Semana

Acordo. Raios atravessam as frestas da janela, já sei que é segunda-feira. Levanto-me em passos curtos, e num gesto mecânico, alongo. Não sei o que fazer, meu cérebro não trabalha como antes. Lembro da nova jornada semanal, das tarefas corriqueiras, do trânsito infernal, das sirenes das ambulâncias a dispararem de forma repentina, e meus tímpanos quase estourarem. Tenho em mente da necessidade do meu trabalho, mas meus movimentos não acompanham o tempo. Por que será que neste primeiro dia da semana, tudo demora a alavancar ? Faço o ritual: tomo um banho, troco de roupa, tomo o café da manhã, escovo os dentes e quando dou a partida no carro … vem a tona um pensamento … ahhhh, exclamo … a comida do cachorro. Passado instantes, aloco-me, novamente, em seu interior. Ultrapasso o primeiro quarteirão e verifico uma luz do painel a piscar; de início não preocupo. Mas aquela é a do combustível …. sentimento de raiva avassala meu coração. Paro num posto, e não muito confiável !, abro a carteira e vejo nada … preencho um cheque. Nisto, já estou atrasado como todas as segundas-feiras. E chegando à empresa, mal consigo dizer bom dia ao meu chefe. O trabalho não rende. E se estende durante todo o expediente.

Na Terça, sou outro. Dia de pagamento, único dia que minha conta está azul; você também reparou na sua ? Logo me desanimo, aquele serviço imenso que passei prestando, ontem, após o horário, a mim delegado, perdido pelo seu colega ao lado. Imagino “esgoelando” seu pescoço. Finalmente, passa a tarde.

Quarta, amanheço com o seguinte dilema: “Hoje, vai ser diferente”. Até às 14 horas nada de imprevisto aconteceu; fico com a pulga atrás da orelha. Maldito momento em que penso, um processo no servidor central dá “pau”. E lá vamos, eu e minha equipe “marretar” o problema, pois não existe solução definitiva, a não ser a paleativa. Como quero distrair convido minha namorada a um cinema. Hoje é mais barato e não posso perder a oportunidade de fazer um agrado. Reservo os últimos trocados que me sobraram no mês e a levo.

Desponta a quinta-feira, meus olhos logo ficam vermelhos ao olhar para o computador. Descubro através de uma conversa, onde um amigo deixa escapar, que em breve a auditoria chegará. Entro em pânico, preciso consertar meus processos em tempo recorde. O que faço? Tento mascarar os problemas mais visíveis. Alarme falso. Um alívio penetra em meu ser.

Na sexta-feira só me passa o final de semana na cabeça, vejo que meus amigos raciocinam da mesma maneira. Começo a digitar a palavra “cerveja” como senha para meu usuário, naturalmente não entra no sistema, mas num impulso caio no mesmo. Até perceber que ainda é dia de trabalho, lá se passam algumas horas preciosas. Será que tenho que vir no Sábado para terminar o serviço? Trabalho então, sem piscar, para que isso não ocorra …

Não pretendia acordar cedo, contudo esqueci dum pequeno detalhe: contas a pagar que ficam no imã da geladeira. Lembram do cachorro? 2 quilos mais magro… coitado, acho que precisa de outro dono… À tarde, meu tão esperado futebol. Não deu. Aquele “carinha” ruim que completava o time disse que não jogaria mais; ninguém tocava para ele.

Pulo de bar em bar, à noite. Um copo com álcool sorri para mim, e já estou no terceiro.

Durmo, cabeça rodando. Acordo, cabeça doendo. Prometo nunca mais encher a cara. Isto durou apenas 30 minutos. Um companheiro me liga marcando um churrasco. O emprego nem passa pelos meus pensamentos. Escurece, levam-me até em casa. Durmo… e acordo, uma nova semana se inicia… os movimentos estão pausados, e cada vez mais llllleeeeeeennnnnttttttttttooooooossssssss.

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