Domingo – O dia da frustração nacional

Hoje é Domingo. Dia de dormir até mais tarde e, quem sabe, ainda pela manhã, dar uma boa navegada na internet. Dia de comer o macarrão da avó. Dia de freqüentar o clube com a família na parte da tarde. Dia de assistir Fantástico ou de ir ao cinema pela noite… Todavia, não sei o que fazer ou, a preguiça, com toda sua arte de persuasão me torna uma pessoa mais ociosa.

Dormir até tarde eu não arrisco muito, você perde muito tempo e há outras coisas mais importantes a fazer. Além do mais, o vovô acorda todos cedo, com sua respectiva televisão no volume máximo e a vovó lavando as panelas do jantar de Sábado.

Ainda é manhã e já li os jornais que gosto – na internet –, não li muita coisa, pois as matérias não estavam de bom agrado. Passei por umas páginas eletrônicas pessoais para tentar encontrar algum texto novo, uma tentativa frustada, não encontrei atualização alguma do dia. Li algumas páginas de um bom livro francês, parei, pois não estava com saco para tal coisa. Resolvi retornar ao computador para escrever algo — ao som de um bom blues de B. B. King –, porém a inspiração que necessitava não veio à minha mente.

Os escritores brasileiros não fazem fama, pois, precisam da pura inspiração. Fato como esse é irrelevante nos EUA, onde, independentemente de estar inspirado ou não, todos escrevem e fazem sucesso.

Ir à casa da avó, acho meio complicado, pois moro com ela. Dessa forma não preciso sair. Já comer macarrão, isso eu como durante a semana, tendo vovó dentro de casa, as questões alimentares se tornam mais fáceis e mais gostosas, e tudo que você quer, é feito com dedicação pela mãe da sua mãe.

O clube fecha cedo, talvez por isso não animo a frequentá-lo, pois necessito pegar o “bumba” — não que eu more longe, pelo contrário, moro muito perto – – devido a fatores urbanos constantes: violência, assaltos. E os ônibus, nesse dia, passam de hora em hora, tornando se assim o tempo mais curto.

Assistir fantástico nem pense nisso, há muito tempo, desde que descobri os livros, a internet e as revistas, não faço outra coisa a não ser ler. Deixei de ver novela e televisão no geral. Me tornei um amante das letras.

Com o GOL ( grande ônibus lotado ) passando de hora em hora, o Domingo se torna mais problemático. Sair, para socializar-se, é realmente um fato horrível, você precisa estar com muita vontade, fato não muito comum em quem estudou durante toda a semana – gente como eu. Ir ao cinema à noite então, uma irrealidade, pois fui na Sexta e peguei uma sessão preto e branco na TV no sábado. Além de tudo, não curto muito cinema dos dias de hoje, principalmente as produções norte-americanas, que se glorificam.

Portanto não há nada o que fazer no Domingo, é tudo apenas uma melancolia, um grande marasmo que assola a nação. Talvez, o primeiro dia da semana, preste somente, e somente para os bons poetas, que através da solidão dão vida as palavras. Fato que se repete também com os escritores da “verdadeira literatura”, pessoas que em dias de mansidão, se tornam mais capacitadas à escrever fatos úteis – não considerando um cronista, como eu.

Sem o que fazer no Domingo, acho que ficarei no meu escritório ouvindo um bom blues e, tentando escrever crônicas. Quem sabe assim, um dia me tornarei um grande escritor. Enquanto a inspiração não vem, ficarei isolado do mundo. Portanto, o Domingo é o dia da frustração.

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4 Comentários on "Domingo – O dia da frustração nacional"

  • margarida diz

    Anninha, bom te ver de novo no ar e cada vez melhor…

    Caminha, menina, caminha que o caminho é longo e cada passo repete um passo lá de trás, re-vivido hoje em algum outro ponto “avançado” do caminho.

    Beijos mil.

  • margarida diz

    Leonardo, me perdoa. Só agora descobri o erro. Esta mensagem era da Anninha, na crônica seguinte.

    Vou tentar corrigir.

    Boa sorte para você também.

  • É isso aí, isto sim é uma crônica que faz popular na cabeça das pessoas, este tal de Leonardo Goiano deve de ser um gênio para escrever esta crônica.

    Não é possível, se J.R.R. Tolkien um dia visse esta crônica ia começar a pedir conselho pra este Goiano e a autora do Harry Porter ia começar a chorar…

    É isso aí Goiano, continue assim !!!!!!!!

    Valeu

  • Fabrício Cruz diz

    Gente assim, crônica? Onde? Me parece bem mais uma página de um diário eletrônico. E não dá pra entender não tratar das grandes questões do ser humano é o estilo do autor?

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