Arquivo de setembro, 2001

Parabéns Para Você

“Nós temos mania de comemorar nosso aniversário todo ano, como se isso fosse bom. A cada ano vivemos um pouco e, inexoravelmente, morremos um pouco. Qualquer objeção a esse fato é meramente romântica. Comemoramos mais um ano de alegrias, tristezas, conquistas e frustrações: deixamos nossa marca.

Porém, o que mais me desperta interesse é o ritual do aniversário. Acho que podemos classificar as festas de aniversário em trê tipos:

Festa para a família. Você ainda não tem quinze anos. Você tenta, tenta, tenta fazer alguma coisa mas não adianta, sua mãe já está cuidando de tudo:

– Mãe ,quero convidar a Marianinha, o menina mais bonita da sala para a minha festa.
– Não filho, seus avós vêm de Ituverava, seus tios de Uberlândia e os primos do papai vem de BH. Não tem mais espaço.
– Mãee!! Quero bolo de chocolate e brigadeiro!
– Bolo de chocolate, filho? Que pobreza! mamãe mandou fazer um “”applefalstrudel”” com docinhos franceses!
– Appleslt o quê? Mãe!!
– Chega moleque! Vai para o quarto estudar e vê se não me pentelha mais, seu ingrato. Todo esse trabalho e você ainda fica reclamando, oras!

Festa para os amigos. Você já fez quinze anos mais não tem um tostão no bolso.

– Mãe, vamos fazer a festa na pizzaria.
– Certo filho.
– Não, o Serjão ia dar o maior prejuízo.
– Já sei, na churrascaria!
– Não, o Marcelo não come carne, nem frango, nem peixe, e nem niguém, aquele nerd.
– Filho, olha o linguajar.
– Desculpa mãe.

Festa para você mesmo, seu egoísta! Nesse você, pode ainda morar com mamãe mas, pelo menos já ganha um troco.

– Olha Zé, vai ser no Bar tal na hora tal com tais pessoas. Manda o e-mail e aí quem for foi quem não foi não foi. Nem tô ligando, desde que tenha uma garrafa de uísque e uma caixa de charuto. Da um jeito do babaca do Pedro ficar sabendo que eu vou convidar a mina que ele tá a fim e não ele. Abraço.

Tudo isso é muito normal e todos nós já passamos por uma situação assim. Agora o que eu não entendo é porque, depois do parabéns para você, quando todo mundo está com fome e cansado de bater palma, alguém sempre grita: “” E pro fulano nada..”” Depois, uma tia velha grita “” E como é que é…”” e aí emenda com “” Com quem será…. É de passar fome!”

Malditos Pokémons

Ou: Como aprendi a desencanar e amar a web.

Pokémons. Pokémons. Pokémons.. AAAAARRRGGGHHHHH!!!! Malditos Pokémons. Eles estão em todos os lugares. Nas suas variantes Fogo, Água, Elétrico, Grama, Gelo, Guerreiro, Veneno, Voador, Paranormal, Fantasma, Dragão, eles estão por toda a parte. Nas formas de Arbok, Fearow, Beedril, Carterpie, Ivysaur, Bulbasaur, Kakuna, Metapod, Charizard, Blastoise, Charmeleon, Ekans, Venusaur, Pidgeot (e Pidgeotto e Pidgey !), Raticate, Rattata, Squirtle, Buterfree, Charmander, Raichu, Spearow e do fiel, indefectível e onipresente Pikachu, eles estão em cada esquina. Evoluindo com a Pedra Lunar ou a Pedra Trovão, a mando de seus treinadores, não há lugar em que eles não estejam. Espertos com suas malditas Poké-balls, eles estão em cada cantinho. Em suas aventuras com Ash, Brock e Misty contra o Team Rocket de Jesse, James e do trapaceiro Pokémon Meowth, será que existe algum bendito lugar em que eles não estejam?

É um saco, mas não tem jeito: eles estão mesmo por toda a parte. Modinha miserável de qualidade duvidosa, esse seriado japonês um dia vai acabar e daí só ouviremos falar de Tentacruel, Geodude, Graveler, Golem, Ponyta, Rapidash, Slowpoke, Slowbro, Magnemite, Magneton, Farfetch’d, Doduo, Dodrio, Shellder, Cloyster, Gastly, Haunter, Gengar, Onix, Drowzee, Hypno ou Voltorb em alguma onda retrô besta, ainda mais efêmera. Ainda bem.

Mas imagine por um instante se essa onda não acabasse, muito pelo contrário: se o que estivéssemos vendo fosse só o começo de uma nova “era” Pokémon. Imagine jornais e revistas sérias dedicando parte de seu precioso espaço a explicar as diferenças de um Sandshrew para um Sandslash. Imagine palestras e programas de TV para explicar que Abra, Kadabra e Alakazam não são mais só palavras mágicas faladas pelo Mandrake.

Imitando a maravilhosa peça “O Rinoceronte” do Ionesco, imagine que seus colegas começassem a se interessar por Chansey, Horsea, Goldeen, Seaking, Staryu a ponto de só falarem disso e passarem a renegar tudo o que fizeram anteriormente. Que a Design Gráfico criasse uma seção para o design de Pokémons. Que o espaço do desenho na TV aumentasse e que muito mais sites fossem criados para falar do tema? Na NASDAQ, empresas de Pokémons fariam uma reviravolta com seus IPOs e aumentariam a carga dos cyberdólares em criaturinhas mutantes. Enquanto isso, um Pokémon latino, de sombrero e radicado em Buenos Aires, iria tentar unificar pela 450ª vez aquele continente cucaracha abaixo do equador. A onda do Pokémon grátis criaria filas quilométricas nos postos de troca.

No seu escritório, você seria procurado por um moleque imberbe, de cabelos prateados e embrulhado em celofane que falaria maravilhas da onda dos monstrinhos, enquanto você ficaria sabendo de empresas ganhando uma fortuna com isso. Uma fortuna? Sim, algo em torno de uns R$ 1000 com Hitmonlees e Hitmonchans. Você o mandaria passear e ele sairia na capa da Exame, cuidando de um investimento de risco de milhões. De Euros.

Pessoas começariam a olhar para você de um jeito estranho, só porque você achou que Weedle e Wartortle eram pratos da cozinha húngara, que Seel, Dewgong, Grimer e Muk eram danças búlgaras e que Lickitung, Koffing, Krabby e Kingler práticas de caça esquimó. No seu emprego, profissionais bem estabelecidos e com carreiras garantidas deixariam seus empregos para trabalhar em Clefable, Parasect, Golbat, Rhyhorn, Rhydon, Poliwag, Seadra, Scyther, que, apesar do nome, não eram aqueles laboratórios onde se escondem cientistas malucos que querem poluir o mundo com um gás verde, e de cujo Mr. Mime não era o CEO.

Assustado, você acaba entrando em um curso para aprender que Dragonite não é doença, nem que Nidoran, Nidorina, Arcanine, Vaporeon, Venonat, Jolteon, Omanyte, Snorlax, Vulpix, Flareon e Porygon são nomes de remédio genérico. Nenhum desses nomes faz sentido para sua cabeça perturbada e você começa a se achar burro, se perguntando se alguém na família é Magmar ou tem síndrome de Starmie. E o único nome que fica na cabeça é o tal Pikachu, mesmo assim você não consegue soletrá-lo corretamente.

Desesperado, você começa a mentir pra fingir que entende tudo de Pokémons, mas se trai ao descobrir que Nidorino, Omastar, Missigno não são aqueles nomes esquisitos que tem no sertão, nem Kabuto, Primape, Machoke, Dratini, Kabutops, Paras, Tauros, Lapras, Pinsir, Tangela, Kangaskhan, Marowak são cidades de países perdidos na selva africana.

Os monstrinhos viram realidade e conquistam as corporações mais tradicionais e você começa a colecionar cartões de visita com nomes que mais parecem estúdios de design inglês: Bellsprout, Electrode, Diglet, Cubone, Exeggcute, Oddish, Tentacool. Quando você finalmente descobre que Dragonair não é uma linha aérea asiática, chegou a hora de desistir.

Daí você contrata um carinha desses esquisitos para lidar com coisas de nomes que mais parecem produtos do 0800-14-06: Vileplume, Poliwhirl, Jigglypuff, Dugtrio, Electabuzz, Poliwrath. E dá vontade de fazer a piadinha: “não responda ainda – você ainda pode ganhar um Weepinbell, um Victreebell, um Exeggcutor, um Nidoqueen”, mas você não tem mais humor para essas coisas. E corre o risco de parecer o tio da Sukita, por isso deixa pra lá.

Palavras horrorosas surgem a cada instante: Nidoking, Clefairy, Wigglytuff, Zubat, Gloom, Ninetails, Venomoth, Persian, Psyduck, Golduck, Manky, Growlithe, Machop, Machamp, Weezing, Jinx, Magikarp, Gyarados, Ditto, Eevee, Aerodactyl, Articuno, Zapdos, Moltres, Mewtwo, Mew, Meyu. Desesperado e empapado em suor, você grita.

Daí você acorda. Ufa.

E percebe que foi tudo um horrível pesadelo. Ao tomar um belo banho gelado, sorri por nada disso ser verdade. E veste sua roupa clubber, coloca o piercing e vai de patinete trabalhar como webdesigner em uma pontocom, esperando que o cliente largue a mão de ser burro e entenda de uma vez por todas que não dá pra fazer frameset em Flash.

I knew it

Work, work, work. I’m fuckin tired of that. My boss is the most terrible pain the ass that ever existed. Ok, I love this city but she could sleep sometimes. Just freeze nobody moves. I could rest what I deserve.

I work at The X Bank, X because it doesn’t matter which one it is, they are all the same, insane. Like men.
Ok. I have my 2001, SUV, my Pottery Barn furniture and my Armani suits but all of that couldn’t buy my freedom. Not for a long time. Somewhere, over the Brooklyn Bridge I left my freedom, and now I have to find it.

I’m fuckin tired of that. You want time, buy the magazine, you want Liberty ask to the statue or buy a convertible. I still remember when my grandma said that all that she could say to me was ” Enjoy your life”, I thought that was bullshit and now all that I wanted was ask her HOW?

Fuck You, is all I hear during the whole day, you for me is your problem, that’s the American way of think. Some day you all will regret that. Someday things will change, and then you will make another “We are the world” to save yourselves. That’s my way of think. I’ll laugh, being fucked with you I will laugh, because I know that none of you have seized your life, none of you enjoyed the growth of your kids, none of you bought a fuckin yacht and sailed all around the world. Just like me, just like that.

I’m fuckin tired of that. Brand new, incredible, amazing, as seen on TV, fuckin big screen TV. Fast food, junk food, not food. I puke just of thinking in that old same damn Italian tomato sauce. What’s Italian in that anyway? Whatever.
We are screwed and this fuckin studios keep doing the same old shit, this utopists flicks with utopists chicks with their utopists heroes. I just want to know where the hell is the soundtrack of my life, my happy ending and my passionate kiss. Couldn’t we be a little bit more realistic and have characters that have stink, ugly hair, sweat, blood and (real) tears.

I’ll just wait. I know the day will come. I won’t change anything and some crazy bastard will change for me. I won’t be able to think anymore, I will be under the fuckin ground and maybe someone get real. Yeah, I’ll wait; if I’m lucky some screwed up terrorist blow this fuckin building. Yeah, I’ll wait.

Tempos Modernos

Prólogo:

Em uma sala de terceira série a professora Carminha passa a lição…

-Então turminha, hoje é o último dia de aula e quando voltarem de férias eu quero que vocês tragam uma redação pronta com o título “Minhas Férias”, ok? Principalmente você, Bruninho. Eu não quero ouvir mais desculpas esfarrapadas como daquela vez que você disse que os pequenos duendes roubaram sua redação.

* * * * * *

De volta das férias…

– Muito boa sua redação Carlinha! Rafinha, tem que aumentar seu vocabulário! Alex, não entendi nada da sua letra, tem que melhorar a caligrafia. E Bruninho, qual é a desculpa dessa vez por não ter entregado a sua redação?

– Ah, fessora, você não recebeu meu E-mail? Eu disse que montei uma página na internet com atualizações em on-line sobre as minhas férias.

– O que??

– Isso mesmo. Programei em HTML, usei um pouco de JAVASCRIPT, ASP e até Flash. Deu um trabalhinho pra fazer o Frameset, mas consegui juntar tudo graças ao Dreamweaver. Se quiser ver, pus tudo em Divx, é só dar o download do plug-in do Real-player. Ou então deixei também as imagens em JPEG, com cores indexadas em RGB, nada que o Adobe Photoshop não abra. Assim, não deu tempo de passar pro Acrobat Reader, mas usando o time-line do 3D Studio Max, dá para converter em ZIP. Em caso de dúvida dá pra pegar um HELP ou um FAQ no FTP do HOST.

Pela primeira vez, na sua carreira de 63 anos, a professora Carminha, que é do tempo em que JAVA era apenas uma ilha na Polinésia e ainda se fabricavam máquinas de escrever com a tecla “PH” no lugar do “F”, fica sem saber o que responder à um aluno de terceira série. Coisas dos tempos modernos.

* * * * * *

Epílogo:

Teimosa, a professora Carminha resolve fazer um curso de informática e entrar na página que Bruninho montou…

“As minha ferias

A jente tamo proveitando paca! Paseamos ate de elicopitero! Nadamo na pisina trepamo nas arvre…”

Carminha acaba dando nota 10 para a programação e o layout do site, mas nota zero em redação. Afinal, não há HTML, Java ou Flash que substitua uma boa Sintaxe, Fonética ou Ortografia.

A Cela

Lá fora o vento soprava. Ele não sentia, mas sabia que soprava. Pelos menos lembrava que lá fora, o vento soprava; como uma recordação antiga. Ele lembrava. Podia ouvir o som das buzinas dos carros, dos burgueses do bairro, da molecada que corria ao seu lado, do zunido da cidade grande, do cara do biju batendo aquela matraca, do sorveteiro chegando, da Kombi do cara que morava na frente da sua casa. Podia.

O cheiro que sua casa tinha, talvez não fosse mais o mesmo. A flores que exalavam aquele perfume enebriante estavam mortas. Ele não tinha mais tempo. Agora era ele, e ele mesmo, mais ninguém. Estava só; naquele ambiente úmido, mofado e cinza. Há quanto tempo ninguém o vinha visitar? A solidão do enclausuramento o angustiava, era como uma penitência celibatária, contudo a culpa era sua mesmo! Como negar? Condenado por sua própria consciência, ele vagava nos pequenos metros que lhe restavam. De lá pra cá. Daqui pra lá. Da parede pra grade. De uma parede pra outra.

O sol? Quase não via o Sol. Nas poucas vezes que o via, ele estava lá: atrás das grades.

Seu companheiro e fiel escudeiro sempre lhe dizia as coisas certas a fazer. Os dois passavam tanto tempo juntos que eram mais íntimos que muitos casais por aí. Sempre que um precisava, o outro estava ali para ajudar, também pudera, com tão pouco espaço para se movimentar, eles quase podiam provar a lei da ßunião dos corpos. A união era tanta que um dia seu companheiro apagou, sem mais nem menos. Gritar por socorro nada adiantava naquele lugar frio e sombrio. Foi então que teve a atitude de tentar recuperá-lo com suas próprias capacidades. No outro dia de manhã estava a mil, pronto pra outra.

Os dias passavam e a agonia só aumentava. Trancado ali, ele só tinha a si mesmo e seu companheiro, acessor, colega e orientador. Não vou dizer que não tinham suas discussões. Mas isso é coisa normal, nas condições em que se encontravam.

As trancas, as grades. Era ele de lá pra cá e o outro parado, estático. Seu passado, ninguém sabia. Talvez nem ele mesmo. Esquecera porquê estava lá. Porque?

Trancafiado, enjaulado. Não, ele não lembrava de muitas coisas. Apesar de tudo ele tinha direito a um telefonema, um contato com o mundo exterior. É, era isso que ele precisava para se sentir vivo outra vez. Pronto.

Os minutos passavam mais rápidos quando a noite se aproximava. O medo da escuridão total movia os ponteiros dos relógios do mundo. Em seu cubículo, ele agachava comprimindo suas pernas fitando tudo que acontecia com seu companheiro e ouvindo atentamente o que tinha a dizer. O fim de tarde já estava terminado e seu suor esfriava junto com a serração que caía. Ele lembrava o que era serração, mas não a sentia há muito tempo. Lembrava o que era um fim de tarde, mas não via algo assim há muito tempo. Lembrava como era ser humano, lembrava como era falar com as pessoas, lembrava o que lembrava. Simplesmente, lembrava.

As grades, as trancas. Um barulho! O que poderia ser? Não era horário de visitas e ele nunca tivera visitas. Silêncio.

– 5367.

Ele ouvira direito, era isso mesmo, 5367. Era ele, não tinha outro, 5367! Ele estava aflito. Respirou. Expirou. Três vezes. Apanhou uns objetos e foi. As trancas, as grades. Um capuz preto. Frestas na altura dos olhos. Ele, dentro. O capuz, fora. No meio grades.

– E aí? Como vai ser?
– Passa pra cá pra eu ver. É tá certo. Toma.
– É tá certo.

Virou-se. Dois passos. As grades, as tran ……

– Opa! Esqueci de dizer: na compra de uma meia-mussarela meia-calabreza você ganha um refrigerante!

Desafio

Esbarrão. Encontrão. Topada. Tapa na cara. Tapa na bunda. Tapa nas costas. Tapa na perna. Tapa na orelha. Tapa na boca. Tapa na mão. Tapa na nuca. Tapa na testa. Tapar a boca. Soco na cara. Soco na boca. Soco na boca do estômago. Soco no peito. Soco na orelha. Soco no baço. Soco no fígado. Soco no saco. Soco no braço do amigo. Soco nas costas. Chave de braço. Torção. Mata-leão. Arm-lock. Rasteira. Rabo de arraia. Chute no saco. Chute na bunda. Chute no estômago. Chute na cara. Chute na orelha. Chute no estômago. Chute nas costelas. Chute na canela. Chute na coxa. Chute na batata da perna. Pisão no pé. Pisão na unha encravada. Puxão de cabelo. Cotovelada. Mordida na orelha. Mordida no braço. Mordida na mão. Mordida na perna. Mordida na bunda. Mordida na testa. Peteleco na orelha. Pescotapa. Sardinha. Mão-na-mula. Peba. Puxão de orelha. Coque. Dedo no olho. Dois dedos nos olhos. Defesa para dois dedos nos olhos. Dedo no ouvido. Dedo na cara. Dedo na boca. Dedo no nariz. Dedo na ferida. Dedo de ET com dedo de menino. Dedão com dedão pra ficar de mal. Dedinho com dedinho pra ficar de bem. Give me five. Cumprimento. Cumprimento russo. Cumprimento com beijo. Cumprimento com três beijos. Cumprimento com dois beijos. Cumprimento do exército. Cumprimento do top gun, ases indomáveis. Cumprimento de traficante. Cumprimento com mão frouxa. Cumprimento de macho. Cumprimento de bicha. Tapinha nas costas. Cutucão no ombro direito. Cutucão no ombro esquerdo. Cutucão nas costas. Beliscada na perna. Beliscada na bunda. Beliscada na bochecha, eu disse bochecha. Beliscada na barriga. Beliscada nas costas. Beliscada nas costas. Cosquinha na barriga. Cosquinha na nuca. Cosquinha embaixo do braço. Cosquinha na barriga. Cosquinha no pé. Cosquinha nas costas. Cosquinha no queixo. Coçar o queixo. Coçar o nariz. Coçar as costas. Coçar a orelha. Coçar o saco. Coçar a bunda. Coçar a testa. Coçar a cabeça. Coçar a nuca. Coçar o pescoço. Coçar a mão. Coçar o braço. Coçar a perna. Coçar a barriga. Coçar o sovaco. Limpar a remela do olho. Tirar um cílio perdido do rosto. Abraço. Abraço de frente. Abraço apertado. Abraço rápido. Abraço de urso. Abraço com giradinha. Abraço que estrala as costas. Abraço que levanta. Abraço de lado. Abraço por traz. Carinho. Carinho no rosto. Carinho na nuca. Carinho no pescoço. Carinho na barriga. Carinho nas costas. Carinho na boca. Carinho na mão. Carinho no antebraço. Carinho no braço. Carinho na orelha. Carinho na cabeça. Carinho no nariz. Roubar o nariz e fingir que jogou fora. Massagem nas costas. Massagem tailandesa. Massagem erótica. Massagem no ombro. Massagem na nuca. Massagem no pescoço. Massagem na cabeça. Massagem com óleos aromáticos. Massagem nos pés. Passar a mão na cabeça. Passar a mão na bunda. Pegar o saco. Ajeitar o saco na calça jeans. Ajeitar os cabelos. Ajeitar a franja. Retirar um cabelo perdido na roupa. Alisar os cabelos. Alisar os pés. Alisar as coxas. Alisar a parte externa da coxa. Alisar a parte interna das coxas. Alisar as costas. Alisar os braços. Alisar a bunda. Apertar a bunda. Alisar as mãos. Alisar os dedos da mão. Alisar os dedos do pé. Alisar os ombros. Alisar o colo. Alisar o peito. Alisar o seio. Apertar o seio. Brincar com os mamilos. Passar os dedos de leve pela nuca. Mãos dadas. Puxar pelo braço. Pegar a mão. Apertar a mão. Beijo na mão. Beijo no rosto. Beijo na boca. Beijo de língua. Beijo demorado. Beijo roto-rooter. Beijo rápido. Selinho. Mordida no lábio superior. Mordida no lábio inferior. Passar a língua no céu da boca. Beijo de índio. Beijo na nuca. Beijo no pescoço. Chupão no pescoço. Mordida no pescoço. Sugar o sangue. Beijo na orelha. Enfiar a língua na orelha. Morder de leve a orelha. Beijo barulhento na orelha. Beijo no ombro. Beijo no peito. Beijo no mamilo direito. Mordiscadelas no mamilo direito. Beijo no mamilo esquerdo. Mordiscadelas no mamilo esquerdo. Beijo na barriga. Beijo na virilha. Beijo nas costas. Beijo nas nádegas. Mordida nas nádegas. Beijo na parte traseira das coxas. Beijo na batata da perna. Beijo no pé. Chupada no dedão do pé. Beijo na canela. Beijo na coxa. Beijo na parte interna da coxa. Beijo na vagina. Beijo no pinto. Lambida na vagina. Lambida no saco. Chupada no saco. Lambida no pinto. Boquete. Chupada na buceta. Mordiscadelas no saco. Mordiscadelas nos grandes lábios. Lambida no clitóris. Cunilíngue. Punheta. Arranhão nas costas. Arranhão na nuca. Arranhão no pescoço. Arranhão no peito. Puxar os cabelos. Agarrar pelas ancas. Cavalgar. Esfolar. Descabelar o palhaço. Molhar o biscoito. Afogar o ganso. Queimar a rosca. Spank the monkey. Por aranha pra brigar. Colar velcro. Amassar bombril. Encoxada. Estocada. Enrabada. Fio-terra. Siririca. Cafungada no cangote. Espanhola. 69. Só-um-tapinha-não-dói na bunda. Só-um-tapinha-não-dói na cara. Bunda com bunda. Boca com boca. Boca com buceta. Boca com pinto. Pinto com buceta. Buceta com buceta. Teta com teta. Teta direita com teta esquerda. Teta esquerda com teta direita. Teta com pinto. Pinto na bunda. Língua na bunda. Dedo no cu. Dedo na buceta. Cabeçada no céu da boca. Bolada no queixo. Ensaboar as costas. Esfregar as costas. Lavar o pinto. Lavar a precheca. Enxugar as costas. Beijo de boa-noite. Beijo de bom-dia. Beijo de despedida. Mão na massa. Mão na roda. Pé na bunda. Pé na orelha. Chapéu de senhora. Carbúnculo. Toque de recolher. Toque de retirada. Toque de caixa. Toque de berimbau. Toque de silêncio. Toque maçônico. Toque retal. Toque vaginal. Toque de bola. Toque de classe. Toque de mestre. Toque de calcanhar. Toque-toque. Toque-toque grande. Toque-toque pequeno. Pronto. Uma crônica com 300 toques.

Pelo Caminho

– Passou.
– Hã?
– Você perdeu a entrada. Era para ter virado ali.
– Ah, não, fica tranquilo. Tou fazendo outro caminho.
– Ah!
– O que?
– Pensei que a gente ia fazer aquele.
– Não, eu queria ir por esse aqui mesmo
– Certeza? Achei que a gente tinha combinado de ir pelo outro.
– Não combinamos, não.
– Combinamos, sim. Se não tivéssemos combinado, eu é que estaria dirigindo.
– Ai, que inferno. Qual a diferença?
– O outro caminho era mais curto
– E daí?
– Daí que a gente ia chegar mais rápido
– Lá tem mais trânsito, e aqui tá livre. Ia dar na mesma.
– Sei.
– Sabe qual o seu problema? È que você quer tudo do seu jeito.
– Do meu jeito?
– É. Tanto faz se demora mais ou menos. O que importa é fazer o que você quer.
– Engraçado… Não lembro da última vez que consegui fazer o que eu queria…
– Ô, dó. Coitado de você.
– Para você ver. Olha agora, por exemplo. Se fosse tudo como eu quero, eu não ia estar aqui, sofrendo no banco de passageiros….
– O que é agora? Tá apelando? Falando que eu dirijo mal?
– Não falei nada. Mas só deixei você dirigir porque prometeu que ia pelo caminho mais curto.
– Como assim, “me deixou” dirigir? Eu dirijo quando eu quero!! E dirijo bem, se você quer saber!!
– Tá, fala isso para a seguradora
– Típico. Um imbecil não pára no sinal vermelho e a culpa é minha. Mas tudo bem. Não dava para esperar outra coisa mesmo. Nada do que eu faço nunca tá bom para você. Só sirvo para você se sentir o maioral, o gostosão.
– Tá, falou. Como se desse para alguém se sentir assim vivendo com você. Só fica aporrinhando, não dá sossego… E não aguenta crítica nenhuma.
– Quer saber? Não vou discutir. Vou ficar quieta.
– Finalmente falou alguma coisa que presta. Só mais um coisa: a gente tinha combinado de vir pelo outro caminho, sim.
– Vai se f*&*, seu v*a%*!
Quando chegaram na festa eles já tinham concordado com o caminho que deviam tomar na volta. Cada um o seu.

Casa Grande Também Cai

Em meados da década de oitenta, fui ao cinema, no Shopping Eldorado, com um amigo meu do prédio e sua avó, que aliás é muito minha amiga.

Fomos assistir “”Um Dia a Casa Cai””, lembram? Com Tom Hanks. Um filme legal, comédia legal para uma tarde. Porém, ficou durante anos na minha cabeça e penso “”Imaginam uma casa cair, deve ser trágico””…

Os anos passaram, as experiências vieram e descobri que não é tão simples fazer uma casa cair, certo? Mais ou menos. Do jeito que as coisas vão, é muito fácil!

O que estamos vivendo, contaremos aos nossos netos, e se Deus quiser, aos nossos filhos, já que espero que todo esse processo seja breve, que meus filhos não nasçam no meio da confusão e da destruição, mesmo que distante, existente.

O que estou tentando dizer é que a casa não caiu, ainda. A casa é muito grande, e está caindo aos poucos. Não sei se só falta a porta, ou ainda está na primeira telha.

O que estamos vendo, há mais de um mês, em todas as manchetes de jornais, se chama guerra. Isso é coisa séria. Eu, particularmente, não imaginava o que seria uma guerra de âmbito mundial. Talvez não seja denominada ainda como a 3º Guerra Mundial, mas sabemos que não são só dois países ou povos em guerra.

São poderes políticos e econômicos em jogo. A união de morte e prováveis crises econômicas, junto ao desemprego pode tornar o atual cenário em uma catástrofe, onde o mundo para par ver mortes e destruição, enquanto deixam a perder tudo o que tem.

Em meio a bombardeios, intensos, o que será que ocorre do outro lado? Vocês acham que um povo, seita, ou seja la o que, tem algo a perder? Se eles jogaram aviões contra a democracia, eles não tem medo de nada, certo? Certíssimo. Me digam, o que eles tem a perder? Uma população que vive em meio de minas de guerra, dividida pela repressão e pela fome não tem nada a perder. Tudo bem que a grande maioria não tem nada a ver com isso, mas se um grupo domina um país que não tem condições humanas de vida, pra que a humanidade?

Através de poeiras, fica claro. É simples, eles estão mostrando que não tem nada a perder, aliás querem ver os outros perderem. Ninguém sabe se eles estão no Afeganistão só para esse sofrido país servir de campo de batalha ou se eles querem mesmo que o mundo exploda.

Não tenho nada contra o povo islâmico, muçulmano e o que for, nada contra religiões, nada contra raças, nada contra etnias, mas tudo a favor da vida, da paz, do amor, da saúde e da alegria.

Ao mesmo tempo que não consigo me desgrudar dos noticiários, fico triste e exausto de ver tragédias.

Acho que está claro, o que o Taleban mais quer é a retaliação. O que pode aparentar estúpido torna-se real. O contra-ataque já era esperado, disso a gravação adiantada de um vídeo pelo Mr. Osama.

Bom, já não sei mais quem tem razão e quem é vilão. O que pode ter sido uma tentativa desesperada de mostrar ao mundo o sofrimento de um povo pode ter virado motivo de ira e guerra. É complicado falar, não sei o que se passa do outro lado do mundo e a visão que eles tem de vida.

A casa não deve cair tão rápido, só espero, sinceramente, que todos saiam a tempo da casa e, que no terreno onde estava a casa, seja construído um lindo jardim, para todos os povos, todas as raças e todas as crenças, sem mais diferenças e opressões. Tem muito gente inocente nisso tudo e seria, pelo menos um pouco, interessante ouvir quem são eles e o que querem, afinal de contas, tudo deve ter um motivo de ser, alguma coisa acontece lá e tudo pode ser um pedido desesperado de socorro e de atenção.

Fiquem atentos, não temos culpas mas corremos riscos de conseqüências. Dependemos de nós mesmo, podem ter certeza, para a paz existir. Já não sei mais o que falar, só sei o que quero e se chama paz.

O Dono da Bola

George era o dono da bola. Não que ele sempre o tivesse sido, seu irmão Clóvis é que lhe havia dado. Irmão caçula de 3 (Ronald, Clóvis e George), nunca aprendera a jogar futebol, mas era o dono da bola. Agora. Seus vizinhos eram bons de bola, tinha até um tal de Basílio que era o craque do bairro. Porém sempre dependiam da bola do George.

Ele era o mais riquinho da rua ……. e tinha tudo nas mãos. A bola. Era difícil convencer o George a jogar quando ele não queria; praticamente impossível. Nínguém nunca conseguiu. A molecada vivia brigando, porque queria jogar. Uns queriam chamar o George porque ele era o dono da bola, outros queriam jogar, mas sem o George ……….. aí, como não tinham bola, acabavam chamando o caçula da casa da esquina, o “irmãozinho” do Ronald.

Assim, era George que dizia se havia jogo ou não. Sol, chuva, vento; se George queria jogar: todos tinham que jogar. Afinal, nunca se sabia quando ele poderia querer jogar de novo.

É …………….. mas houve um dia! Eu me lembro bem, era 09/11 de 1767! Não se sabe quem entrou na casa de George – uma casa branca, muito bem acabada. Pegou a bola lá de dentro e furou. Destruiu a ” bola do George” e por incrível que possa parecer, foi o maior acontecimento do bairro. Incrível porque ninguém estava triste, todos os garotos, vizinhos e não vizinhos comemoravam.

George não acreditava. Como alguém se atrevia a entrar em sua casa e furar a sua bola? Quis chorar, contou pra todo mundo tentando mostrar que ninguém mais iria jogar bola porque ela estava furada. Nada. A felicidade era maior. Ninguém, mais, queria depender daquele moleque que não sabia nada de futebol e vivia querendo mandar no jogo. Foi uma grande alforria. Ninguém mais jogaria bola, e daí?

Por mais que dissessem o tamanho do atrevimento e falta de educação daquele que invadiu a casa branca da esquina, nada iria mudar o fato de que George não era mais o dono da bola. E isso mudava tudo.

Não demorou muito e alguém fez uma bola de meia juntando um par de cada moleque da rua. Sim, agora era uma bola de meia! Mas tinha meia do Tiquinho, do Basílio, do Japa, do Marquinho. Muita gente até parou de jogar futebol, começaram a brincar de coisas novas, novos jogos, novas brincadeiras e ninguém nunca mais brigou por causa de um jogo ou de uma brincadeira.

AH! O dono da bola, sim, teve que aprender a jogar futebol e todas as outras brincadeiras, como todo mundo.

Ali Babá e os Quatro Aviões

A senzala das Américas está apreensiva. Não temos culpa nenhuma nisso e nem nos atreveríamos a ter, pois não há qualquer motivo para nos revoltarmos contra nossos generosos senhores. Porém, nossos lombos carregam na memória inúmeros castigos por faltas nunca cometidas, desencadeados simplesmente pelas variações de humor da Casa Grande.

Foi por isso que recebi com terror as palavras da senadora Hillary Clinton, no dia 12 de setembro de 2001, “day after” de um acontecimento de grandes proporções: “a partir de agora quem não estiver a favor dos Estados Unidos estará contra os Estados Unidos”.

Para nossos ouvidos, já temerosos dos ressentimentos da chibata financeira que serão descarregados em nossas costas, tal afirmação é assustadora. Será o nosso fim, se desconfiarem que estamos do lado dos infiéis. Para evitar essa calamidade, faz-se premente uma vigilância severa contra os inimigos da América, coibindo toda tentativa de profanação de nosso querido “american way of life”.

Primeira medida: Todos os Habib´s e Mister Sheiks devem ser fechados à força. Afinal, não temos como saber a tempo se eles utilizam ingredientes transgênicos capazes de reprogramar nosso DNA, transformando-nos em massa de manobra para seus planos diabólicos. Aliás, a pronúncia cotidiana de palavras no idioma bárbaro, como “esfiha”, “kibe”, “kafta” e “tabule” pode acelerar esse processo. Até mesmo “milk shake” tem um conteúdo fonético subliminar perigoso e deve ter seu nome mudado para “milk president”, reiterando assim nossos valores democráticos.

Segunda medida: A dança do ventre fica terminantemente proibida. Esse tipo de dança pode ser considerado uma técnica hipnótica poderosa, capaz de persuadir nosso inconsciente a aceitar e até mesmo desejar, com todo o ardor do nosso baixo ventre, os valores daquela civilização degenerada. Prova cabal de sua eficiência ideológica, é a proeza de nos convencer que uma barriguinha protuberante e trêmula pode ser algo sensual, levando-nos a pecar mortalmente contra a sacrossanta estética do fitness.

Terceira medida: Eliminar toda e qualquer expressão que divulga, mesmo que implicitamente, através de trocadilhos infames, o nome do deus adorado pelos infiéis. Expressões como “menu à la carte”, “alla putanesca” e “à labuta” passam a ser consideradas subversivas.

Quarta medida: Decretar a prisão preventiva do cidadão Djavan, sem direito a fiança ou habeas corpus, por ter revelado seus propósitos sinistros, em 1978, ao gravar a canção-cartão-de-visitas “Alagoas”, cujo refrão diz em alto e bom tom: “Alá, Alá, Alá, Alá, Alagoas”. Definitivamente, não pode ser considerado inocente o autor de uma canção em que o nome proibido é repetido 49 vezes.

A quinta medida, obviamente, é mudar o nome do estado de origem do cantor para DEUSgoas, evitando que milhares de brasileiros incorram na heresia de se considerarem ALAgoanos.

A sexta medida consiste em banir de conservatórios, gravações e salas de concerto a marcha “Alla Turca”, por incorrer em dupla apologia ao inimigo e provavelmente conter instruções cifradas para atentados terroristas em suas notas musicais. Já que não poderemos prender o já falecido cidadão W. A. Mozart, nada mais justo que eliminar por extensão qualquer registro do restante de sua obra.

É com satisfação que divulgo essas medidas ao povo brasileiro, pois as levando a cabo sem misericórdia, a Casa Grande terá provas suficientes de nossa obediência e certeza de que somos seus aliados na incansável luta pela liberdade e contra a intolerância, acima de tudo. Ou melhor, über alles.