Arquivo de agosto, 2003

Da série “Quem não morre não vê Deus” – Qualquer Coisa

Um dia desses eu estava conversando com o Stallone (Sylvester, o Rambo) e perguntei para ele se aquela história dele ter pego a ex-esposa (a loira gigante que coordenava os treinamentos do russo Drago, no Rocky 4) na cama com outra mulher, era verdade.

Ele preferiu desconversar. Me contava animado, como foram as noites de trabalho duro e intenso ao escrever o roteiro (premiado pela Academia como melhor filme) de Rocky, um lutador.

É engraçado como esquecemos que os grandes astros, por mais ricos e poderosos que sejam, não passam de pessoas que querem ver seu trabalho reconhecido pelos outros. Stallone, o Cobra, não é diferente.

Sentado sobre o motor do caminhão do filme Falcão, ele me explicava em como ficou tenso no lançamento de Demolidor (seu último grande sucesso).

É essa expectativa, me dizia o Tango (amigo do Cash), “que faz a gente cometer as maiores estupid… (qual é o plural de estupidez? será estupidezes? ), asneiras das nossas vidas”.

Como exemplo, me citou o filme O Juiz. Ele sabe que não presta para nada.

Outro exemplo (não digo “grande exemplo”, porque sei me olhar no espelho), é essa crônica.

Estou tão sem idéias, mas tão sem idéias, que tive que me agarrar desesperadamente à primeira coisa que vi pela frente.

Desculpem-me.

P.S.: A série “Quem não morre não vê Deus …” traz crônicas criadas num momento de “branco” total, onde qualquer coisa que me passa pela cabeça é o tema da vez.

Infidelidade

– Seu Flávio! O que está acontecendo aqui?!

– Calma aí, seu Gregório! Não vamos fazer um escândalo aqui no meio da rua. Eu posso explicar.

– Não precisa explicar nada! Eu te peguei saindo da banca do seu Matheus! Como ousa a comprar em outra banca de jornal? A minha banca não te satisfaz mais?

– Não é isso seu Gregório. É que eu estava de passagem…

– E resolveu comprar um jornal do seu Matheus rapidinho? É o que todos dizem. Essa geração promíscua! Eu pensei que você fosse diferente.

– Deixe-me terminar de explicar… Eu estava de passagem e parei para comprar um cigarro. Só um cigarrinho, juro! Você sabe que eu sempre compro o jornal de você, né?

– Nem vem com esta história! Então para quê essa sacola?

– Que sacola?

– Esta que você está escondendo aí atrás! Passa para cá!

– Que isso, larga de ser desconfiado seu Gregório! Você não confia mais em mim?

– Deixe-me ver essa sacola! O que? Uma daquelas revistas com DVD?!! Você nunca comprou dessas comigo!

– É que… É que o seu Matheus me deu um desconto.

– Você podia ter falado comigo! Você sabe que também teria dado. Não precisava ir até outra banca! Se lembra daquela vez… snif… Daquela vez que… snif… Você havia perdido aquele número da revista que colecionava… e eu… Eu consegui para você… E é assim que me agradece? Ingrato!

– Mas foi um desconto de 30%!

– E nossos 20 anos de relacionamento? Não contam? Se você tivesse me trocado por uma assinatura eu até compreendia. Iria ser duro, mas entenderia. Sei que é difícil competir com a facilidade da entrega em casa, e ainda com todas aquelas promoções.

– Não, eu nunca faria isso com você.

– Lembra do seu Cláudio? Ele também sempre repetia isso. Não deu 6 meses e o canalha já me trocou por uma assinatura. Quando ele me via fazia questão de atravessar a rua e esconder o rosto, só de vergonha de falar comigo. Mas eu superei. Hoje em dia ele até aparece de vez em quando para comprar uma Veja de domingo. Mas você? Você me trocar por uma revista com DVD do seu Matheus?

– Olha, desculpe seu Gregório. Não pensei em meus atos. Vamos esquecer que isso aconteceu. Confie em mim, prometo que isso nunca mais se repetirá.

– Tudo bem seu Flávio. Desculpe-me também. Acho que me excedi um pouco. Você sempre foi um ótimo cliente.

– Você também é um ótimo jornaleiro! Me dá um abraço aqui!

Seu Matheus que acompanhava a conversa de longe dá uma piscadinha para seu Flávio, este retribui discretamente com um sorrisinho maroto.

Caminho catado

Era um catador de feijão. Não destes comuns. Era do tipo que separava o joio do trigo. Não “mais” (sic), porque agora só separava feijão. Mesmo porque, o que é “joio”, quem já viu um pé de joio? Continuando . . . . . . . . . . .

Era um simples catador de feijão. Ele não colhia nem nada, ele só pegava o feijão, já manufacturado, e separava o grãos; separava, ali na mesa, o próprio, das pedras que vinham junto no saco. Ele não trabalhava nas fazendas; seu trabalho era em um pequeno restaurante da cidade. Ele era o melhor dos melhores quando se falava em especialização.

Nunca havia se importado se era um simples catador de feijão. Fazia seu trabalho; e por este motivo foi ficando cada vez mais ímpar em sua função a ponto de um dia – digo “um” dia porque não sei precisar o dia que aconteceu, óbviamente; mas todos na cidade ainda se lembram – ser chamado de canto na sala do dono do restaurante e ser promovido. Sim, pro-mo-vi-do e esta é a parte inesquecível, porque vocês podem imaginar o que mais vem depois de catador de feijão? Pois é, existem mais coisas entre o Céu e a Terra, meu caro . . . . . . . . . . Foi designado para um serviço mais árduo e minúsculo que feijões: arroz. Promovido a catador de arroz. Foi uma das grandes bençãos que ele agradeceu por anos em sua vida. Foi, assim, uma mudança total de perspectivas. Feijão era uma coisa e arroz . . . . . . . . Ah, o arroz!

Não demorou muito e ele já era o melhor catador de arroz da cidade. Honrarias de chef. Os clientes entravam para cumprimentá-lo fingindo visitar a cozinha do restaurante. Tornou-se uma celebridade. Seus dias de folga eram como um desfile de carnaval, acenava e mandava beijos para a população que o saudava na passarela imaginária da praça do coreto.

Trabalho bom era trabalho bem feito e por isso ele não descansava, era um dos mais corretos funcionários do restaurante, funcionário do mês durante anos, mas começava a sentir uma certa dificuldade em chegar no horário por causa dos seus novos fãs que paravam sua caminhada para o trabalho para conversar e tirar fotos. Inúmeras foram as vezes que ele atrasou os risotos da casa e já não conseguia mais disfarçar a sua impaciência com a situação. Então veio uma conversa muito séria com o chef – que o admirava muito – e o trouxe para uma nova função, mais difícil porém menos regular. Transformou-se, pois, em catador de cebola das bacalhoadas de sexta-feira. Ganhou um uniforme mais sóbrio e elegante. Ficava de pé, ali, postado feito vaso de canto esperando que algum cliente solicitasse sua habilidade. E ele catava cebolas como ninguém. A vantagem é que saíra da cozinha para lidar com o público e assim precisava comparecer um menor número de vezes ao trabalho conseguindo, então, lidar melhor com seus horários e compromissos. Contudo, sua nova função tornava-o mais público do que quando trabalhava na cozinha e por isso a situação foi piorando paulatinamente. Não conseguia sair mais aos domingos com a família; aos sábados ele tinha que sair correndo da pelada com os amigos porque mesmo sem fazer gols e sendo o maior perna-de-pau da cidade, ainda assim, era o que mais dava autógrafos. Pensou em distribuir santinhos mas só ia priorar as coisas. Ele começou a reparar nos pratos que eram servidos e a quantidade incrível de pessoas que não comiam cebolas na bacalhoada. Começou a achar a situação completamente ridícula, afinal, porque eles não comiam as cebolas, um vegetal tão saudável e saboroso? Vá lá que deixa um certo “bafo” mas nada que uma escova de dentes não possa resolver.

A gota d’água foi uma sexta-feira chuvosa que fez entrar – às pressas – um senhor sorridente apesar da agua que pingava do seu paletó. Sentou-se comedidamente. Olhou para ele e pediu uma bacalhoada com cebolas, enfaticamente. Menos um trabalho se a pessoa gosta de cebolas. Quando o prato chegou o sujeito cochichou alguma coisa ao ouvido do dono do restaurante. Solicitamente caminhou e pediu que fosse feita a “catação” das cebolas. Foi o fim. Fez o serviço o mais rápido que podia. Serviço bem feito. Entrou para a cozinha e começou a tirar o uniforme. Saiu pela porta dos fundos e ninguém mais o viu. Dizem por aí que “numa” (sic) cidade vizinha tem um homem muito bom que cata batatas como ninguém, mas acho improvável: batatas são muito grandes.

Uma carta de amor

Eu nunca escrevi uma carta de amor. Que coisa mais triste de admitir. Mas a verdade tem que ser dita, como diz minha avó: Dona Maria. Estou aqui para descobrir porque, diabos, eu nunca escrevi esta carta. Não que eu tenha tentado, na verdade eu jamais peguei na caneta pensando nisto. Talvez, por isso. Agora é tudo computadorizado, tudo eletrônico, nada de carta. E-mail. Mesmo assim; nunca digitei um e-mail de amor.

Mea culpa por não me envolver muito ou ficar me protegendo, será? Oportunidades eu acho que já tive algumas, mas não é por esse motivo que escreveria uma carta como esta. É preciso esperar “O” momento, trazer com ele toda a paixão e glamour de escrever, literalmente, a tal carta. E imagino que tudo isso culmine em uma grande felicidade de quem a receba. Não um email, uma carta de amor.

É difícil para mim, uma pessoa que prioriza o contato pessoal, delegar “ações” a outras maneiras de expressão como a escrita e, o que é mais complexo e paradoxal, sentir-se tímido em certas ocasiões inter-pessoais – tão complexo e prolíxo quanto esta oração. Mas tudo isso pode ser trabalhado com o meu psicólogo, mais tarde.

Muito dessa lacuna pode ser entendida quando você pára, realmente, para escrever e percebe que só consegue escrever frases feitas ou coisas bregas. E o pior dos mundos é se achar brega, acredite. Muitos já falaram sobre amar e ser amado, e a breguice que é o amor. O amor é assim: brega.

E saber disso tudo não ajuda muito a escrever a carta porque as coisas continuam soando brega e sem sentido. Soam como um sentimento falso, cinematográfico, coisa de novela das seis. Nada parece autêntico o suficiente. Dizer, te amo, parece uma expressão comum, banalizada por romances e bobas histórias que mataram a frase e esvaziaram seu significado. Se conseguisse ao menos começar, eu escreveria sobre fraternidade, sobre perdas e ganhos, coisas menos emblemáticas mas que fizessem sentido para a destinatária.

Pra ser sincero, toda esta breguice misturada com a cafonice nunca me atraíram e sempre me jogaram contra esta realidade do amor. Procurando, sempre, alguém para quem eu não precisasse escrever ou dizer estas coisas de amor, que sentisse por mim com a mesma ou maior intenssidade o que lhe fosse dado. Ilusão. Coisa de cinema. Que tolo pensar assim.

Mas a vedade tem que ser dita e aí está, tal qual foi sendo inventada ao longo dos anos de existência de uma grande mente ausente. Talvez seja esta a minha carta de amor.

Conversa de Casal

Um casal sentado numa mesa de restaurante observa, em absoluto silêncio, uma suculenta perna de cabrito. Dez, quinze, vinte minutos e o silêncio continua dominando a conversa.

Ela, finalmente, a corta a perna (do cabrito, é claro), meneando ligeiramente a cabeça para a direita. Aliás, nunca entendi porque e as mulheres fazem isso quando estão contrariadas.

Ele pára, por minutos, olhando para ela, a perna (do cabrito!), como que procurando uma resposta para aquela situação tão constrangedora. O garçom se aproxima:

-Os senhores estão sendo bem servidos?

-Sim. – Responde ela.

-Que foi ?! – Retruca o marido, como se tivesse sido atacado pela esposa.

-O serviço … Ele falou do serviço.

-Ah … tá … Tudo continua normal por lá. O Waldemar continuar transando com a secretária do diret …. peraí! Ele “quem” falou do serviço ?!

-O garçom, meu amor. – Responde a mulher, com a cabeça ainda mais inclinada.

-Que garçom?!

– O garçom!!

-Pois não … – Retruca o funcionário do restaurante, já assustado com o volume da voz da contrariada senhora que gritava pelos seus serviços.

-Não é, nada. Me desculpe. Eu estava falando com ele. – responde a mulher, apontando para o marido.

-Mas o serviço, madame. Vocês estão gostando do serviço?

-Olha, meu querido. Meu serviço não é lá grande coisas, mas dá pra pagar todas as contas e ainda guardar um pouco, caso haja alguma eventualidade. E tem o Waldemar, que come a secretaria do diretor, mas apesar desses deslizes é um bom companheiro. – Responde o marido, sem nunca tirar os olhos da perna (do cabrito).

– Olha meu bem, não liga para ele não – diz a mulher, se desculpando para o garçom.

-Não, não … até que achei o rapaz educado. – Responde o marido, mais uma vez, atravessando a conversa.

-Ok, muito obrigado. – murmura o garçom, saindo de fininho.

-Não estou falando com você … – diz a mulher.

– Então com quem, ué ? – o marido.

– O garçom …

– Quem ?

– O garçom!

– Pois não … – aparece um segundo garçom na mesa.

– Ah não! Hoje tá difícil … – diz a mulher, esfaqueando a perna ao invés de cortá-la (sempre falando do cabrito…).

– Algum problema com o serviço, senhores? – diz o novo garçom, um pouco constrangido.

– Não, não …. não é o melhor serviço do mundo, mas dá pra pagar todas as contas e ainda guardar um pouco, caso haja alguma eventualidade. E tem o Waldemar, que come a secretaria … – mais uma vez, o marido.

– CHEGA! – grita a mulher, enfurecida. – Não agüento mais! Precisamos rediscutir nossa relação.

– Como … – pergunta num sussuro tímido o garçom.

– Agora é com você, meu querido. – Mais uma vez, o marido, se dirigindo ao garçom – Se bem que na minha opinião, se ela não gosta do serviço, não precisa fazer esse escândalo todo, é só não pagar os 10 % e pronto.

– Meu amor, não agüento mais! Tira seus olhos dessa maldita perna e fala, pelo menos uma única vez, algo que faça sentido! – clama desesperada, a esposa.

– Sentido … – diz ele com o olhar finalmente deslocado da perna (do cabrito, já completamente fria depois de tanto tempo).

Depois de um breve silêncio pensando, com um olhar triunfante, que começara a confortar a ainda esperançosa mulher e o desesperado garçom, diz o marido:

– Sentido, hmmmm, deixe-me ver? Bairro-Centro … Isso mesmo!

Aliança

Quase não se enxergava naquele banheiro. Culpa da espessa cortina, suspensa, agora lerda quase parada, o contrário de há pouco: tão ágil, subindo rápido e cobrindo tudo do chão até sua cabeça. Devagarinho, abriu a porta do box. Pedindo desculpas, miudamente, alcançou a toalha. Em pouco o ar retomou sua paz e ela, engolida de novo pela brancura, pôde enxugar-se em pequenos longos movimentos. Depois enrolou a toalha em volta de si e abriu a porta. Parou no limite do quarto, o vapor agitado às suas costas, ambos hesitando em sair. Aos poucos a névoa que envolveu seu corpo foi se dissipando, mas perpetuou-se aquela em que havia mergulhado.

No quarto, nada. Apenas a cama desarrumada, nas mesinhas de cabeceira os dois copos d´água meio bebidos e sua aliança. Tudo diferente de antes do banho. Na sala, nada. Tudo igual. Na cozinha, mudanças poucas: um copo, um prato e alguns talheres ainda pingando no escorredor. O expediente estava para começar, ela agora estava sozinha. Não precisava ter pressa. Seu único compromisso era só dali a horas. Assim, gastou o tempo que quis estudando cuidadosamente, de toalha, a roupa do dia. Passou por todos os tons, vestiu-se escura, saiu de preto, levando nos braços, nublada, a gabardina cinzenta que fazia par com o dia. Trancou a porta da frente, deixando atrás de si o apartamento arrumadinho, o quarto com ares de hotel.

Dentro do táxi, rememorava a conversa tida antes, bem cedo:

– Então.
– Hum?
– Hoje tem o jantar do Saulo. Para agradecer o que demos semana passada.
– Você vai?
– Vou.
– Eu gostaria, mas não vou poder ir.
– Por que não?
– Estou super ocupada.
– Não dá para dar um jeito? Só essa noite?
– Não dá mesmo. Tenho que entregar o relatório. Ele está bem atrasado.
– Dê, quem sabe…
– Olha, sério. Eu só vim para cá por causa dessa bolsa e ela acaba em três meses. Até agora não fiz quase nada da tese e você sabe que ela tem que sair dentro do prazo. Sem contar que enquanto isso tenho que cuidar das minhas coisas também, arranjar tempo para você…. Hoje, realmente, não dá, ok?
– Tudo bem. E semana que vem? A gente podia combinar um teatro com eles e depois sairmos os quatro para jantar. Juntamos o jantar com aquela peça que você quer ver. Assim aproveitamos melhor a sua noite de folga.
– Pode ser. Semana que vem fica mais fácil.

O acordo foi selado com sorrisos de um e de outro e um beijo dos dois. Foi quando encerrou o assunto entrando no banho, quente, não relaxante, sufocante ainda. A bruma daquela manhã não a largara desde o apartamento; não no táxi, não neste café no aeroporto. Era o que estava turvando tudo: a xícara de expresso, os saquinhos usados de adoçante, os pequenos grãos que ficaram na mesa, o anel dourado pertinho do pires. Seus olhos fixos, fixados, na argola difusa brilhante. Perdeu-se ali por muito tempo, inquirindo a aliança, evaporante às suas vistas, mas para seus dedos tão sólida e definida como sempre antes.

Resgatou-a a voz nos alto-falantes informando da chegada, vindo da cidade que deixara havia meses, do vôo. Terminou o café, já frio, afastou a xícara e, com a mão em concha, cobriu a aliança. Levantou a cabeça e acompanhou o movimento de passageiros desembarcando no saguão. Avistou um sorriso, acenou-lhe o homem, quase sumido naquela gente toda. Ele ia vencendo as pessoas, caminhava em sua direção. Ela se ergueu e escorregou o anel para dentro do quarto dedo da mão esquerda. Diametral, foi receber seu marido.

Se arrependimento matasse…

“Eu nunca fui pessoa de me arrepender, de olhar para trás. Sempre acreditei que olhar para trás carregava todo peso negativo da expressão que representa o ato. Mas hoje eu mudei. Por quê? Muito simples. Quando você não precisa, ou acha que não precisa de respostas, é fácil seguir em frente, colocar o passado nas costas e ignorá-lo, tomar decisões e esquecer as conseqüências.

Porém, hoje eu preciso de uma resposta, uma resposta exata, precisa…matemática.. Não há espaço para especulações, indagações e outras reflexões subjetivas. Eu preciso de uma fórmula. Raciocínio lógico já não basta.

Olhei para frente e enxerguei os caminhos que podia escolher, seguir, mergulhar e me afundar. Eu não via o fim. Como isso não foi suficiente, olhei para o presente, tempo real com as emoções à flor da pele. Confusão total e absoluta. “”Não há resposta, não há resposta””, gritava na minha cabeça.

Relutante, olhei para o passado. Nele as coisas fazem sentido: encontrei situações parecidas, semelhantes. Foi fácil fazer o diagnóstico; difícil vai ser achar o tratamento adequado, como diria o doutor.

Acabou que eu não encontrei. Não sei se isso é comum, mas até que estou calmo, porém perplexo, nunca vivi uma situação assim. Nunca estive nessa ponte, onde se tem névoa nos olhos e nas costas.

Me parece então que não me cabe buscar a resposta, e sim fazer a pergunta, e rezar, talvez, para tê-la logo, bem baixinho, ao pé do ouvido…”