Uma Verdadeira Morcega

Em primeiro lugar, em total lugar, quero fazer uma reclamação contra todas rádios brasileiras que não pensam nas pessoas solteiras, ou “avulsas”, no sábado de madrugada, ou quase na calada da manhã. Ninguém pensa que uma pessoa só precisa ouvir uma música mais agitada para esquecer o ser que te deixou na depressão. Por causa disso que faço a seguinte reclamação:

O caso é de PROCON, preste muita atenção. Você esta vindo de uma balada – geralmente com uma amiga, ou prima, também jogada para as cobras, meio que, digamos, simpáticas, quando você percebe que a aparelho de CD do carro não esta funcionando, ou você não consegue ter o domínio de ligá-lo, ou você é pobre mesmo e ainda não tem aparelho no carro – quando você é obrigado a procurar uma música qualquer, de preferência animadinha, para terminar a noitada sozinha. Porque as pessoas avulsas são assim, tudo acaba em pizza, ou acaba naquele famoso: te ligo amanhã, ou seja, até nunca mais. Mas, vamos ao caso. O fato é que as rádios só tocam aquelas músicas deprê de madrugada. Você esta feliz, quer dizer, pelo menos por enquanto, não lembrando, naquele momento do traste que arrasou sua vida, que é um dos motivos pelos quais hoje a gente enche a cara, e aquelas músicas mela-mela tocando. É de tirar o sono de qualquer um. Pelo amor de Deus, será que ninguém pensa nas pessoas que precisam se distrair um pouco, por alguns momentos, pelo menos até chegar em casa. Custa tocar um It’s rainning man??? Aleluia!!!

Pensei na mesma hora em procurar o PROCON. Isso é caso de pegar o radialista que também deve estar de saco cheio, dormindo numa cadeira com o pescoço torto, e colocá-lo na cadeia. É uma situação que exige um processo sim, porque ele não esta honrando os ossos do ofício, que é trabalhar de madrugada e programar uma seqüência alegre, feliz, um samba de enredo, um Zeca Pagodinho, será que é pedir muito? Aí o que acontece? O traste vem diretamente e com uma velocidade incrível para dentro dos neurônios que ainda restam. É, os que restam. Os poucos que ainda não foram queimados trazem as últimas coisas que você não quer lembrar.

Neste último fim de semana fiz o teste da resistência do choro. Voltei de uma festa à fantasia, lindamente fantasiada de melindrosa, com uma pena vermelha na cabeça quando pensei comigo: até que horas essas músicas vão me perturbar? Quero ver se consigo manter a força em não chorar – evidentemente que o celular não estava em minhas mãos, senão, aí sim, seria eu quem deveria ir para a cadeia e não o radialista. E sob tortura ainda por cima. Passado um pouco o efeito do álcool, já quase oito horas da manhã, meu pai perguntou, o que você esta fazendo aí? Vai dormir dentro do carro? Não pai, estou esperando o vampiro que disse que vinha morder meu pescoço. Fui dormir feliz. Não chorei. Passei no teste da resistência romântica e sentimental de estar vivendo um momento de abandono. Acho que no sábado que vem vou virar vampira, ótimo programa.

Compartilhe!

1 Comentário on "Uma Verdadeira Morcega"

  • Juliana K. diz

    …e viva as solteiras!!! Abaixo Alfa FM…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *