Arquivo de junho, 2005

Adultescência

Ela chega sem data nem hora marcada. Bem inoportuna. Quando você menos espera, “clap”! Lá está ela como fosse um bom tapa na cara. Daqueles bem ardidos. A “Adultescência” pode chegar aos 11 ou aos 50 anos, em Manhattan ou Madagascar. Variável conforme a pessoa, porém sempre com o mesmo conteúdo.

Ela chega para te mostrar uma coisa muito simples. Coisa que sempre lhe disseram, você viu nos filmes e novelas. Muitas vezes você próprio afirmou. Ainda que a mínima idéia do que estava falando.

A vida é injusta.

É injusta sim. Não há o que debater. Seja por causa do seu carro que você bateu e não tinha seguro justamente quando ia vendê-lo, seja quando o amor da sua vida arruma um namorado justamente quando você iria se declarar. A injustiça está sempre te circundando com apelidos como azar, fatalidade ou “lei de murphy”.

A vida é injusta.

Admitir isso é ter verdadeira noção do que é a realidade. Saindo de um universo de sonhos e fantasias que são a adolescência e infância você cai nessa amarga e presente realidade, com a sensação que está correndo atrás de um trem que já partiu.

Todos nós até o momento em que viramos adultos somos mimados e privilegiados. Acreditamos que se não está do nosso jeito está errado. Não entendemos que muitas vezes não vai ser do nosso jeito mesmo e pronto acabou.. Ás vezes até o exato oposto.

Ser adulto é saber aceitar isso. Não aceitar no sentido de passividade. Podemos e devemos lutar para fazermos do nosso jeito. Mas tudo tem espaço e tempo certo.

A vida é injusta, mas, Deus é justo.

Não que eu esteja aqui para evangelizar. Mas não acho que o ateísmo seja uma boa escolha. Pois, visto que a vida é injusta, é necessário ter-se um propósito para tudo. Qual o incentivo para se fazer as coisas certas se não se tem o por quê. Se não há punição ou recompensa é mais fácil fazer o mais cômodo. Não se desculpar, não se importar, não respeitar. Tendo um Deus tudo fica mais fácil de se entender. Você vai para o Paraíso, um plano superior ou sobe de casta. Ainda que tudo isso seja uma baboseira, é melhor viver acreditando nisso. Não se vive sem esperança.

Pode parecer que a vida é uma desgraçada. Que te recebe de braços abertos cheio de carinhos e talco e te bota pra fora com seringas e quimio. Tudo isso para no final de tudo ser recompensado. Mas não se pode analisar assim. A vida nos dá muitas coisas para se passar por ela. Amor, amizade, força, bla, bla, bla. Mas tudo isso é muito pouco para vivermos. Nosso maior presente e arma dado pela vida é a liberdade.

A vida é injusta, mas até que boazinha.

Poder fazer o que bem entender é o que temos de mais valioso. A liberdade nos leva aonde queremos chegar, nos traz o que queremos ter, nos faz o que queremos ser. Pois isso é o que basta. Sejá lá qual seja sua ambição você pode ir atrás. Existem sucessos e fracassos logicamente, porém, o poder de tentar já é o suficiente para nos dar o que mais precisamos para sobreviver. A esperança. No entanto não há espaço para reclamações ou lamúrias. O nível de dificuldade é extremamente variável entre pessoas e coisas. Ser astronauta nascendo em Minas Gerais é tão difícil quanto ser o estrela do futebol nascendo em Ohio. O sucesso depende do quanto se está disposto a alcançar tal objetivo. Pois com liberdade, se faz o que realmente quer.

Um dia, depois de tudo . . .

Acordou sem idéias. Como se tivessem passados anos e anos conversando com sua sogra; simplesmente não lembrava das coisas, nem mesmo se havia motivo para uma sogra. Era ele, ali, sobre seus pés. Auto-confiança; levantou e saiu para trabalhar . . . . . . . . . . é, tinha que trabalhar, só sabia disso. No ponto de ônibus era trágica a cena de esforço para pegar um ônibus. Um. Dois. Três. Uma “senhorinha” fez sinal, apertando bem a vista para identificar o destino. Aproveitou e subiu. Parecia ser cotidiano aquele carro cheio de pessoas, nem muito cheio nem muito vazio. Ficou em pé, esperando seu ponto.

Desceu depois do tumulto. Foi parar na sua cadeira, era sua cadeira e pronto; não pensou, tentou, mas não pensou. Era estranho, não conseguia pensar, ter idéia alguma sobre nada, o tempo era apenas uma palavra, vazia, sem significado, não sabia o passado muito menos conseguia elaborar um futuro, a não ser que fossem efêmeros 10 segundos. Mal conseguia trabalhar, faltava-lhe concentração, faltava-lhe o ar. Andou para um lado, deslizou a cadeira para outro; foi ao café, foi ao banheiro. Não, não foi. Não sabia onde era o banheiro.

Não trabalhou. Ninguém pediu para ele trabalhar. Era um dia muito típico. Sem reuniões, sem almoços. É . . . . . . . o almoço. Nem se lembrava do almoço, talvez a hora mais feliz do dia – não tinha fome, mesmo. Na esquina, um rosto familiar, uma situação familiar mas sem solução. Estava vagando sem destino pela 5ª avenida, de nada valiam as roupas, o emprego. Na verdade, nem sabia se aquilo tudo era seu; o terno, os sapatos, o rosto. Seu almoço acabaria da mesma forma que teve início, e desesperava-se. Caminhava entre as pessoas como se as atravessasse. Caminhava e chorava inconformadamente. Não ouvia mais nada na rua, nenhum som saía dos seus passos, seu coração estava silencioso. Ele flutuava. . . . . . . . .

FIA x CBF

Mais uma vez com ar de protesto me apresento por aqui. Depois da última crônica, sobre a Fórmula-1, as coisas melhoraram nas pistas, principalmente nos GP’s de Mônaco, Europa e Canadá, onde muitas mudanças de posições ocorreram, mas pouquíssimas ultrapassagens nas primeiras colocações. Como talvez fosse muito precipitado, da minha parte, escrever uma crônica no sábado anterior à corrida dos EUA, resolvi esperar, principalmente, ao saber que a corrida não seria transmitida na íntegra, já que a nossa fantástica seleção brasileira de futebol participaria de um dos mais importantes – senão o mais – campeonato de futebol existente: a Copa das Confederações.

Até sábado, esse seria o motivo da minha reclamação. Deixar de transmitir a corrida para tantos brasileiros, para transmitir um jogo que, sinceramente, não vale nada, mas a fantástica CBF acha tão importante (junto com a Globo) que leva todos os jogadores importantes do futebol brasileiro para essa competição. Está tratando como se fosse Copa do Mundo. Será que o Atlético/PR teria vencido um Santos com Robinho e Léo? Não sei, mas vou ficar extremamente indignado se o São Paulo tiver problemas do seu lado direito no jogo contra o River, em função da convocação do Cicinho.

Esse poder todo da Globo com seus direitos de transmissão de tudo, leva alguns telespectadores, como eu, à ira total. Onde já se viu deixar de transmitir uma corrida para passar um jogo de um torneio que não vale nada?? E o pior, em vez de transmitir então a corrida pelo seu canal pago – Sportv – aproveita o canal para também transmitir esse fantástico jogo contra o México – de acordo com a programação de TV que consultei em alguns jornais, já que não tenho Sportv, mas com certeza iria à casa de alguém, algum bar, sei lá, para ver a corrida, caso esse canal a transmitisse. Sou brasileiro, patriota ao extremo, mas não tolero esse tipo de injustiça. Quem gosta de Formula-1 acaba não tendo escolha. E outro problema: quem gosta de futebol sério, competição séria, vê seus times “mancos” com essa convocação da CBF. Times BRASILEIROS, diga-se de passagem.

ATENÇÃO: estou escrevendo essa crônica no momento desse “jogasso” entre Brasil e México e nossos amigos latinos acabam de fazer um Gol. Que estranho né, super entrosada nossa seleção. Será que o Cicinho volta para o segundo jogo da semifinal da Libertadores???

Agora chega de falar de Futebol. Vamos falar de Fórmula-1. É incrível o que se passa. Desde a morte do Senna, só se fala em segurança, estreitar pneus, etc. Nos últimos cinco anos o fator segurança se juntou ao fator “chega de ganhar, Ferrari”. De uma forma brilhante, a FIA resolve só disponibilizar um jogo de pneus para as corridas, para o Schumacher não ganhar de forma alguma Claro que pneu gasta e temos visto acidentes violentos demais em função desses desgastes. Seta tudo errado! Já falei antes, modificações lúcidas para a Formula-1, POR FAVOR!!!

Depois dos gênios da FIA muito conversarem, resolveram fazer modificações fantásticas para a temporada de 2008. UAU! Faltam só três temporadas e meia!!! E até lá? Mais acidentes? Mais corridas sem ultrapassagens entre primeiros e segundos colocados? Mais equipes quebrando? Provavelmente, mas em 2008 teremos uma categoria temática: anos 80! Câmbio manual (acho ótimo), embreagem e pneus largos e slick (melhor ainda). Agora só falta achar pilotos arrojados, já que o grande item hoje em dia, é técnica. Outro fator importante é de não desprezar e ignorar todo o desenvolvimento que a categoria teve nos últimos 20 anos, para ser competitivo. Tenho medo.O pessoal da FIA está tão perdido que são capazes de distorcer mais as coisas.

Ao meu ver, deixar a “competição competitiva” é MUITO importante, mas mais importante é não deixar de usar o que foi aprendido. A Formula-1 é grande demais para ficar sem rumo. Acho que ela está complicada demais. Simplificar pode ser uma luz.

Essa semana estava vendo uma corrida de Indy. Há tempos não via uma seguidamente, mas foi muito bacana. Circuito oval, cinco pilotos na briga pela vitória na última volta e o mais impressionante: os carros são, aparentemente, idênticos ao de 15 anos atrás, quando eu acompanhava com mais freqüência. Quero dizer quer a fórmula pode ter mudado, novos desenvolvimentos e tecnologia, mas a essência continua a mesma, com muitos carros, muito equilíbrio e um autódromo lotado. Hoje, ao ver o pouco que se passou do GP dos EUA, vimos um autódromo com muitas arquibancadas vazias, um público decepcionado com “only 6 cars in the track”e uma grande palhaçada: por segurança, os carros de equipes que lutaram com dentes e unhas para bater Michael Schumacher não correram. Advinha quem ganhou??

Mas é isso, o campeonato está disputado nos números e quase bizarro nas pistas. Quando a coisa parece que vai melhorar, algo inédito acontece e o Schumacher vence. Que coisa, né?

Céle(b)res

– Möet?
– Hmm. Não, ´brigada.
– Só um “oi” então?
– Olha – se virando – eu… Você! Nossa!
– Surpresa?
– Mais ou menos. Nem devia, né?
– Não. Se a festa é boa, tô lá.
– Esta aqui é uma festa boa?
– E não? Tem mais flash disparando do que bolhas nesse champagne que você não quis.
– Agora fotógrafo é critério de festa boa? Fala sério.
– Não é só fotógrafo, não. Olha em volta. Som bombando, gente bonita. Você.
– Ó…
– Juro, você tá linda!
– Mesmo?

Foto: ele e ela próximos, sérios; ele com dois copos na mão.

– Pronto, começou.
– Você acha que dá a capa dessa semana?
– Não sei.
– Ia ser a sua segunda seguida. Acompanhada nas duas.
– Verdade.
– Aliás, você ainda tá com o –
– Não, não. Ele tinha umas issues, né? Nem sei por que rolou.
– Acontece direto.
– Soube de você também… Aquela?
– Ih, até era, mas ó…
– Ahã, sei.
– Tô te falando. Não tá comigo, não. – apontando – Olha com quem ela tá.
– Como pode?!?! Ele –
– Eu sei, eu sei. Mas isso faz um tempo. Foi você, aí –
– Aquela sua antes dessa com ele, não é?
– Não, não. Rolou uma outra antes… Lembra aquela que eu fiquei? Depois da gente?
– A… ? –
– Isso! Então, ela, depois a ruiva, do teu tatuado…. Aí, essa.
– Mas por que você –
– Ah, ela era, assim, meio, sei lá, imatura. Entrava numas de “eu, eu, eu” que nem rolava. Você me conhece, sabe que aqui isso pega. Comigo o lance é a gente, nós, casal 100%, tipo, dois corações que são um só, entende? Ou nada.

Foto: rosto dos dois próximos, ele falando, ela sorrindo; ela com um dos copos.

– E você; por quê?
– Mesma coisa. Ele vivia numa mega egotrip, não sabia dividir, priorizar. Que nem, eu também tenho minha carreira, mas como você disse, tem o “eu” e tem o “a gente”, e eu também acho, tem que ser parceiro, ir a festas, pô, entender. É o meu trabalho.
– Total.
– É, mas quer saber? Esquece. Porque eu olho é para frente. Foi importante, mas não era ele, não era ele. Beleza. A fila andou.
– Andou, é?
– Andou. Tô apaixonada.
– Que bom… Quer dizer, se você tá feliz, e tal….
– A gente tá superbem. Fomos esquiar num spa e tudo. Coisa séria, viu. Mas diz aí… Você?
– Felizaço. E seriamente comprometido.
– Sabia! Nunca aparece em festa sozinho. Conheço?
– Todo mundo que tava no país esse mês conhece.
– Ah, não, não a-cre-di-to. Cadê?
– Por aí, com a assessoria. Ele?
– Tirando umas fotos para os patrocinadores, mas já, já, volta.

Foto: os dois em silêncio, olho nos olhos, rostos quase colados; os copos cheios e efervescentes.

– Mas –
– É –
– as agendas são complicadas –
– Umas manias que a gente não sabia –
– Enfim…
– Não tinha tanto futuro assim –
– A gente fica se enganando –
– Só que o coração; não dá para mandar
– Sentimento é sentimento –
– não rola ficar controlando –
– A vida é curta…
– Total…
– É, foi, sei lá… eterno…
– … enquanto durou, eu sei!

Foto: os dois se agarrando, num beijo que não deixa dúvidas; os flashes superam as bolhas nas taças.

Mulher de 30

“Trinta anos é uma idade mágica para as mulheres. Pode perguntar, todo homem quer ter relações sexuais com duas mulheres, lésbicas e ao mesmo tempo. Essa é a fantasia que a gente anuncia e faz alarde o tempo todo. Mas existe outra fantasia, mais oculta, mais profunda, mais factível: uma mulher de trinta anos. Se forem duas, lésbicas e ao mesmo tempo, bem…

Você pode até me perguntar o que faz a mulher de trinta, ser uma mulher tão especial, única, rara, intrigante. Alias, para começo de conversa, se você não sabe, me desculpe meu amigo, mas falta leitura, muita leitura! Vou explicar.

Se compararmos uma mulher com um vinho, bem, ela teria uma idade certa para consumo, uma idade na qual todos seus elementos estariam em perfeito equilíbrio. Quando se fala em vinhos, bem, cada um tem a sua idade, mas as mulheres, salve raras exceções, atingem esse ponto ótimo exatamente aos 30 anos de idade.

Não que as outras mulheres, moças e senhoras não sejam pessoas as quais nos interessam. Logicamente são, mas realmente não há comparação. Na maioria dos casos, é melhor nem comparar.

Uma mulher bonita, sempre estará no auge da sua beleza aos trinta. Mais que nos quinze e mais que nos vinte. Mulheres feitas em hospitais não contam! Uma mulher inteligente, certamente não atingirá o máximo da sabedoria aos trinta, mas com certeza, já terá conhecimento suficiente, para não dar trabalho com coisas improdutivas. Os relacionamento, ora pois, para elas não são rótulos e coisas que só servem para contar aos outros. Elas querem se divertir. Provavelmente as mulheres de 30 são as mais divertidas que se pode encontrar por aí.

Não vou acrescentar muito. A ciência que envolve esse tema ainda é muito precoce…verdade. Mas logo, o mundo há de saber a verdade!

Por que eu estou fazendo esse discurso inflamado, você me pergunta? Por que eu achei uma! Ora, você nunca acredita num conto de fadas até te botarem dentro de um, correto.

Em tempo: Uma mulher de trinta, nunca, jamais, em tempo algum, levaria um livro ao banheiro.”