Ataulfo e o taxista esquizóide

Muitos imaginam que a frieza de sentimentos demonstrada pelos esquizofrênicos está relacionada à falta de emocionalidade. Não é bem assim. Ataulfo é o típico caso de esquizofrenia – a loucura em sua forma mais pura.

Poeta, escritor e artista em geral, ele nunca entendeu os motivos que o levaram a ser poeta, escritor e artista em geral. Ele não tinha consciência de que, no papel, era doente. Até que um dia, um amigo – leitor inveterado de seus textos – após ler uma matéria sobre os homens portadores de dissociações psíquicas, sugeriu uma visita a um especialista. Relutou, mas foi. No mínimo teria uma boa história para seu blog.

Na sala de espera, Ataulfo fitava os outros portadores. De um lado, uma senhora gorda de pés inchados. Do outro, um homem magro de canelas finas. Nada anormal, pensou. Até que notou um homem deitado debaixo do banco.
Ele se contorcia e dizia coisas incompreensíveis. A secretária esclareceu que aquele era Raimundinho, taxista de longa data. De tanto trabalhar, em média 15 horas por dia, Raimundo foi parar no consultório. Pensava que era o rádio amador do carro. Só conseguia se comunicar por meio dos códigos da central. Chamava sua mãe de QRL.

Ataulfo pediu para ir ao banheiro e sumiu. Não se considerava um doente, apenas um rebelde. Nunca mais escreveu. Prestou o concurso dos Correios. Sua função é distribuir escritos, dos outros.

Compartilhe!

3 Comentários on "Ataulfo e o taxista esquizóide"

  • paulo roberto vasconcellos diz

    Desculpa a burrice, mas não entendi porque o cara parou de escrever.

  • caro paulo

    foi divulgada uma pesquisa no fim do ano passado que relacionava os poetas, escritores e artistas em geral a um determinado quadro de esquizofrenia. Ataulfo preferiu não arriscar…

    Abraços,

    Adriano

  • O Raimundim tá ficando famoso e o dono da obra também. Identificação ou esquisofrenia mesmo?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *