| :: cronistasleitores :::::: arquivo de crônicas :: em@il :: |
|
A Grande Musa - (01-06-2002) - por Fabiane Secches Cinco amigos intelectuais - ou quase - numa mesa de bar. É… o que você estava pensando? Intelectual também é gente sim senhor. E, afinal, ninguém resiste a uma boa cervejinha gelada, unanimidade nacional. O que não era e nunca foi unanimidade: a escolha da mulher perfeita. Então, cansados de falar sobre economia, polÃtica e até futebol, resolveram acordar os hormônios. Todos com mais de sessenta, com exceção do mais moço (como diziam) que completou cinqüenta e seis em novembro passado. Escorpião o bichinho. Danado que só ele! Mas vamos ao papo dos amigos, isso sim que interessa. - Pra mim, a melhor de todos os tempos será sempre a Grace Kelly. Ela sim é o meu tipo. Delicada, feminina, refinada… andar e postura sofisticados… não se fabricam mais mulheres assim. A não ser a Nicole Kidman, mas ainda acho que não dá para comparar. Eduardo não esboçou qualquer reação. Continuou calado e pensativo, olhando para seu copo de cerveja. Parecia excessivamente concentrado na espuma. Alfredo continuou, empolgado: - Voltemos à Gilda, meus caros. Ou Rita Hayworth, como dizem lá. Esta sim: canta, dança e ainda é boa atriz… não tem para mais ninguém. E ele estava sim, sendo sincero. Mais do que por amor a seu paÃs, Eduardo não conseguiria viver longe da televisão brasileira. Especialmente das novelas. Já até recebeu um convite para trabalhar na terra do Tio Sam, mas como sobreviver assistindo aos enlatados americanos? México nem pensar! As tramas eram terrivelmente artificiais e as mulheres então… nem se fala. A maquiagem horrenda. SaÃam da piscina ou do banho com os cÃlios emplastificados de rÃmel, finalizados com lápis e delineador. Ou, pior, já pensou ter que assistir à versão latina de “Vale Tudo”, sem Odete Roitman? ImpossÃvel. Mas é fato: a imortalizada Odete foi rebatizada e recebeu o nome pouco atrativo de… Lucrécia (as Lucrécias que me perdoem, mas Odetes são fundamentais)! Um absurdo! Um absurdo! Não, definitivamente ficaria com o Brasil. Nenhuma novela se comparava à s nossas… podiam até não chegar a um consenso sobre a musa daquela mesa, aceitaria até que a cerveja fosse importada da Alemanha, ou de outro paÃs menos tradicional… suportaria o sotaque português do Paulão e poderia trabalhar diante de seu computador americanóide. Mas as novelas… não, as novelas decididamente não. |
| :: |
|
Felipe - link - felipedepaulasouza@bol.com.br 26-06-2002 10:21
Muito legal. Parabéns! |
|
Daniel Trzesniak - drtrzes@cecm.usp.br 12-07-2002 01:03
Crônica muito divertida e bem escrita. |