Em las mechitas de jorge Luiz

Eu adoro ver televisão. Sempre gostei. Passo horas na frente daquela telinha luminosa, encantada, com o
cérebro no stand by. Para mim, assistir TV é dar as férias tão sonhadas para meus neurônios.
O problema é que eu adoro assistir aqueles programas que os críticos falam para a gente não assistir.
Aqueles que deveriam vir com uma tarja preta e um aviso: programa prejudicial para o bom senso geral ou
atração perigosa para cérebros pensantes. Que me desculpem os inteligentes mas nada como ver besteira
na TV… Eu já tenho carreira como espectadora de besteirol, com certificado MBA por Harvard. Comecei com o Bozo
(quem nunca torceu para o cavalo malhadinho, hein?) , passei pela Xuxa (“xabe como é, xente! Xuxu
Beleza!”), acompanhei o Chaves (foi sem querer querendo), me encantei com seu Silvio Santos (na época
do: lá vem a Flor, la, la, lalalalalá… Pedro de Lara, lalalalala) mas me encontrei mesmo como pessoa
nas novelas mexicanas. Atire a primeira pedra quem nunca viu! Posso citar aqui uma lista enorme:
Carrossel, Chispita, Alcançar uma estrela, Simplesmente Maria e as da Thalia (vi todas, sem
nenhuma exceção e tive a chance de perceber o desenvolvimento das cirurgias plásticas da tal…)
Contei tudo isso para justificar que uma tarde dessas, estava dando um mole aqui em casa quando sem querer,
mudei de canal e por um acaso peguei um capítulo de novela mexicana. Meu Deus do céu!!! Jesus Maria
José!!! Quem eu vejo? Quem? Digam? O galã mais canastra de toda teledramaturgia mexicana: o Jorge
Luiz… (Desculpem mas eu não sei o verdadeiro nome do Jorge Luiz, mas no meu pensamento ele sempre será o
Jorge Luiz).

Não acredito que vocês não sabem quem é o Jorge Luiz?! Bom, uma pequena explicação então: o Jorge Luiz é o
galã mais feio que a televisão podia ter revelado. Vocês sabem que apesar de novela mexicana ser trash, o
galã sempre tem um carrão. Tipo BMW, Ferrari, Mercedes… Pois é, o Jorge Luiz tinha um fusca
conversível. Não é sacanagem, é a mais pura verdade. Para piorar a situação, ele tinha um cabelo com um
topetão que disfarçava sua careca… Sei lá se esse topete era de verdade ou aplique, mas a tristeza é que
a cor do cabelo mudava de um capítulo para o outro. De loiro, para laranja, cor de milho, cor de burro quando
foge, acaju. Acho que o cabeleireiro da Televisa não conseguia acertar a tintura. Coitado do Jorge Luiz….

Nessa época, o Jorge Luiz fazia par romântico com a Thalia “Maria Mercedes”. Só que depois que ela
empeitou, começou a beijar uns galãs mais bonitinhos, mais fortinhos…E assim é a vida, depois que uma
empeita, só pega filet mignon. E o Jorge Luiz foi esquecido, passado para trás… Mas eu nunca tirei o
Jorge Luiz do meu coração… Pois então, voltando a história da novela que eu peguei por um acaso na TV… Eis que surge o Jorge Luiz na minha telinha numa cena super dramática: um daqueles flash-backs maravilhosos com voz over. O
Jorge Luiz pensa: “Porque ela foi me trair… Eu dediquei a minha vida inteira ao nosso amor… Porque
meu Deus, porque???? Ohhhhhhh”. O Jorge Luiz esmurra a mesa com cara de angustia fulminante. E então começa a
cena da lembrança: A mocinha (que é loira de olhos azuis, uma méxico-dinamarquesa) está dando a luz
quando de repente, não mais que de repente, nasce um nenê negro, (esclareço que o Jorge Luiz tem a pele
cor de leite) e óbvio que isso causa a maior crise.O Jorge Luiz acha que foi traído e a tal Cinderella
renega o filho porque segundo ela: “este destruiu sua vida e acabou com seu casamento”. Pois é, acreditem se quiser! Não é que no meio de um programa trash começa uma discussão sobre racismo!

Genial, não? Claro que a forma como a coisa é discutida é melodramática, mas o conteúdo não deixa de
ser pesado e interessante. Tem espaço para a irmã da Donzela fazer seu discurso: “Irmã, essa anjinho não
pediu para nascer… Além do mais, você sabe como Deus realmente é? Ninguém nunca viu Deus!!! E se ele for
de pele escura? A gente não deve julgar as pessoas pela cor da pele, afinal a alma não tem cor….”
Ops, esqueci de dizer que a novela tem esse nome-mensagem-moral-da-história “A Alma não tem
cor”… Simples, direto, todo mundo entendeu. Informação passada, comunicação efetivada!
Bom, para não deixar vocês querendo saber o desenrolar dessa história, eu que conheço o Jorge Luiz de outras
épocas já adianto as cenas dos próximos capítulos: Jorge Luiz começa a sentir amor paterno pelo nenê e
não consegue explicar porquê, a linda-loira Donzela descobre que na verdade e filha da empregada (Que é
advinhem? Uma mulher negra!), tudo se esclarece e Jorge Luiz, a Donzela e o nenê vivem felizes para
sempre, juntos, enfrentando a sociedade hipócrita, o preconceito e superando todos os dilemas afinal “a
alma não tem cor!”

*** Antes de colocar o ponto final eu queria mandar um
beijo pra minha mãe, pro meu pai, pro meu irmão e
especialmente pra você , Jorge Luiz (esteja onde você
estiver, saiba que eu te adoro)!!!

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2 Comentários on "Em las mechitas de jorge Luiz"

  • paulo roberto vasconcellos diz

    eu estava te acompanhando bem até o Chaves. Mas depois você começou a mexer com droga pesada.

  • Paulo diz

    Cara, já imaginou novela mexicana com trilha sonora do Karnak? Ia elevar o barato a um novo patamar!

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