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Sobrenome - (01-06-2002) - por Gisela Cesário O delegado estava pronto para iniciar o interrogatório. Pedro Alves, o acusado sentado à sua frente, tinha a cabeça baixa e olhar de quem já perdeu a esperança. Estava sendo indiciado por assalto a um supermercado. A voz grave e estridente do delegado o despertou: - Nome? O escrivão, que estava com pressa de terminar logo aquele interrogatório e ir ao shopping comprar o presente do dia dos namorados, olhou para o delegado sem entender o motivo de tanta pergunta. Imaginou que ele estivesse ficando surdo. - Ele disse isso mesmo, Doutor Menesbaldo. Só nesse momento, o próprio escrivão percebeu o que estava acontecendo. O acusado chamava-se Menesbaldo e o delegado também. Coincidência dois sujeitos com um nome esquisito daqueles. O Delegado estava abobalhado. - O senhor não pode se chamar Menesbaldo. O Escrivão, impaciente, interrompeu. - Olha não quero atrapalhar, mas que tal se a gente passasse para outras perguntas? Já estamos aqui há 20 minutos e eu só coloquei o nome do Menesbaldo. Pela Primeira Vez, Pedro Menesbaldo resolveu falar sem ser chamado. O escrivão revirou os olhos, incrédulo. - Não é possÃvel, Doutor, o senhor está se sentido bem? Para que saber o nome da mãe dele? Vamos logo com essa investigação. Pedro, que estava entendendo tanto quanto o escrivão, achou melhor responder logo. - O nome da minha mãe é Ana Clara Martins. O Delegado pareceu pensativo, olhou para o teto, ignorou a impaciência do escrivão e continuou. - Sua mãe é parecida com você? O escrivão teve vontade de pedir para ele descrever o cachorro, mas perdeu a coragem de fazer brincadeira diante da feição séria do delegado. - Senhor Menesbaldo, olha aqui, o senhor está liberado. O escrivão pensou que o Delegado tivesse pirado de vez. - Doutor, o senhor tem certeza do que está fazendo? O interrogatório nem começou ainda. O escrivão se levantou, tão confuso quanto aliviado, e saiu da sala pensando que o Delegado devia sair mais, senão tirar umas férias. Depois da porta bater, o Delegado sorriu para Pedro que lhe sorriu de volta. E foi como se os dois estivessem diante de um espelho. |
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Rafael - rafael@cronistasreunidos.com.br 11-06-2003 06:53
Gisela, |
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Juliana K. - juliana.k@terra.com.br 15-06-2003 06:52
Muito bom!! |
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Edinilson - tciedinilson@hotmail.com 23-06-2003 07:49
Como diria um velho fabricante de frases: “falou pouco, mas falou bonito!” |
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PlÃnio Volponi - plinio@hiperweb.com.br 06-08-2003 06:34
Que final fantástico! Retrata bem como é o mundo atual… |
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gisela - gisela@bmrio.com.br 01-09-2003 12:11
obrigada a todos que escreveram. Abraços. |