A (A)ventura de Amar!

Tudo bem… Eu reconheço que sempre tive uma veia brega. Mas nunca pensei que chegaria ao cúmulo que cheguei.

Tudo bem… Nos anos 80, eu usava “new wave” no cabelo para realçar meu penteado Chitãozinho e Xororó.

Tudo bem… Eu já assisti novela mexicana. E não foi por acaso, quando estava mudando de canal. Mas nunca cheguei a chorar quando a Maria Joaquina batia no Cirilo do Carrossel. Minha vizinha sim que ficava com os olhos cheios de lágrima.

Tudo bem… Eu já vi Chaves e Chapolin. E tenho admiração por um capítulo em que o Senhor Madruga se esconde na sala de aula para fugir da Dona Florinda. “Foi sem querer querendo!”

Tudo bem… Eu já comprei um CD do Daniel. Foi num momento de fossa, em que um sacana e aproveitador ser do sexo masculino me fez sofrer. “Ah, eu adoro amar você, como eu te quero eu jamais quis! Você me faz sonhar, me faz realizar, me faz sofrer, me faz feliz!” Essas palavras não fazem sentido para um coração apaixonado?

Mas na semana passada eu me superei. Pedindo a minha mãe que emprestasse um livro da biblioteca de sua escola (esclareço que ela é uma respeitável diretora de ensino médio), recebo uma coisa de capa rosa pink.

O problema nem foi a cor, já que eu adoro o rosa, meu quarto é rosa, minhas calcinhas são rosa… Mas o título: “A ventura de Amar”. Isso mesmo! Nem é “aventura” com “A”! É “ventura”… Aliás, quem souber a diferença que esse “A” faz no significado da palavra, por favor, me explique…

Um livro rosa de título “A ventura de Amar” não merece nem ser aberto. Mas eu abri… Fazer o quê? Estava na fossa…

Confesso que me envolvi com a história de Jenifer e Justin. Ela uma mulher frígida que não acreditava no amor; ele, um homem alto, forte, de peito másculo e beijos ardentes. Claro que Jenifer descobriu em Justin mais que um homem, um companheiro, um amante, alguém para dividir seus sonhos e sua vida… Afinal, não adianta fugir do amor, pois ele está lá e é flagrado num beijo sôfrego e ardente quando você sente o peso dele em cima do seu corpo e suas almas se fundem em um grito de desejo e paixão.

Tudo bem…

Pior é que Jenifer não ficava só com Justin. Depois que ele morreu de um ataque cardíaco súbito (talvez pelo desgaste com tanta atividade física, será que você me entende?), Jenifer ainda atacou um ator inglês másculo, um amigo sessentão do seu pai (que apesar da idade ainda era másculo), o médico que salvou-a de uma tentativa de suicídio (sério, compenetrado mas no fundo, másculo). Isso, é claro, sem contar os “free-lancers”.

Depois de 4 casamentos, 2 filhos e de ter aprendido amar como ninguém, Jenifer resolve se isolar em sua casa de Los Angeles… Ela estava cansada de entregar seu coração e acabar sozinha tendo como companhia apenas suas doces lembranças.

Eis então que na última página do livro pink surge: Peter. Sim, Peter! Um renomado produtor de cinema que aparece para comprar um texto de Jenifer (Ah, me esqueci de dizer que apesar de tantos homens, ainda sobrava algum tempinho para Jenifer escrever seus romances).

E Peter, assim como Jenifer, tivera outros 4 casamentos e achava que amar é difícil e doloroso… Mas Peter acreditava que devemos enfrentar essa aventura (ou ventura???) e que a vida só tem sentido quando estamos amando! E então Peter aconchegou Jenifer em seus braços másculos e eles se beijaram com desejo e paixão!

Porque eu fiquei contando tudo isso? Realmente não sei! Sei que estou curtindo a maior fossa… Sei que quem ama é brega e lê livros de capa pink… Sei que a gente sempre torce para que apareça um Peter no final da história… Talvez, na verdade, eu esteja precisando de alguém másculo, que me dê beijos ardentes e me convide novamente para enfrentar a (A)ventura de Amar…

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9 Comentários on "A (A)ventura de Amar!"

  • Parabéns, Carol !!!!

    Ficou um tesão !! Vou agora mesmo comprar meu CD do Daniel… heeheheh….

  • Paulo diz

    Eca, Volpa, que medo!!! Ó o que vc fez, Carol!! Hehehehehhe

    Parabéns, ficou bem legal!!

  • Rafael diz

    Puxa vida! O amor é uma coisa brega, mas a fossa pode ser pior!!

    Parabéns Carol, espero que você continue com sua breguisse, porque ela vem do coração (hehehehe).

  • Naiade diz

    eu sou a única pessoa q o e-mail ñ finaliza com @cronistasreunidos.com.br :( bem, apesar do cd do Daniel (e da tonelada de “tudo bem”- vc nem parecia estar na fossa :p) ficou legal, gostei. Congratulations… ops

  • Adorei, Carol!

    Se não fosse pela mãe diretora de uma escola do ensino médio e pela adoração pelo rosa (prefiro o branco, tanto p/ o quarto, qto p/ calcinhas) esse texto podia ser meu, com absolutamente TODAS as breguices. Na verdade, poderia ser da maioria das mulheres que conheço (as breguices masculinas seriam diferentes, eu acho).

    Parabéns! Ficou realmente mto legal!

    P.S. Acho que seu homem másculo pode ter menos de 60 e nem ser amigo do seu pai, né?! *rs*

  • Ricardo diz

    Olha Carol,apoiada em gênero, número e grau!

    Muito bom mesmo!!

  • paulo roberto vasconcellos diz

    Eu, como admirador notório da pop art, não posso deixar de elogiar o seu texto. O kitch, ou o brega, tem um potencial estético fantástico que só os intelectualóides e os metidos a cultos não percebem. Mas vc percebeu. Parabéns. Salva de palmas. Hip hip urra!

  • vandreza diz

    Carol querida,

    Adorei! O texto tem a sua cara… Epa… vc vai achar que eu estou te chamando de brega… e ainda vai gostar, né? Um beijo grande, Van

  • Ademir Mario Novi diz

    Querida “Vavivova”, o tio “Vavivovi” fica muito feliz em poder comentar um texto seu.Está muito lindo e se a “breguice” está ligada a um verdadeiro sentimento ela deixa de ser “brega”. Quando a sua tendência em admirar o que se convencionou chamar de “brega”, eu SEI MUITO BEM DA ONDE VEM…

    Marinovi – 27-01-03, 21:30hs.

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