Arquivo de março, 2004

Da série “Peças de teatro que enganariam muita gente” – Uma Metáfora Capitalista

(primeiro ato) Abrem-se as cortinas. Um palco escuro, apenas com uma mesa de ping-pong iluminada por um holofote. Dois homens de preto já no meio de uma partida:

– Patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac.

Dois minutos depois, um dos homens tenta matar o ponto, invertendo totalmente o sentido das jogadas. Claramente o jogo muda de direção:

– Patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac. E, quando menos se espera:

– Patata-patac … Toc-toc-toc-to-to-to. Plec.

Ponto. O homem da direita diz:

– Zero-a-zero vai a dois.

Fecham-se as cortinas.

(segundo ato) Abrem-se as cortinas. Um palco escuro, apenas dois homens de preto no meio de uma partida de ping-pong. Sem mesa, sem raquetes e sem bola. Ainda sim, ouve-se:

– Patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac.

Dois minutos depois, um dos homens tenta matar o ponto, invertendo totalmente o sentido das jogadas. Claramente o jogo muda de direção:

– Patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac. E, quando menos se espera:

– Patata-patac … Toc-toc-toc-to-to-to. Plec.

Ponto. O homem da direita diz:

– Zero-a-zero vai a dois.

Fecham-se as cortinas.

(terceiro ato) Abrem-se as cortinas. Um palco escuro. Sem homens, sem mesa, sem raquetes e bola. Ouve-se então:

– Patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac.

Dois minutos depois, percebe-se uma mudança drástica do sentido jogadas:

– Patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac, patac-patac. E, quando menos se espera:

– Patata-patac … Toc-toc-toc-to-to-to. Plec.

Ponto. Uma voz vindo do lado direito  do palco diz:

– Zero-a-zero vai a dois.

Fecham-se as cortinas. A platéia vai ao delírio.