Argentina x Inglaterra

De um lado, o jovem Michael Owen, 22 anos, segunda Copa do Mundo, ídolo do Liverpool. Do outro, Gabriel Batistuta, 33, maior artilheiro da seleção de seu país, um matador por excelência. Os dois craques foram reunidos para um bate-boca, quero dizer, um bate-bola rápido. Assunto: a antiga rivalidade entre Argentina e Inglaterra e a partida do dia 7 de junho na cidade japonesa de Sapporo.

Michael Owen – My dear, o que você acha dessa história de grupo da morte, hein? Todo ano é a mesma coisa. Ou melhor, de quatro em quatro anos a bobagem se repete.

Gabriel Batistuta – Oye, chico, até que para sua idade você já está sacando bem as invenções desse pessoal da imprensa. E olha que eles vivem reclamando que a gente só usa chavão nas entrevistas. É sempre assim, mal acaba o sorteio da Fifa e os caras já inventam um grupo da morte. Já encheu o saco.

Owen – Well, mas uma coisa é verdade. Lá em Sapporo vamos fazer o jogo da morte. Se o sir Beckham não se recuperar a tempo é bem capaz que a gente coloque um hooligan para jogar. Aquilo que vocês fizeram foi uma maldade, golpe baixo, an unnecessary punch, como diria meu amigo Lennox Lewis.

Batistuta – Futebol não é coisa para las chicas, baby. Se o maricón não segura a onda, não agüenta uma dividida, sorte de vocês que ele não vai à Copa. E a pegada foi pelas Malvinas, em lembrança aos 20 anos. Acho que você nem era nascido, não é?

Owen – Você está falando das Falkland Islands? Que aliás, leva o “F” no nome, como nosso grupo na Copa. Reparou? Esse nome que vocês inventaram é weird demais. Aqui no meu país só conhecemos as Falkland Islands. Eu era um garotinho mesmo, mas cansei de aprender na escola que os argentinos tiveram muito mais do que os pés quebrados naquela região do South Atlantic Ocean. Depois você me conta se é verdade.

Batistuta – Veja bem, não sou especialista em pés, mas posso contar uma história de mãos. Era uma vez um jogo de fútbol, em 1986. A pelota foi lançada à área, Dieguito le pidió a Dios una mano e o maior jogador que já pisou qualquer gramado do mundo, com a melhor seleção de todos os tempos, desclassificou a Inglaterra. E olha que nós somos humildes.

Owen – That was a robbery! Nem Ronald Biggs seria capaz de tanto.

Batistuta – Bom, falando em assalto, podemos relembrar a Copa del Mundo de 1966, se você quiser.

Owen – Vamos mudar de assunto. Ouvi dizer que a Argentina teve problemas com presidentes neste ano. É verdade? Se precisar a gente pode mandar a Margaret Thatcher para a Casa Rosada. Ela acabou de lançar um livro e está doidinha para mandar em algum país outra vez.

Batistuta – Não, obrigado, entre los abuelos da política preferimos o Menen. Por falar em idade avançada, eu nunca vi povo tão bobo quando o seu, que chora a morte de uma coroa de 100 anos a semana inteira.

Owen – You envy our glory. Qualquer argentino gostaria de ter, como nós temos, uma digna família real.

Batistuta – Dios mío, não repita essa palavra. Real me lembra câmbio, câmbio me lembra dólar e dólar me lembra peso. Aliás, uma nota de 100 pesos nunca esteve tão leve quanto hoje.

Owen – Nesse ponto we agree. Exchange também é uma palavra complicada na Inglaterra. Os vizinhos querem instalar o euro por aqui. Mas a libra vale muito mais. Essa eles vão ter que engolir.

Batistuta – Ya he escuchado essa frase antes. Não é outro chavão do futebol?

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5 Comentários on "Argentina x Inglaterra"

  • Rafael diz

    É …… vão ter que engolir…….swallow

  • Murilo Boudakian Moyses diz

    Jacaré, sua crônica é de outro mundo. Muito boa mesmo.

  • Jacaré diz

    Grande, Paulão!

    Olha, eu também não concordo. Mas a culpa é do sem-vergonha-puxa-saco do Volponi. Até ontem a assinatura dele estava lá. :o)

  • Paulo diz

    Jaca, não concordo com o seu texto inaugural, mas esse me fez morrer de rir. Desde já um clássico das crônicas esportivas! hehehehehe

  • Jacaré diz

    Ops, viajei, você falou do texto do Felipão, e não da introdução lá em cima, né? Entendido agora.

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