Elevador

O elevador de seu prédio tinha a mesma rotina todos os dias. Subia para pegar o homem do 34, que ia trabalhar, a mulher do 31 saia correndo de seu apartamento, desesperada, gritava para o homem: “Peraí! Segura o elevador! Segura, moço! Segura que eu vou entrar!!”. Após descer, o tal elevador era logo chamado para o segundo andar, era a família do 22. Os três meninos iam para a escola e os pais iam trabalhar; “O elevador chegou!” gritava o filho mais velho. Eram pastas, mochilas, bolsas, casacos, sacolas, malas e lancheiras voando elevador adentro. A família se espremia enquanto o elevador subia – eles iam buscar a viúva que morava no apartamento de cima. A velha entrava de nariz empinado e com a coleira de seu poodle no pulso, como uma pulseira. Aquela miniatura de cachorro entrava latindo e mordendo as três crianças que via todo dia, naquele mesmo local, naquela mesma hora, todos os dias… Os seis desciam, havia um aviso na parede: “Este elevador agüenta só 6 pessoas, ou 420 kg”, com aquela senhora robusta lá, será que o elevado ia cair? descia para o 2, para o 1, chegaram. Ufa! Nada aconteceu! Ele, o elevador, depois de um tempo, era chamado pela mulher do porteiro, que subia para o segundo andar para fofocar com a empregada do 23. Ficava parado por alguns minutos, tinha pouco tempo para descansar, até o chamavam no térreo. Era a faxineira do 30 que ia subir para o serviço. No terceiro e último andar, ela encontrava com a patroa, que ia levar a filha ao berçário. Ele descia. O vizinho do 13 saia para ir ao clube, tinha que esperar o elevador subir de novo, pois ele estava parado no saguão. O homem descia. Ah… paz, o elevador podia ficar parado por algum tempo, isto é, quando a senhora do 33 não ia para o super mercado.

Aquele elevador de um prédio de três andares trabalhava sem parar, estava lá desde que construíram o prédio. Um dia, depois de pegar um menino, namorado da garota adolescente do 14, ele se enfureceu e gritou, para si mesmo: “CHEGA!! Essa vida de elevador cansa muito, enjoei, cansei, não vou mais funcionar!!”.

E ele cumpriu a sua promessa, a partir daquele momento, ele parou, desligou…

No dia seguinte, o zelador estava comentando com sua esposa: “Sabe, Jucemara, eu não sei o que aconteceu com esse elevador… ele quebrou de uma hora para outra! Já fiz de tudo, e ele não quer voltar a funcionar…!”. A mulher respondia, surpresa: “Nossa, nunca aconteceu nada com esse elevador antes… o que será que há com ele?”. “Não sei, viu; não sei…”.

O elevador, contente, sorria para o mundo, parado no primeiro andar, com suas portas fechadas, finalmente, paz e silêncio…

Os moradores do prédio começaram a andar de escadas.

Os dedos podiam ficar livres de apertar o botão do elevador e as pernas podiam se movimentar, em vez de ficarem paradas, em pé…

Todos já se acostumaram com a rotina, era um sobe-desce sem parar, mas era divertido encontrar com todo mundo nas escadarias. Estava tudo em paz, isto é, até um dia em que as escadas gritaram: “CHEGA!!”…!

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4 Comentários on "Elevador"

  • Rafael diz

    Pixa vida, Luiza, você deve ter sofrido muito com elevadores. Você mora em “casa”?

  • Luiza Wainer diz

    Rafael eu escrevi esta crônica porque eu gostei não por que moro em casa ou apartamento ok?

  • lala diz

    vc tem uma cronica pequena luiza preciso para 19/10/2012 por favor se tem me fala o saite que estar

  • lala diz

    vc tem uma cronica pequena luiza preciso para 19/10/2012 por favor se tem me fala o saite que estar

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