário que você está assistindo é sua obrigação ligar, você deve isso….a quem?? Oras a você mesmo… afinal seu eu mesmo merece um pouco de alívio. Você pega no telefone e rapidamente passa pela sua cabeça que o criança esperança acabou de passar e você já colaborou, neste momento você pensa em colocar o telefone no gancho mas aquela melodia começa a entrar pelos seus ouvidos, maldita T.V estéreo, sim é ela: ” Depende de nós…lalalalalalalalala” então é fatal , um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer, isso aí rapaz disque esses números que você vai se sentir muito melhor, assim que você escuta o agradecimento da gravação uma paz invade seu coração, neste momento você é o melhor ser humano do mundo e ninguém pode tirar isso de você.

Mas mesmo chegando a essa conclusão ninguém pode negar que alguém sai lucrando desse omsiurtla pois seja lá por qual razão nós continuamos ajudando, pensando em nós, nos outros ou nos dois e isso já é um bom começo.

Descartável

Hoje, dia 28 de agosto do ano 2000, escrevo para vocês, daqui da minha escrivaninha, essas palavras que vos mostro agora.

Com esta caneta BIC, sobre esta folha de papel (que logo se transformará em bits e bytes) eu peço a atenção de quem descartou alguns minutos do seu dia para ler o que escrevo. Escrevo sobre a fugacidade, sobre a substituição. O descartável; o próximo.Ninguém tem tempo. Tempo para almoço. Não perca tempo; coma qualquer coisa, um lanche rápido, fast food. Comida descartável!

O trabalho. Ah………o trabalho…………e depois o café; em um copo plástico – é claro. Se você trabalha, diga com que tipo de roupa; se não, diga adeus ao seu emprego – você foi apenas mais um copinho de café. Se trabalha social tem que seguir algumas regras, e que por vezes são efêmeras, se vai esportivo ou à vontade, também; pois a moda é cruel. Se tem um estilo, siga-o mais vai durar pouco.

Lá fora os carros. Novos a cada dia, a cada dia mais carros. Computadores a cada segundo e de segundo em segundo ninguém mais é o primeiro.

Meus sapatos estão “velhos” e eu os jogo fora. Mais barato que conservar é comprar. Quem tem tempo para aquilo? Isto é muito mais fácil. Pois é o tempo que nos têm.

Descartáveis são as coisas, os brinquedos, os automóveis, os aparelhos eletrônicos, as bicicletas, os relógios, as roupas, as crianças e os velhos, as alegrias e as bênçãos; descartáveis são as pessoas. Ninguém, realmente, deseja bom dia ou pergunta se você quer ajuda – com a vontade de quem quer ajudar. As pessoas não se olham, não se abraçam. Não existe sorriso, não existe choro, existem máscaras. Um dia você a usa, no outro, joga-a fora. As pessoas não se beijam com o desejo de estar com a outra, beijam por diversão, por ambição, por mera pulsão sexual.

O que eu imaginei, um dia, derrete-se como açúcar nas chuvas ácidas que enchem os reservatórios de água. Ninguém tem tempo para ninguém. Somos descartáveis, com sorrisos descartáveis e roupas descartáveis. Somos, todos, descartáveis!

A caneta ainda dura, mas não sei se vou vê-la novamente. De tudo, o que fica são as palavras. As palavras e os pensamentos.

Pois, é …

Comecei a pensar, e pensando pensei: Por que pensamos ? Ou será que só pensamos que pensamos ? Eu penso que não. E você, o que pensa disso ? Nunca parei para pensar nisto: O pensamento.

Pois é, acho que esse negócio de pensar é algo complicado demais para se pensar sobre. Penso, penso, e penso, logo existo. Existo? Será que só pensamos que existimos? Ou será que só pensamos ? Ou então só existimos ? Será que existir é só pensar ? Ou será que só pensar é existir ?

Bom, uma coisa garanto: Eu existo ! Posso garantir outra também: Eu penso ! (embora muitos pensem que não) Mas será que vida é só isso ? Pensar e existir?

E viver? Será que eu vivo ? Se eu vivo não sei. Penso que vivo. Acho que existo.

Penso. Existo. Vivo. Penso sobre a vida ? Sobrevivo. Ah, agora sim!! Sobrevivo, penso e existo.
Mas quero viver. Viver eu vivo ? Não, acho que só sobrevivo. Sobreviver. Viver sobre a vida.
Vivendo a vida. Vida. Ida. Dá. A. Bah !!

Vida, vivo ? Não sei se vivo. Sóbrevivo … Sobrevivo e penso. Penso, logo existo. Será que existo ?
Não sei … Acho que vivo, ou melhor sobrevivo… Sobreexisto… Sobrepenso. Pensobre, sobre…
Sobre a vida. Vida ? Sinto.
Sinto muito… Muito. A vida sinto, sobrevida. Sinto. E se sinto, vivo… Se vivo existo … se existo penso … penso… por que pensamos ?

Não sei. Não sei se penso, só sei que sinto. E o que sinto ? Meus pensamentos. Penso porque sinto.
Sinto porque existo; mas será que existo ?
Ahh, esquece. Não pense nisso. Não exista. Sinta ! Viva !
E eu, bom … eu pergunto.

Sorria, você ainda vai ser filmado

Vinte e oito milhões de brasileiros estão dormindo mais tarde no domingo, para assistir a No Limite. O programa da Rede Globo nos faz divagar por que este tipo de programa está fazendo tanto sucesso no mundo inteiro. Nova geração, novo comportamento??? Uma ova, o que nós esquecemos é uma característica básica de todo ser humano…a curiosidade.

Qualquer homo sapiens sapiens dentro dos padrões já olhou por uma fechadura, já quis ler o diário de alguém ou já prestou atenção em conversa alheia. A grande sacada é colocar isso no ar para o mundo inteiro, aproveitando-se da vontade de alguns de ganhar dinheiro e/ou serem famosos.
Todos temos o desejo guardado(ou não) de nos vermos de fora. Como assim? Bem, acho que o fato de uma pessoa absolutamente normal estar na T.V em qualquer situação mata um pouco dessa nossa vontade de nos vermos.

Tudo se interliga, pense naquele seu inesquecível primeiro beijo…pensou??? Não faltou a trilha sonora???É, a trilha sobe os dois se aproximam e aquele fantástico beijo se consuma zoom in nas bocas e CORTA! Sim, aí está seu primeiro beijo documentado com trilha e tudo…O problema é que não é bem por aí, nossos momentos são dificilmente tão mágicos como na T.V ou no Cinema, isso por que na nossa vida não há iluminação contra regra ou um segundo take, ou melhor há. Agora nossa vida pode ser documentada e melhor ainda televisionada, pois isso é o que dá dinheiro agora.

Na T.V: “No Limite”, “Vinte e poucos anos”, “Survivor”, “Na Real”, no Cinema: “O Show de Truman”, “Ed TV”, “Bruxa de Blair” “Invasão de privacidade”, “Uma Janela Indiscreta”, esse grande número ilustra o tanto que gostamos desse tipo de coisa e há quanto tempo.

Como tudo nesse planeta as grandes estrelas estão se tornando descartáveis, uma pessoa vem, faz um programa, vira estrela, é descartada. Sim pois a partir do momento que a pessoa vira uma estrela ela não é mais interessante. Logo mais teremos câmeras nos seguindo para todos os lugares, com destaque no horário nobre: “E hoje não percam, Ricardo do Projeto Cronistas Reunidos vai comer o spagueti da Dona Lígia sem queijo Parmesão”, então todos vão estar sentados em frente a T.V para ver uma pessoa como eles fazendo uma coisa que eles também fazem. Ou seja vamos nos ver de fora.
Ainda que não sejamos exatamente nós, sentimos que nós é que estamos lá, na telinha, que existe um pedacinho de cada um lá, na cor do Amendoim, na simpatia da Pipa ou na “malandragem” do Marcus e que esse aparece mais do que todos.

Por que somos assim?

Estava, um dia desses, pensando (vocês sabem o lugar onde as pessoas tem a maioria de seus pensamentos – o banheiro, sim, ele mesmo) e uma coisa aconteceu. Como em de volta para o futuro, eu tive uma espécie de insigth que me levou a pensar em coisas como o futuro. Sim, coisas que eu estava deixando pra trás e que num futuro bem próximo poderiam se acabar. A quanto tempo eu não vejo meus amigos do cursinho, eles estão por aí estudando, trabalhando, assim como eu. Porque eu não liguei mais pra eles, ou se liguei, porque não insisti um pouco mais. O comodismo é uma chaga que poucos percebem!

Meus colegas do ginásio foram desaparecendo na neblina do esquecimento sem que eu me desse conta. Não, não é minha culpa, eu sempre adorei estas pessoas; era eu quem ia em suas casas para chamá-los para as festas, ou que ficava até tarde (depois do horário de aula) conversando sem se importar se teria que ir de ônibus pra casa (eram 30 minutos em pé). Eu sempre os convidava pra viajar e eles a mim, parecia que estaríamos juntos para sempre, que faríamos faculdade, nos formaríamos e continuaríamos a sair juntos.

Eles se foram! Estão vivos, mas se foram! Essa é a parte terrível, estão vivos mas não estão porque não estão aqui ao meu lado como eu pensei. Por que eu não os procuro agora e retomo tudo o que foi perdido? É, é isso aí………..

Sim, é minha culpa. E sei, agora que poderia ter enfrentado esse comodismo, que poderia ter tentado de algum jeito não me afastar tanto….mas são interesses tão diferentes, são pessoas tão diferentes,
que talvez a amizade fosse circunstancial e não o que eu imaginava ser, para sempre.

Agora só me resta preservar aqueles que aqui estão ao meu lado pois o futuro é breve e o comodismo é veloz. Se você ainda não esteve no banheiro, tente; pode ser uma grata surpresa.

Walt Disney e Eu

Felizmente, ou não, eu sou um publicitário, ou quase. Dentre as muitas atividades que um profissional da propaganda pode ter, a mais conhecida é a de criador. Nesta, o profissional cuida da imagem da marca de uma empresa, ou pelo menos deveria.

Eu sempre achei que esse lado fosse bonito, pois faz com que as empresas cresçam, e que a sociedade, com esse enriquecimento possa prosperar, e que as pessoas inseridas nesta sociedade se tornem então, felizes. Pois é, esse raciocínio é um tanto quanto pueril, eu admito, mas não deixa de ser belo.

Porém, no fim-de-semana passado descobri o lado negro da comunicação de massa. O lado que esmaga a individualidade, o lado que faz com que as marcas, personagens, logotipos e garotos propaganda se tornem mais reais do que as pessoas comuns. E isto inclui o meu amado cinema, que sempre defendi e considerei benéfico.

No domingo do Dia dos Pais, como na maioria das casas, minha família se reuniu para comemorar essa data tão bela. Uma reunião como num conto infantil: Vovó, Vovô, Netos, Netas, Papai, Mamãe, Filhinhos e Filhinhas, Titio (no caso, este que vos fala) e Sobrinhas. Todos juntos, na minha casa, na verdade, na casa de Papai e Mamãe.

Bom, eu posso garantir a vocês que sou um tio extremamente bobo. Sim, daqueles que se torna mais infantil que as próprias crianças, daqueles que usa a idade das sobrinhas como desculpa para brincar com seus brinquedos. Acho que vocês já entenderam …

Tenho três sobrinhas, e eu nunca havia realmente brincado com a mais nova, de 1 ano e alguns meses. Nesse fim-de-semana tive meu primeiro contato imediato com ela. E foi extremamente agradável, ela me olhava e ria, não parava de rir. Brincava com o telefone, e ria. Olhava as fotos e ria. Olhou para minha foto e riu, olhou para o Mickey que estava ao meu lado na foto e disse:-” Miiiii ….”

-“Miiii ?!!!” como assim, -“Miiiii???”. Olhei para ela, que só ria, e indignado apontei para mim, na foto e disse enfático-” Tio !” Ela, desafiadora, apontava para o Michey e dizia -” Miiii !!!!”.

Ensandecido me virei para minha cunhada e perguntei se haveria a possibilidade daquela pirralha estar realmente reconhecendo o Mickey (ou melhor, Miiiii ….). – “Claro!! Ela adora o Mickey ….” me respondeu.

Voltei-me desfigurado para minha sorridente sobrinha, olhei para ela, olhei para o retrato, apontei com o resto das minhas forças para minha imagem e disse:-” Tio”. Ela, sorrindo, me respondeu:-“Blubfmm … blubl …. Miii !!!”.

Já exaurido eu me deitei e descobri que não era nada para ela. Ou melhor, eu era um “Blubfmm”. Não acreditava no que estava acontecendo. Aquela criança que estava deitada, com as pernas para cima, sendo limpada de cocô, negava a minha existência. Eu mesmo já começava a duvidar de mim mesmo, e bestificado olhava minha própria pele para saber se eu realmente exisitia. Porém, quando tudo parecia estar perdido, na mesma posição, rindo e imitando repentinamente sua mãe, ela disse: -“Tiiiiil … ” – “O QUÊ ??!” perguntei -“Tiiiiill !!!” ela respondeu. Hahaha, eu sabia ! Ela já me amava! Finalmente, venci !

Reanimado com a vitória, me voltei para a foto, olhei raivoso para o Mickey e perguntei – “E agora ?! O que você vai fazer negão, heim heim ?!!” Ele, assim como minha sobrinha, nada disse, apenas … sorriu.

Mundo Animal

Esta semana algo interessante me ocorreu. Meu relacionamento com animais de diversas espécies, ainda que um pouco longínquo, aumentou.

Não pelo fato de eu ter rolado no jardim com algum cachorro, ou ter assobiado junto a passarinhos num pomar, mas vi coisas acontecerem, mas infelizmente, não foi dessa vez que observei o voar calmo de elefoas e elefantes no pôr do sol.

No início da semana, estava eu no intervalo da única aula que estou tendo este ano de manhã voltando de uma padaria, quando vi uma pessoa de uns quarenta e poucos anos – depois que descobri que era do sexo feminino – sendo radicalmente encarada por um canino, enquanto ela permanecia intacta até ir acariciá-lo.

Até aí tudo bem, mas quando subi no andar aonde tenho aula (8º) fui no fumódromo do andar, onde se encontra a máquina de café, e observei pela janela a mesma pessoa entrando em várias casa, abrindo vários portões, para mexer com mais cachorro. Lógico que curiosidade te atrasa pra aula e fiquei analisando, para ver o que iria acontecer. Fiquei abismado. Onde já se viu, uma mulher ir abrindo todos os portões da rua e ir mexendo com o cachorro de todos daquela rua? O pior é que os cachorros latiam muito com a sua presença.

Já mais calmo e dois dias depois, cheguei a noite da faculdade e fui assistir, como de costume, mais um episódio de “”Um Amor de Família””. Adivinhem qual episódio que era? O que o Buck Bundy morre e é substituído por outro animal que na verdade é ele mesmo, na verdade uma longa história que não vem ao caso. Beleza, mais animais na semana.

Mas a gota d’água foi a minutos atrás. Tinha acabado de estacionar meu carro na garagem do meu prédio e, quando vou desligar o motor olho pela janela do carro: um rato. Isso mesmo, o pequeno roedor – que não era tão pequeno assim – estava procurando algum buraco para fazer alguma coisa que eu não faço a menor idéia do que seja, mesmo porque não sou um rato e não sei quais são seus interesses, e fiquei vendo o animalizando.

Nunca, jamais, imaginaria que o bicho tivesse um rabo como aquele, parece ser meio escamoso, e é grande. Talvez seja por isso que as mulheres se assustam e se alteram.

Bom, já falei demais sobre coisas pessoais hoje, até semana que vem.

Ah… só uma coisa, a Marginal não é uma linha reta! É complicado uma avenida (2) que pega as zonas sul oeste, norte e leste poder ser feita com uma régua, ela pode se encontrar!

Abraços, Herminio.

“O Domingo é apenas mais um dia” – Ricardo Laganaro

Felicidade, é atrás disso que corremos desde que nos consideramos gente, tirando boas notas no colégio, se formando com honras na faculdade, arrumando um ótimo emprego em uma multinacional, para um dia podermos ter muito dinheiro e conquistarmos aquilo que viemos buscando desde o colégio… A Felicidade.

Mas será que este é o caminho pra felicidade mesmo??? Eu acho que não, e este vem sendo meu único obstáculo para ser totalmente feliz desde o início.

Já no colégio o pequeno Cristiano não pensava em tirar notas boas, pensava em tirar vamos dizer notas razoáveis, pois pq ele iria estudar em vez de ficar pulando de pogobol qual um canguru por toda a extensão de seu prédio. O que a gente leva da infância é isso, as brincadeiras, os tombos, as namoradas, as escadas (quem nunca namorou, brincou ou caiu em uma escada qdo é pequeno???), etc.

Na faculdade o adolescente Cristiano manteve suas características, sempre buscando o que achava que te traria felicidade, sempre que possível colocando os amigos e novas experiências à frente dos estudos e deveres. Sempre que possível pois de vez em qdo é necessário fazer a parte chata para garantir à parte boa.

Agora o adulto Cristiano enfrenta a pior parte: O Trabalho. Esta parte infelizmente não pode ser ignorada, este “pré-adulto” se encontra num dilema onde de um lado está o trabalho propriamente dito, igual ao de qquer um, acordando puto pois mais um dia vc vai ficar dentro daquele escritório fazendo uma coisa que vc nem sabe pq está fazendo mas continuando pois é seu futuro e vc tem que trabalhar.

Do outro lado do dilema está um trabalho idealizado onde o Domingo é só mais um dia, um dia onde vc não vá pensar com desespero em que tem trabalhar mais uma vez e sim um dia normal em que vão te pagar para vc fazer o que gosta.

Isso mostra que a Felicidade não está necessariamente em ser um grande executivo e ganhar milhões e milhões, e sim em uma coisa “estúpida” que é sorrir enquanto trabalha. Não só no trabalho, mas em tudo, felicidade plena, em acertar a bolinha de papel no lixo, em receber um e-mail, no comentário que gostaram da sua crônica, naquele telefonema inesperado.

Por isso eu digo que a felicidade é estúpida, e não um mito. É claro que isso depende de pessoa pra pessoa, para alguns a felicidade é aparecer na Caras ou dirigir uma mega empresa, mas para a maioria isso não quer dizer tanta coisa, ou é apenas conseqüência de um perfeito caminho em direção a felicidade.

Ilusões

Todo dia eu desço pelo mesmo lado da cama e abro o armário, as gavetas. Procuro algo para me vestir, algo que me aqueça e que seja legal ou que “orne” com as cores que pretendo vestir. Minha avó que gosta de “ornar” as coisas, se não fica feio – diz, ela.

Depois de passar pelo banheiro em uma higiene demorada, eu almoço (vejo TV ao mesmo tempo) e vou trabalhar. É preciso estagiar para que seu futuro seja promissor, afinal, ninguém; nenhuma empresa aceita alguém sem alguma experiência. Cada dia que passa é um dia a mais de experiência, é um passo a mais para um emprego, para o sucesso.

Por fim, ainda tenho que ir para a faculdade, local onde posso passar um tempo conversando com meus amigos e obtendo o conhecimento necessário para que eu possa realizar-me profissionalmente. Grandes mestres que ali estão, propiciam a troca de conhecimentos entre as pessoas. Pessoas que pertencem á sociedade tal qual ela é constituída, tal qual ela é escrita no papel. Tola tese de estudiosos! As pessoas são livres, segundo estes; segundo a Constituição. Não segundo elas mesmas. À estas não é dado o direito de escolha, o que se resumiria ao direito de pensar. Liberdade de pensar.
Liberdade de agir.

Sou eu, um cidadão; e isso me torna menos livre. Eu não quero aturar empregos chatos – denominados estágios – , eu não quero ter que ser julgado pelo número de anúncios que já fiz ou de prêmios que já ganhei. Eu não quero ter que ser bom em design ou criação, em marketing ou administração.
Eu não quero.

Por que eu acordo todo dia e já penso no dia seguinte, no mês seguinte? Onde estarei daqui há um ano? Por que esta ânsia em estagiar, em trabalhar? Por que essa gana em ser o melhor, o mais qualificado para trabalhar naquela empresa, ou naquela outra.

Sou eu, um cidadão; e isso me torna menos livre. Liberdade dos tolos, liberdade dos teóricos, liberdade do contrato social. Essa, eu não quero, obrigado!

Eu quero a Liberdade desvinculada da sociedade e seus vícios, a Liberdade desvinculada do dinheiro, do sucesso, do trabalho. Quero a Liberdade de escolher o que eu quero e exercitá-la sem precisar me dar conta disto. Abaixo o consumismo, as marcas, as ilusões, eu quero a minha Liberdade, a sua Liberdade, a nossa. Quero acordar cada dia de um jeito, me lavar a hora que eu quiser, se eu quiser e não me importar com o que os teóricos dizem, ou os costumes. Trabalhar com vontade até a hora que eu puder, oito, doze, quantas horas eu agüentar e ainda assim, fazê-lo com prazer. Não quero ser julgado pela minha habilidade de criar, quero ser identificado pela pessoa que sou. Quero o amor e o desgosto, a felicidade e a dor; desvinculados. Quero ser e estar; pensar cada instante presente, não futuro. Quero viver!

Sou eu, um cidadão; e isso me torna menos livre.
Sou eu, um cidadão, escravo de mim mesmo.

Diário de Um Estagiário

É estranho como a vida é estranha. Estranha essa frase, não ? Pois é, mas digo isso porque ultimamente, ando tendo muitos motivos para acreditar nisso.

Em um dia você pode estar extremamente feliz porque conseguiu uma entrevista de estágio numa das maiores agências de publicidade do país (o que não pode ser desprezado por alguém que faz duas faculdades disso), e logo em seguida, pode perceber que isso não significa nada, porque ao andar pelas ruas de São Paulo, no seu bólido (de 1000cc), distraidamente , você leva um “flash” típico dos radares de fiscalização de velocidade, e consequentemente, irá receber uma multa dentre alguns dias (provavelmente no Dia dos Pais, belo presente não ?!). E sua entrevista não ajudará em nada!

Depois, no dia seguinte, você recebe um telefonema dizendo que não se encaixa no perfil do cargo solicitado (daquela entrevista lembra?). E até agora não consegue descobrir se é alto, baixo, gordo ou magro demais para o cargo ?

Tudo bem, a agência já está em decadência mesmo, na verdade, você nem queria o estágio. E mais, o lugar onde você estagia é ótimo ! Super tranqüilo, sabe? Quer dizer, mais ou menos tranqüilo … Era tranqüilo até um dos seus colegas tirar férias e acumular todo o seu serviço com vários novos projetos da sua empresa. Se bem que trabalho demais nunca foi problema, lógico que tudo tem limite, mas também não há nada pior do que ficar sem nada para fazer no trabalho. Na verdade até existem coisas piores (chutar o canto da cama descalço, por exemplo), mas isso não vem ao caso.

Voltando para sua rotina, você pára pra pensar e acaba vendo que está numa fase boa, e tudo está mais calmo. Durante um bom tempo isso foi tudo o que você quis, não é ? Mais calmo, porém nem tanto, afinal o seu orientador de trabalho de conclusão de curso é um pouco intransigente (eufemismo é pouco !) e você precisa correr com esse maldito projeto.

Tudo bem, é melhor relaxar. A TV pode ajudar, e você resolve ver um canal que lhe agrade, como a MTV, por exemplo, que está passando sua premiação anual para vídeo clipes, que por acaso tem uma categoria nova de websites de artistas, que por sinal você estava concorrendo, antes de saírem os finalistas, que foram escolhidos pelos mesmos organizadores que pediram para você concorrer ! Nada mal, a festa é sempre igual mesmo. A não ser pela nova contratada da emissora que se chama Fernanda Lima, e que está com um vestido, que … deixa pra lá. Aliás, o que ela vai fazer no prêmio ? Parece que vai anunciar os vencedores de um categoria nova. É, isso mesmo, a categoria se chama: Melhor Website de Artista. Pois é, parece que nada está muito certo …

Apesar disso, com tudo aparentemente dando errado, você se sente muito bem fazendo coisas bobas como escrever uma crônica (se bem que antes de escrevê-la, você achava que ficaria bem melhor) enquanto espera sua tão esperada namorada. Estranho, né ?