Malditos Pokémons

Ou: Como aprendi a desencanar e amar a web.

Pokémons. Pokémons. Pokémons.. AAAAARRRGGGHHHHH!!!! Malditos Pokémons. Eles estão em todos os lugares. Nas suas variantes Fogo, Água, Elétrico, Grama, Gelo, Guerreiro, Veneno, Voador, Paranormal, Fantasma, Dragão, eles estão por toda a parte. Nas formas de Arbok, Fearow, Beedril, Carterpie, Ivysaur, Bulbasaur, Kakuna, Metapod, Charizard, Blastoise, Charmeleon, Ekans, Venusaur, Pidgeot (e Pidgeotto e Pidgey !), Raticate, Rattata, Squirtle, Buterfree, Charmander, Raichu, Spearow e do fiel, indefectível e onipresente Pikachu, eles estão em cada esquina. Evoluindo com a Pedra Lunar ou a Pedra Trovão, a mando de seus treinadores, não há lugar em que eles não estejam. Espertos com suas malditas Poké-balls, eles estão em cada cantinho. Em suas aventuras com Ash, Brock e Misty contra o Team Rocket de Jesse, James e do trapaceiro Pokémon Meowth, será que existe algum bendito lugar em que eles não estejam?

É um saco, mas não tem jeito: eles estão mesmo por toda a parte. Modinha miserável de qualidade duvidosa, esse seriado japonês um dia vai acabar e daí só ouviremos falar de Tentacruel, Geodude, Graveler, Golem, Ponyta, Rapidash, Slowpoke, Slowbro, Magnemite, Magneton, Farfetch’d, Doduo, Dodrio, Shellder, Cloyster, Gastly, Haunter, Gengar, Onix, Drowzee, Hypno ou Voltorb em alguma onda retrô besta, ainda mais efêmera. Ainda bem.

Mas imagine por um instante se essa onda não acabasse, muito pelo contrário: se o que estivéssemos vendo fosse só o começo de uma nova “era” Pokémon. Imagine jornais e revistas sérias dedicando parte de seu precioso espaço a explicar as diferenças de um Sandshrew para um Sandslash. Imagine palestras e programas de TV para explicar que Abra, Kadabra e Alakazam não são mais só palavras mágicas faladas pelo Mandrake.

Imitando a maravilhosa peça “O Rinoceronte” do Ionesco, imagine que seus colegas começassem a se interessar por Chansey, Horsea, Goldeen, Seaking, Staryu a ponto de só falarem disso e passarem a renegar tudo o que fizeram anteriormente. Que a Design Gráfico criasse uma seção para o design de Pokémons. Que o espaço do desenho na TV aumentasse e que muito mais sites fossem criados para falar do tema? Na NASDAQ, empresas de Pokémons fariam uma reviravolta com seus IPOs e aumentariam a carga dos cyberdólares em criaturinhas mutantes. Enquanto isso, um Pokémon latino, de sombrero e radicado em Buenos Aires, iria tentar unificar pela 450ª vez aquele continente cucaracha abaixo do equador. A onda do Pokémon grátis criaria filas quilométricas nos postos de troca.

No seu escritório, você seria procurado por um moleque imberbe, de cabelos prateados e embrulhado em celofane que falaria maravilhas da onda dos monstrinhos, enquanto você ficaria sabendo de empresas ganhando uma fortuna com isso. Uma fortuna? Sim, algo em torno de uns R$ 1000 com Hitmonlees e Hitmonchans. Você o mandaria passear e ele sairia na capa da Exame, cuidando de um investimento de risco de milhões. De Euros.

Pessoas começariam a olhar para você de um jeito estranho, só porque você achou que Weedle e Wartortle eram pratos da cozinha húngara, que Seel, Dewgong, Grimer e Muk eram danças búlgaras e que Lickitung, Koffing, Krabby e Kingler práticas de caça esquimó. No seu emprego, profissionais bem estabelecidos e com carreiras garantidas deixariam seus empregos para trabalhar em Clefable, Parasect, Golbat, Rhyhorn, Rhydon, Poliwag, Seadra, Scyther, que, apesar do nome, não eram aqueles laboratórios onde se escondem cientistas malucos que querem poluir o mundo com um gás verde, e de cujo Mr. Mime não era o CEO.

Assustado, você acaba entrando em um curso para aprender que Dragonite não é doença, nem que Nidoran, Nidorina, Arcanine, Vaporeon, Venonat, Jolteon, Omanyte, Snorlax, Vulpix, Flareon e Porygon são nomes de remédio genérico. Nenhum desses nomes faz sentido para sua cabeça perturbada e você começa a se achar burro, se perguntando se alguém na família é Magmar ou tem síndrome de Starmie. E o único nome que fica na cabeça é o tal Pikachu, mesmo assim você não consegue soletrá-lo corretamente.

Desesperado, você começa a mentir pra fingir que entende tudo de Pokémons, mas se trai ao descobrir que Nidorino, Omastar, Missigno não são aqueles nomes esquisitos que tem no sertão, nem Kabuto, Primape, Machoke, Dratini, Kabutops, Paras, Tauros, Lapras, Pinsir, Tangela, Kangaskhan, Marowak são cidades de países perdidos na selva africana.

Os monstrinhos viram realidade e conquistam as corporações mais tradicionais e você começa a colecionar cartões de visita com nomes que mais parecem estúdios de design inglês: Bellsprout, Electrode, Diglet, Cubone, Exeggcute, Oddish, Tentacool. Quando você finalmente descobre que Dragonair não é uma linha aérea asiática, chegou a hora de desistir.

Daí você contrata um carinha desses esquisitos para lidar com coisas de nomes que mais parecem produtos do 0800-14-06: Vileplume, Poliwhirl, Jigglypuff, Dugtrio, Electabuzz, Poliwrath. E dá vontade de fazer a piadinha: “não responda ainda – você ainda pode ganhar um Weepinbell, um Victreebell, um Exeggcutor, um Nidoqueen”, mas você não tem mais humor para essas coisas. E corre o risco de parecer o tio da Sukita, por isso deixa pra lá.

Palavras horrorosas surgem a cada instante: Nidoking, Clefairy, Wigglytuff, Zubat, Gloom, Ninetails, Venomoth, Persian, Psyduck, Golduck, Manky, Growlithe, Machop, Machamp, Weezing, Jinx, Magikarp, Gyarados, Ditto, Eevee, Aerodactyl, Articuno, Zapdos, Moltres, Mewtwo, Mew, Meyu. Desesperado e empapado em suor, você grita.

Daí você acorda. Ufa.

E percebe que foi tudo um horrível pesadelo. Ao tomar um belo banho gelado, sorri por nada disso ser verdade. E veste sua roupa clubber, coloca o piercing e vai de patinete trabalhar como webdesigner em uma pontocom, esperando que o cliente largue a mão de ser burro e entenda de uma vez por todas que não dá pra fazer frameset em Flash.

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9 Comentários on "Malditos Pokémons"

  • paulo roberto vasconcellos diz

    não entendo absolutamente nada do universo pokemom, fiquei confuso com tanto nome e, confesso, até um pouco entediado… Mas o final compensa, é bem engraçado.

  • Luciana diz

    Conheco menos ainda de pokemon. Pra falar a verdade o unico que ja ouvi falar foi o tal Picatchu que ainda nao sei escrever. Mas o mundo esta perdido assim… nao pelos pokemons (gracas) mas vamos sempre encontrar outra coisa qualquer pra substituir!

    Bom trabalho, deu pra me deixar meio paranoica!

  • vandreza diz

    como alguém com mais de 10 anos pode saber tanto destas pragas???????

  • talita diz

    oi, sou a Talita uma grade fá dos pokemons li sua materia, e acho que voce deveria botar fotos dos pokémons , obrigado

  • victor diz

    esse site é de nada nao tem fotos aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

  • Anônimo diz

    g fffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffff

  • nidoking diz

    o cara q escreveu isso é estranho ele citar todos os nomes dos pokemons se ele odeia tanto deve ser gay

  • AyKie diz

    Gosto é que nem cu, cade um tem o seu. Mas vejo que o seu está tanpando com uma cobrona para falar tanta merda. Abrss. :)

  • blzck diz

    Interessante isto, mas o pior é que pokémon jaah está dominando a redeTV!
    xD

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