Arquivo de setembro, 2008

Tirinha #7


Todas as segundas, nesse espaço.
leopoldo@cronistasreunidos.com.br

Tirinha #6


Me atrasei novamente, mas continuamos em frente.
leopoldo@cronistasreunidos.com.br

Sem chão

E mal a canção começou a tocar, nos levantamos. Peguei sua mão, você meu ombro. O salão se expandiu em ouro, madeira e mármore enquanto girávamos em todos os eixos impossíveis. Só enxergava seu rosto cercado por rabiscos cor de baunilha enquanto pontos luminosos faíscavam seus olhos.

Pouco a pouco, o atrito foi se perdendo, e esticávamos os pés para alcançar o solo. Em nenhum momento brigamos contra a falta de gravidade, deixamos a natureza nos aplicar as leis que bem entendia, e sentir o chão não era uma delas. Na segunda estrofe já sentíamos apenas nossos próprios corpos.

O mosaico da pista de dança, os guardanapos escondidos embaixo das mesas, as taças de água intocadas, as de champagne vazias. Tudo a nossos pés, que raspavam os casais, músicos, garçons enquanto riscávamos elipses cada vez mais rápidas no ar. Ali, no nosso ponto de vista no entanto, o mundo passava devagar, como se diminuísse  o ritmo para nos assistir.

Não nos contentamos, quando era tocado o primeiro acorde da terceira estrofe atravessamos a cúpula de vidro que nos separava do infinito. Agora, toda a parte externa do antigo prédio barroco assistia nosso balé. Para nós, contudo, não existia prédio, taça, chão, apenas a sensação de que nunca pararíamos de subir,  de que não existiam tetos que pudessem nos conter.

Agora a cidade era assoalho e as estrelas pano de fundo. O palco finalmente fazia jus a nossa dança. A música já não era ouvida, nem os talheres, nem os carros passando, nem o cantar desafinado de um gato solitário, só nossa respiração embalava nossos passos. Você se segurava forte no meu corpo, sem medo, aflição, só afeto. Eu agora via seus olhos pontilhados iluminando as estrelas que, coitadas, perdem seu brilho.

Nos perdemos pela escuridão da noite, sem controle, sem chão, sem idéia. Nuvens, lua, Vênus, para onde não sabíamos, só tínhamos certeza que iríamos dançando assim, juntinhos, olhos exclusivos, com os pés fora do chão, sem a mínima vontade de encontrar terra firme.

Tirinha #5


Me atrasei um pouco nessa, mas vamos que vamos.
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Tirinha #4


É auto-explicativo. Sim, resolvi fazer tirinhas de quadrinhos. Todas as segundas nesse humilde espaço.
Dúvidas, críticas e sugestões – Quem se importa?
Puxações de saco, contratos milionários e veneração incondicional – leopoldo@cronistasreunidos.com.br

Tirinha #3


É auto-explicativo. Sim, resolvi fazer tirinhas de quadrinhos. Todas as segundas nesse humilde espaço.
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