Novela da vida quase real, parte II

Carlos Miguel sempre acordava na surdina, no meio da noite, em busca de seu pedaço de rapadura. Era seu prazer secreto. No caminho tropeçava em um ou dois móveis. Mas aí o susto. Ao chegar notou que elas estavam estranhamente dispostas. Olha e vê a luz verde.

– Quem são vocês?
– Marcianos! Viemos te abduzir e implantar um feto no seu útero. Imaginem uma voz robótica para esse parágrafo.
– Não, Não…

Penélope se levanta com os gritos.

– Que isso?

Carlos Miguel se debate.

– Estamos seqüestrando este homem.
– Ele não é meu marido!
– Sem problema, nós também não somos marcianos
– Ei, espera, tô te reconhecendo. Você é Felipe Daniel!
– É, hum… veja bem, somos profissionais, não atrapalha nossa missão.
– Não, você é sim, tira essa máscara, pilantra.

Carlos Miguel sem entender come rapadura. O outro marciano, muito menos, tira o feixe de prótons do bolso – ou seria do próprio corpo? – bem, ele só tira.

– Como você tem coragem de voltar aqui?
– Tá bom eu confesso, Marco Antônio sempre desconfiou que você o traia e pediu para dar um fim nesse aí.

Carlos Miguel olha A aliança no dedo de Penélope, ela era casada. Percebe que está sem a sua. O marciano também não tem uma.

– Ele vem comigo!
– Não, ele é meu!

O Marciano se assusta e acerta algo.
Precisamos escolher alguém. Hum, tá, ele acerta Carlos Miguel. Precisaremos de Felipe Daniel para o final. Pedaço de braço dele se desintegra, e sua aliança cai no chão. Daí, percebe que ela estava na mão direita. Ele era só noivo.

– Encontrei! Diz antes de morrer.
– Assassino! Grita Penélope.
– Piranha! Retruca Felipe.
– Bi, Buz, Blitz, tenta fazer contato o marciano.

Penélope enlouquecida pega um pedaço de rapadura grande e o engole. Ele entala e ela cai dura. Felipe Daniel se sente culpado pela morte da mulher do patrão e da antiga amante e se mata inspirando o pó ralo da sobra do doce. O marciano também tem um patrão e precisa levar alguém. Vê um desavisado e o leva…

Depois de 2 anos aparece Josildo grávido de gêmeos.

Renato Cabral, 22, é o dono disso aqui. No mundo real acha que é repentista de música evangélica. No virtual pensa que é um escritor e no ideal é um vagabundo mesmo. Já ganhou muitos prêmios e menções honrosas em concursos nacionais e internacionais por suas obras, mas vocês não precisam saber quais. Ultimamente remastiga suas inquietações em um sítio no interior de Minas. Na lancheira sempre: pão de queijo, guaraná 180ml e paçoquinha – duas – pois ajuda na criação e na procriação!

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2 Comentários on "Novela da vida quase real, parte II"

  • Rafael diz

    Renato, você comeu muita rapadura pra escrever essas coisas, cara.

    Isso um dia vai te fazer mal….hehe

  • Lu diz

    Adoro seus textos…..

    Você, realmente, deveria escrever mais e publicar mais!!!

    Abraços

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