Arquivo de setembro, 2000

Solteiro não!Disponível.

Numa bela tarde de setembro de 1987, cheguei da escola todo animado, logo corri para a cozinha para contar as novidades para a mamãe. Com aquele velho avental de crochê vermelho ela preparava o almoço, lembro até hoje, arroz branco, feijão com gostinho de alho e filé a milanesa, um dos meus pratos preferidos. Depois de receber o típico abraço confortador falei do alto dos meus oito anos com minha voz pueril e ingenuidade inerente: “Mãe estou namorando”. Mamãe ficou super feliz e indagou: “Com quem meu lindinho?” então respondi: “Com a Rachel, com a Carolina e com a Alessandra”.

Desde então minha mãe sabia que teria trabalho em relação a minha vida amorosa. Ela bem que tentou me avisar, sempre dizia que eu acabaria solteiro. Ela estava errada, com o tempo aprendi que não acabei solteiro e sim disponível. Tomando como premissa que a palavra solteiro significa homem que ainda não se casou podemos considerar que ele possa ter outros compromissos. Já a maior proximidade que um disponível tem de um compromisso é no máximo…Um pernoite.

O disponível é aquele cara que sempre está sozinho, porém sempre anda acompanhado. Por tal motivo os amigos de um disponível tem que tomar muito cuidado. Nunca se deve chamar a companheira de um disponível pelo nome pois provavelmente você vai errar. A de hoje dificilmente é a de ontem e se tudo correr bem não será a mesma amanhã.

A imagem na família do nosso “Don Juan” moderno não é das melhores. Em vez de fazer como todos os outros que buscam forjar suas falsas sublimidades ele simplesmente observa. Observa aliás que sua priminha cresceu e é melhor começar a trabalhar.

Amante à moda antiga ou não, o bom e sagaz disponível trata muito bem suas companheiras, pois afinal ninguém sabe o dia de amanhã. Numa política de bom relacionamento, o eloqüente indivíduo consegue provar para suas vítimas que ele teve razões para não ligar no dia seguinte daquela noite maravilhosa (segundo ela pois ele nem lembra direito) e só apareceu agora por que não queria pressioná-la a um relacionamento que ela não estivesse pronta a assumir.

Para ter ao menos uma noção de tantas “noites maravilhosas” o disponível une o útil ao agradável. Na agenda de seu celular (antigo caderninho preto) você pode encontrar nomes como: Carol Faria Lima, Vanessa Bess e Ana Studio A. Códigos que só o próprio pode entender (ou não).

Não quero criar uma visão de vilão para nós disponíveis, todos temos sentimentos e não deixamos nosso egoísmo vencer, temos a preocupação real de olhar para o ser humano e admirá-lo internamente pois é isso que realmente importa e …espera um momento…você leitora…é ….você morena escultural de olhos verdes…eu não te conheço de algum lugar???

Confissão

Chocolate. Adoro chocolate. Sempre fui um compulsivo por este pedaço de prazer embalado. Meu avô tinha uma quitanda, no tempo em que existiam as quitandas de bairro. Talvez isso explique muita coisa. O caso é que eu sempre pegava doces e refrigerantes com o meu avô, quando não era a minha avó que estava lá no balcão do armazém………..é, eu chamava aquilo de armazém, eu e todos do bairro; e o leitor há de convir que uma criança ainda não tem capacidade de distinguir um armazém de uma quitanda.

Todo dia, antes da aula, eu passava no armazém para pegar uns doces. Dip lic, Gibi, paçoca Amor, doce de abóbora em forma de coração, doce de leite em forma de faquinha e chocolates, sim, chocolates de todos os tipos : Chokito, Prestígio, Lolo, Surpresa, Toblerone, Sensação, Stick, Kri, Suflair. De chocolate eu entendia; mesmo porque, quando se é criança não existem outras preocupações, a não ser o número de figurinhas, a coleção de bolinhas de gude, os piões pintados, quantos quadrados (pipas) você conseguiu ralar (cortar) em um dia, os gols que você fez no Contra (contra a rua de baixo). Ufa ! Eu não lembro de ter tantas preocupações assim desde o dia que decidi encarar um estágio no tempo livre que me sobrava entre a faculdade que eu fazia de manhã e a outra que eu fazia de noite.

A grande preocupação, mesmo, foi quando chegou a adolescência e eu continuava a comer, compulsivamente, chocolates. Eles continuavam grandes como eu sempre quis, mas seus efeitos eram ainda maiores. A gente sentia na pele!

Nesta fase da minha vida procurei ajuda de um especialista. Ele era muito legal comigo, sempre me dando conselhos e me ajudando a parar com os chocolates. E de chocolates ele entendia. Foi assim que, sozinho, parei de usar, digo, comer chocolates compulsivamente. Mesmo que continuasse, hoje, eu teria que comer muito mais chocolates, porque eles estão diminuindo. Vocês já repararam? Os chocolates estão cada vez menores. As embalagens são do tamanho de uma mordida, muito menos pessoas estão comendo estas barrinhas maravilhosas. Quase não existem, propagandas de chocolates na TV. As pessoas estão esquecendo o chocolate!

Talvez, porque ser malhado seja a aspiração que regula a sociedade do culto ao corpo; não importa o sacrifício! Vale, até, parar de comer. Esta obsessão chegou ao ponto de substituírem a barrinha maravilhosa, digo, barras de chocolate, por barras de aveia e mel com aparência de alpiste. Eu sou magro (é eu sou magro!), mas não sou passarinho. Vendo, assim, esta situação; posso dizer que, hoje, já está mais fácil controlar minha vontade de comer chocolate. Quando olho para eles, vejo apenas mais um doce na prateleira, uma simples guloseima de cacau com um sabor delicioso e irresistível (huuumm!) que dá água na boca só de falar!

Hamburguer, Fritas e Coca-Cola

Hamburguer, Fritas e Coca-cola. Durante muito tempo, essa foi uma das mais perfeitas definições de felicidade que eu encontrei.

Desde meus cinco anos de idade, as lanchonetes me exercem um fascínio irresistível. Entrar em uma lanchonete é como penetrar em um templo sagrado, onde todos são felizes, dinheiro não é muito problema e principalmente, onde você pode cultivar, degustar e curtir suas amizades, relações familiares e, é claro, seus amores.

Quando eu voltava do colégio no ônibus escolar, às seis horas da tarde, em plena Avenida Eternamente Congestionada Sto. Amaro, ao ver o grande chapéu do Borba Gato, a felicidade inundava meu pequeno mas faminto coração. E não é porque eu admirava a estátua do famoso bandeirante. Muito menos porque já estava perto de casa. Eu me sentia feliz, porque passava em frente ao Mc Donald’s, e me realizava com a simples (e nula) possibilidade do Seu Joel, o motorista, entrar no Drive-Thru e comprar lanches para todos nós.

O tempo passou e, obviamente, meu sonho nunca se concretizou. Porém, a felicidade mesclada com esperança jamais abandonou meu coração ao avistar aqueles arcos dourados. Eu ansiava pelo dia em que tivesse autonomia suficiente para ir, à famosa lanchonete sem ter que depender de nada, nem ninguém e sem planejamento prévio.

Com dezoito anos tive a sorte de ganhar um carro de aniversário. O meu primeiro carro. E com ele, percebi que não seria somente um meio de transporte que possibilitaria a realização do meu sonho. Era preciso um pouco de dinheiro, era preciso um pouco de tempo. Essas dificuldades acabaram aumentando o meu bloqueio. Os anos foram passando, e eu continuava vendo meu “templo culinário” pela janela do carro. Longe e intocável.

Aparentemente, meu sonho não se realizava por motivos variados: falta de dinheiro, falta de tempo, e distância. Mas eu sabia que nada disso era verdade. Eu acabei sendo vítima de um trauma criado por mim mesmo, e isso era fato !

Ontem, eu tinha tudo. Dinheiro, tempo e um Mac no caminho da faculdade. Relutei, tentei desviar minha própria atenção e usei todos os mecanismos possíveis para não entrar, mas entrei, e rapidamente comprei dois cheeseburguers, e uma Coca pequena.

Eu não tinha muita fome. Na verdade, eu só estava transpondo meus limites, realizando meu sonho e nada iria me impedir. Nem o troco, nem a espera, nem o Ronald.

Finalmente entrei na avenida com um lanche em minha mão, e o copo entre as pernas. Dirigindo e comendo, percebi o quanto era verdadeira minha definição de outrora. Eu era feliz !

Para arrematar minha vontade reprimida por anos e anos, como em um golpe de misericórdia, coloquei a mão dentro do saquinho em busca do outro sanduíche, e qual não foi meu espanto quando percebi: Não havia mais nada !

Desesperado, brequei o veículo, como um louco soltei o cinto e saí em busca do lanche perdido. Levantei os tapetes. Levantei os bancos. Levantei o carro. Levantei as mãos, e gritei:”- DEUS, POR QUÊ ?!”

Não obtive resposta, e pior do que isso, não comi meu sanduíche. Eu fui ludibriado pelo destino. Fui atingido quando estava mais vulnerável. Mas senti, mesmo que por alguns instantes, a felicidade que esperei por toda a vida, e apesar de todos os pesares posso dizer: Valeu a pena

Era Uma Vez

Quatro rapazes, jovens, capazes e bonitinhos, por algum motivo não explicável, tiveram a brilhante idéia de praticar algum esporte. Mas não um esporte casual, isso é pouco. A busca pelo prazer e pela emoção movem os jovens que optam pela velocidade.

Só para você se localizar, eles chamam Rod, Ric, Cri e Her e, esses quatro cidadãos, elegeram o kart como brinquedo esportivo.

Claro que é uma diversão que não se pratica diariamente só por prazer, mas é possível se exercitar todos os finais de semana! É muito simples, todo Domingo de tarde, é só ir no kartódromo do Gênio e andar.
Eles estavam contentes, até que chegaram para andar todos juntos pela primeira vez e os integrantes, todos os quatro, observaram a pequena verruga que se arrastava no asfalto, mas só depois de muitas avaliações descobriram do que se tratava a verruga: era uma espécie da “”Coisa””. Porém essa “”Coisa”” se alimenta de karts e, como o local é tomado por karts, só sobraram dois karts que não foram comidos, no caso os dois karts dos quatro. Mas esperem, a coisa está se aproximando.

– Xi danou-se – pronuncia-se Ric.
– Aahahahahahahaha – Fala Rod.

A Coisa pegou os karts, mas como o sol estava muito forte, ela se dissolveu e por sorte, muita sorte só sobraram os karts deles.

No outro Domingo, prontos para andar de kart, foram impedidos por outro comum acontecimento na região. Um pequeno maremoto abalou a região do Kartódromo do Gênio e tiveram que esperar mais uma semana.

– Dessa vez não passa – diz Her.

Chegando os quatro mais uma vez ao local, se defrontaram com uma breve guerra civil formada por esquimós, que escolheram o local como campo de batalha, devido ao clima, altitude e longitude.

– Agora sim – suspira Cri.

Todos felizes de mãos dadas ao Kartódromo do Gênio chegam ao local da brincadeira quando Ric fala apavorado.

– Eles acabaram de descobrir que esse solo é rico em Petróleo, não será possível praticar aqui nas próximas 17 semanas.
– Ai caramba – exclama Rod.

Pois é, realmente mais uma difucldade, mas é por pouco, estão todos prontos, 17 semanas depois para andar.

O calor está muito forte, é janeiro e eles finalmente chegam ao Kartódromo do Gênio. Mas esperem, uma inversão térmica está provocando uma precipitação com neves na região.

– Tudo bem, isso é coisa da natureza – conforma-se Her.
Mais uma vez…. todos de volta ao Kartódromo do Gênio estão pronto. Nada mais pode acontecer!

Eles estão entrando nos Karts, primeiro Ric e Cri.

Mas uma pequena nuvem aparece e, quando o primeiro kart se prepara para entrar na pista, chega a nave mãe de um ataque de extra-terrestres e a nave mãe resolve pousar bem em cima da pista, em cima de dois karts que eu não vou dizer quais são.

Mas o ataque só durou 4 horas, foi um engano de planeta e as 5 da tarde foram embora. Por coincidência, havia uma cavidade na parte inferior da nave mão onde ficaram os karts que eles não amassaram!

Yes… eles conseguem um Domingo perfeito, entram saltitando e cantarolando “”Love and Married”” no Kartódromo do Gênio quando de repente, eles olham entre si e resolvem mudar de rumo, sem duvida nenhuma estão certos de investirem em um novo esporte, o famoso Golfe de Mesa polonês… isso que é emoção!

Até semana que vem.
Abraços, Herminio.

ALTIUS, Fortius, C i t i u s

Quem é o mais forte, o mais rápido e o que vai mais alto? Bem, isso só saberemos daqui a algumas semanas quando os Jogos Olímpicos terminarem, mas por enquanto temos outras questões que já estão bem esclarecidas.

Temos definidos vários “mais” antes mesmo das competições terem início.

O “mais” tarde (possível). O horário dos jogos é estranhíssimo. Você chega da noitada depois de algumas e liga a TV , lá está um cara arremessando dardo com sol a pico e o logo da Globo no canto inferior esquerdo dizendo “ao vivo”. Desde as Olimpíadas de Seoul não lembrávamos que existe esse negócio de fuso horário. Fora as três corridas de F1 (Austrália, Japão e Malásia) não costumamos ficar acordado até as 2:00 AM para ver um evento esportivo e muito menos ensolarado. A Austrália tem 14 horas a mais e se você é um amante de esporte algumas horas de sono a menos.

O “mais” chato, nosso amado e odiado narrador Galvão Bueno. Quem assiste o vê esbanjando suas pérolas e interrompendo todos repórteres com comentários no mínimo dispensáveis. Quem não assiste mas liga a TV só pra dormir melhor é surpreendido em seus sonhos por vozes chamando Barrichello de Schumacher e estranhas vozes gritando: RRRRRRRRRRRRRRONALDINHO.

A “mais” vitoriosa é a delegação dos EUA pois quem tem alguma dúvida que ela é quem vai ganhar o maior número de medalhas.

O “mais” ridículo é o fato do país tetracampeão mundial de futebol nunca ter ganhado a medalha de ouro de futebol.

O “mais” legal é assistir aqueles esportes estranhos que parecem só existirem na época de Olimpíadas, como esgrima, saltos ornamentais, arco e flecha e nado sincronizado. No esgrima o desafio é conseguir enxergar onde está a espada, nos saltos ornamentais o legal é ver que aquele mergulho de costas que você deu na piscina do clube é uma porcaria, o arco e flecha foi feito para nos indagarmos: “Como ele acerta de tão longe?” e finalmente o nado sincronizado nos faz perguntar: ” Por que elas não usam biquínis?”.

A “mais” rica com certeza é a Austrália que está faturando nada mais nada menos que 7 bilhões de dólares com os jogos olímpicos, entre publicidade, concessões e mascotes o povo da terra do canguru está se tornando bem mais abastado. Vendo isso descobri também quem é o “mais” idiota; Eu, que um dia me perguntei por que todos lutavam tanto pra sediar as Olimpíadas.

Perfeição

Em uma praia paradisíaca, pessoas desfrutam da paisagem em cenas alegres e felizes. O sol brilha intensamente, as ondas são perfeitas e redondas, como as mulheres (no bom sentido, é claro). No fim de tudo aparece uma maravilhosa mulher com um copo de……de………VODKA! “Vodka Bakunin. Desce redondo”. Isso mesmo meus camaradas, vodka. Assim seria se o socialismo tivesse sobrepujado o capitalismo, na verdade, este anúncio nem existiria. Porém o mundo poderia ter tomado rumos diferentes nesses anos.

A liberdade e igualdade entre as pessoas, a compaixão superando a competição, as economias, os países, os povos se ajudando. Haveria a compreensão do destino compartilhado, traçado pela igualdade entre as classes……………………..,melhor, sem classes.

Muitos desempregados estariam trabalhando ao invés de pedirem esmolas nas esquinas, seus filhos estariam, certamente, em uma escola do governo aprendendo as bases do socialismo e declamando odes ao sistema; estudando e aprendendo, crescendo.

Os hospitais atenderiam a todos sem as filas ou a barbárie dos postos e centros médicos. Cirurgias, internações, atendimento, tudo feito, na hora, por médicos especializados. Exames caros, feitos por equipamentos mais caros ainda, ao seu dispor.

Talvez estivéssemos vivendo em um mundo um pouco melhor, talvez estivéssemos falando castelhano e não o inglês. Talvez Cuba, fosse nossa maior influência e centenas de americanos estariam se atirando ao mar para tentar entrar no país de Fidel; diria não, mas eles continuariam a vir indiscriminadamente. O cinema moldado nos trabalhos de Eisenhower, as músicas seriam polkas, ou ritmos cubanos, apreciadas por barbudos tragando charutos enormes.

O socialismo poderia reinventar a história, melhorá-la, e até fazer do presente um lugar agradável, mas não teríamos a liberdade de escolher o número um no Mc Donald’s, não beberíamos litros de cerveja e não teríamos assistência médica 24 horas por dia com direito a helicóptero e carência zero ( a propósito é só ligar 231- ????).

É nem tudo é perfeito.

Essa tal “Pastelização”

Um dia desses, eu estava conversando com um amigo do trabalho sobre comida. Eu, assim como ele, sou um apreciador da arte culinária. Para nós, uma refeição serve para muitas coisas, dentre as quais, a alimentação. Triste é aquela pessoa que se senta na mesa e engole a comida sem sentir seu sabor, seu aroma, seu aspecto estético, enfim, refletir sobre o que está comendo.

Numa dessas discussões, esse amigo me contou sobre uma feira que esteve, onde acabou experimentando uma insólita combinação de acarajé com tempurá. Estupefacto com esse menu, eu concluí imediatamente que ele estava numa daquelas feiras de nações com barraquinhas de comidas típicas de vários países.

Macarrão da Itália, Tempurá do Japão, Acarajé do Brasil, Hot Dog dos Estados Unidos, Croissaint (ou pão francês) da França, e por aí vai.

Pensando nesses maravilhosos pratos, e nos pratos que eu considero maravilhosos, eu me lembrei do magnífico pastel. O pastel de feira. o pastel do pasteleiro chinês. O pasteleiro chinês do pastel que é brasileiro. E tendo em vista essa realidade, eu comecei a temer o terrível axioma que estava se formando em minha mente.

No Brasil, pastel é coisa de chinês, só que na China, não tem pastel. Ou você já viu alguma foto do Mao-Tsé-Tung comendo pastel naquele típico papelzinho cinza, que alguns ousam chamar de guardanapo ? Portanto, só posso concluir que o pastel é um alimento apátrido !

O quadro realmente não é dos mais belos para um alimento tão nobre, mas não se enganem pensando que o pastel não tem sua importância política. Ele é o primeiro alimento, que transpõe as barreiras geo-políticas, tornando-se um precursor no que acabamos conhecendo (muitos anos depois) como “globalização”.

Graças ao pastel, as pessoas pararam de se preocupar de onde vinha o que ela estava comendo, para somente comer, degustar, e normalmente, queimar a ponta do nariz com o vapor quente logo após a primeira mordida. O pastel é o único alimento que pode frequentar qualquer festa típica sem sofrer retaliações.

Com o pastel, começamos a nos acostumar com a falta de fronteiras, perdemos os preconceitos por qualquer tipo de recheio, e principalmente, passamos a valorizar as parcerias intercontinentais, afinal, o que seria do pastel senão houvesse a garapa (ou caldo de cana) ?

Assim sendo, da próxima vez que você for a uma feira livre (e não Feira das Nações), ao pedir o seu pastel, lembre-se, mais do que matar a sua vontade de comer, você estará bradando a favor de todo o progresso alcançado pela humanidade por milênios. E Viva o Pastel !

Protecionismo Alemão

Bom dia, boa tarde, boa noite rapaziada. Dessa vez não da pra fugir. Durante muito tempo critiquei, torci contra e desconfiei do seu potencial, mas chegou um ponto em que o alemão que todos conhecem merece respeito e dignidade – isso não significa que irei torcer por ele a partir desse momento.

Já defendi o finlandês diversas vezes, mostrando que Schumacher nunca esteve sozinho na categoria, mas tenho que me redimir. O homem conseguiu chegar a um ponto que não significam só números, ou desprezo pelo fato de haverem poucos rivais a altura.

Chegar a 41 vitórias em 10 temporadas não é pouca coisa. Foi o mesmo que ocorreu com Senna, sendo que este só não conseguiu mais pelo fato de ter sido fatalmente interrompido na sua 11º temporada. Mas provavelmente o alemão deverá ultrapassar essa marca e também tem condições suficientes para bater Prost.

Acredito que durante as próximas duas temporadas ele ainda deverá dar muito trabalho, até as gerações que estão surgindo com Trulli, de La Rosa e Fisichella começarem a ganhar muitas corridas e títulos.
Bom mas voltando ao assunto, esse cidadão provou que é homem. Ninguém chora em público a toa. Ele não é ator! Ele é simplesmente um cara que não da pra descrever se é muito bom ou um oportunista em mil linhas, que esta passando por um momento que acho que não conheço ninguém que passou. Seus chefes o cobrando para provar ao mundo que depois de 21 anos a maior equipe de todos – a qual não sou torcedor – pode conquistar um titulo. O momento delicado de sua vida, seus sentimentos, seu futuro, tudo está em jogo. Uma vitória como a de Monza, acreditem, deve ter sido um presente enorme pra ele, não pelo título, mas sim pra ele provar pra si mesmo que tem potencial, que toda desconfiança poderia ser em vão e de que tem qualidades para lutar.

Foda-se que o cara é nojento! O cara foi humano e, pela primeira vez vi isso dele. Como disse, posso não gostar do cara, mas vê-lo chorar pelo provável fato de ter se superado e como todos supõem, de chegar a marca de seu fã, ele merece respeito e dignidade.

Tomara que o finlandês seja o tricampeão, gosto dele e da equipe dele, mas apenas gostaria de deixar claro, que apesar dos pesares esse cara mostrou desde Domingo dia 10 que é humano e não é um brinquedo manipulável.

Não sei o que quis dizer. Acho que é isso.
Abraços, Herminio.

Não faça na vida pública o que você faz na privada

É tempo de eleição, e todos os dinossauros voltam a despertar. Nossos velhos conhecidos de pleitos passados: A sexóloga, a prefeita, o vice-governador, o prefeito-governador e eterno candidato, o delegado, o presidente, enfim todos.

É nessa época, nesse pseudo ápice da democracia em que perdemos nossos bens mais valiosos: Nossa paisagem e nossos preciosos programas de T.V. Nossa cidade já tão maltratada fica mais poluída ainda com banners, folhetos, faixas, e palavras que estes candidatos espalham por aí. Agora nos indagamos, quem realmente se preocupa com a cidade? Quem realmente quer mudar alguma coisa?

Para solucionar tais perguntas insistimos em assistir o horário político e os debates. Fulos da vida já ligamos a T.V, pois tudo o que você costuma assistir naquele horário vai começar mais tarde retardando seu sono, conseqüentemente, menos descanso. Mas tudo bem, vamos a luta. O problema é que os candidatos estão reaproveitando os programas, para conter gastos os candidatos estão usando programas antigos, pois como eles falam todos a mesma coisa seria um desperdício a produção de novos. Com esse dinheiro eles podem sujar a cidade um pouco mais.

Tudo bem ainda existe o debate, não custa tentar. Bem, aqui a coisa parece ser um pouco melhor, todos tem o mesmo tempo para falar, temos um mediador são para controlá-los, acho que agora vai. Começam as perguntas e você se pergunta se está assistindo um debate ou o Programa do Ratinho, trocas de acusações, palavras “indelicadas” e palavras realmente indelicadas. A conclusão de um debate geralmente é a mais simples possível, o pouco da retórica de cada candidato mostrada prova que a sexóloga continua sendo uma sexóloga, o delegado continua sendo um delegado e o eterno candidato sempre vai ser um candidato.

O truque é achar o tipo que mais se ajusta com você e com a prefeitura da sua cidade, assim quem sabe você acerte ou ao menos faça eles gastarem com um programa diferente na próxima eleição.

O Futuro

A televisão já foi considerada um dos maiores eventos do homem. Vislumbravam-se as possibilidades de alcançar as pessoas que você nunca conseguiria se tivesse que fazê-lo fisicamente. Possibilidades de ensino a distância, transmitir a cultura entre os habitantes de sua nação e por que não do mundo.
Pois bem, hoje temos todas essas possibilidades……….e o que fazemos com elas ?

Subutilizamos a capacidade do veículo, ou até, inutilizamos esta capacidade. Experimente ligar o seu aparelho televisor. Eu liguei e posso dizer que minha experiência não foi uma das melhores que já tive.
Era sábado a noite, dia 2 de setembro (eu acho). Chovia muito e, então, liguei a TV. Na telinha, a primeira coisa que surgiu foi a transmissão da campanha Tele Ton, transmitida pelas redes associadas (SBT, Cultura, Gazeta e Bandeirantes). Parecia um bom começo, afinal era uma campanha beneficente – nada mais louvável. Porém, não resistindo à vontade intrínseca de “zapear” os canais, troquei para a rede Globo e deparei-me com o festival da música brasileira. Lá estava Gabriel, “pensador”, cantando suas rimas geniais como : “a aha arrebita a carrapeta…” , ou então, “maresia, sente a maresia…….uuuuuuuúú….”. Indignado voltei para o canal inicial e vislumbrei uma comédia televisiva pois o padre Marcelo estava cantando e dançando suas músicas de louvor a Deus (nada pessoal). Não totalmente satisfeito, “zapeei”, novamente, para a Gazeta, onde tive a verdadeira compreensão da democracia: Sérgio “malandro” e suas malandrinhas apresentavam o concurso das “Popozudas”.

Tudo isso no mesmo horário, simultaneamente. O festival da música brasileira é uma piada, ninguém está lá para participar de um festival, e sim, para tentar galgar degraus mais altos na carreira. Não existe Festival da Música brasileira, existe um concurso de música, algo mais próximo de um concurso do Faustão do que de uma reedição de algo que já teve seu tempo.

A campanha do Tele Ton tem todo respaldo e mérito, claro – foi apenas uma coincidência de horários. Padre Marcelo é quase um pop star, bom seria se fizesse um exame de consciência, meditasse um pouco sobre o que faz e o que quer fazer com essa popularidade.

O programa da Gazeta não merece comentários. Após esta sessão de aprendizado sobre a liberdade de expressão, eu pergunto: Qual o uso que estamos fazendo da tecnologia que criamos? Tudo que se sonhou para a televisão não existe.