Meu Professor

Não sei se alguém já escreveu uma crônica sobre seu professor, aliás nem sei se isso é uma crônica. Apenas me senti tentado a escrever sobre essa figura de incrível unicidade que é o meu professor, ainda mais depois da incrível descoberta que tive hoje: – Meu professor come acarajé!

Não que o fato de comer acarajé seja algo fora do comum, mas dificilmente se imagina alguém como meu professor sentado em uma praça se deliciando com essa apimentada iguaria baiana. Aquela figura com um pequeno déficit de tecido adiposo, com os cabelos levemente escassos na testa, porém com volume na parte de trás da cabeça. Meu professor, sempre com seus óculos contornando seus olhos arregalados, sempre com camisas e calças que realçam seu “fino” porte físico. Ah! E sempre também com sua voz pausada, de fala elaborada, que em uma aula mais longa sempre provocaram sono em alguns (para não dizer todos) alunos.

Meu professor, que figura aquela! Esse homem que tem no seu vocabulário algumas palavras do “informatiquês”. Sempre dizendo que as pessoas necessitam se “formatar”, as pessoas são “editadas”, ou até mesmo “deletadas”. Talvez se dependesse da vontade do meu professor, uma comunidade vizinha à Universidade seria toda ela “deletada”. Aquele meu professor que tem mania de prever inovações do futuro, meu professor, que cheguei a imaginar que seria um andróide que dava aula e em seguida era guardado no depósito da Universidade sendo acionado sempre que se fizesse necessária nova aula. Esse sujeito esfíngico que jamais imaginei ver realizando o ato de comer acarajé. Você pode achar estranha minha surpresa, mas se você pudesse conhecer meu professor também se espantaria com essa revelação: – Meu professor come acarajé!

Após presenciar essa maravilhosa cena juntamente com minha namorada, ficamos os dois imaginando um pouco da vida do meu professor. Onde mora? Com quem mora? O que faz para se divertir? Gosta de música? Que tipo? Essas foram algumas das perguntas que passaram pela minha cabeça, mas mesmo encontrando todas essas respostas nenhuma irá se comparar com a minha descoberta: – Meu professor come acarajé!

Ver aquela figura degustar seu acarajé acompanhado de uma Coca-Cola (obs.: Ele até arrotou quando bebeu!!!!) foi um momento que ficará em minha memória por um longo tempo.

Mas não faça uma imagem ruim do meu professor, ele pode ser diferente, mas é boa pessoa. Porém sei que ainda chegará o dia em que revelarei uma grande história aos meus filhos: – O meu professor comia acarajé.

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8 Comentários on "Meu Professor"

  • Felipe diz

    Pô, gente! Ninguém me leu ainda…???Dá uma forcinha aí!

  • Felipe diz

    Obrigado!!

  • anninha diz

    Gostei muito do texto. Muito bem humorado e a descrição do seu professor está gloriosa. A do tecido adiposo e do informatiquês foram perfeitas.

    Adorei, Felipe!

    Manda bala!

    Seu professor come acarajé, arrota e deleta pessoas! Ele é humano! Aêêêê Um viva ao professor!*rs*

  • Murilo Boudakian Moyses diz

    Nunca vi a Tia Jurema comer acarajé. Mas mesmo assim a crônica tá ótima.

  • Sérgio diz

    Bacana esse texto. Vi o link no seu site e descobri pq fala em acarajé com tanta desenvoltura. Você é de ilheus.

    agora, a maior surpresa foi saber que estuda na UESC, pois eu dei uma palestra aí no começo de julho, foi no Seminário de Marketing.

  • Ao ler sua crônica lembrei do meu professor o Casarotto ele come acarajé e fez cocada e com tabuleiro e td… só que ele sempre esta de oculos escuros!!!

    tchauzinho!!!

    bjos!

  • Felipe diz

    Apareçam em meu blog: http://oseucronista.zip.net

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