Celulares

Acho isso uma coisa incrível – todo mundo tem celular. Todo mundo tem aqueles mini telefones sem fio que são levados na bolsa. O pior é que tem de vários tipos diferentes: com capinhas, sem capinhas, grandes, minúsculos, redondinhos, quadrados, fofos, estranhos, para jovens, para coroas, que vibram, que ficam parados, que pulam, com internet, sem internet, que toca música, que nem toca direito, coloridos, de uma cor só, que tem joguinhos, que só funcionam para receber e dar telefonemas, de modelos novos, de velhos, que abrem, que dobram, que desmontam, Motorola, Gradiente, Nokia, Startac, dele, dela, do outro, e de muitos outro jeitos.

Bom, tem todo mundo e daí tem eu. Eu e o orelhão. Claro, o orelhão. Todo mundo batendo papo nos seus celulares e eu procurando um orelhão. Eu uso o telefone público simplesmente pelo fato de que eu me recuso a virar um deles… um… bem, o que eles são mesmo? Uns celulentródofos. Isso. Eu me recuso a virar uma celulentródofa. Eu me recuso a ter que parar uma conversa para meter a mão na mochila em busca daquele treco que toca desesperadamente o “Last Resort” do Papa Roach (ele toca Papa Roach porque se tem que tocar, que no mínimo toque algo que não seja tão irritante como a musiquinha de marinheiro que tem no celular da minha mãe). Eu me recuso a ter que trocar a capinha para combinar com a roupa. Eu me recuso a ter que ficar numas posições patéticas para que o negócio fique com sinal. Me recuso de ter que emprestar o meu Lulinha (porque claro, ele precisa ter um nome que seja melhor que Céulo) para as amigas descelularizadas. Também me recuso a escrever mensagens com aquele teclado infernal que você precisa apertar uma tecla 15 vezes para sair a letra que você quer. E eu me recuso especialmente de ter que pagar a conta (que acreditem em mim seria gigantesca) no final do mês ou então de comprar aqueles cartõezinhos de recarregar o telefone pré-pago. Então pronto. Fica só eu e o Lhãozinho (Lhãozinho porque como não posso apelidar meu celular tenho que apelidar o orelhão).

Claro que eu até gostaria de ter um celular numas horas, como por exemplo para combinar um programa de última hora com as amigas ou para avisar para minha mãe me buscar. Mas para isso acho que as pessoas não deveriam ter um celular… elas deviam ter sim um chipzinho no cérebro. Um censor que capta todos os sinais de quando alguém está pensando em fazer/pedir algo a você: “Opa!! A Lubis quer combinar um programa!! Mas ela não tem dinheiro pra pegar um ônibus então vou ter que lhe dar carona.”. Mas não pensem que é só… Ah não!! Este chip também serve como uma agenda automática que você nem precisa saber de algo (como um aniversário, algo que precise comprar no super mercado, o nome daquela tal pessoa, etc) e ele já te avisa: “Amanhã tem o aniversário do Carlos… Quando você for comprar o presente dele, vê se não esquece de comprar batata, que acabou.”. Além disso, quem quiser, pode comprar um pacote muito popular especialmente para os jovens que faz você lembrar de fatos históricos e faz você saber todas as respostas matemáticas: “x13 + (675 : 43332) – y/1098 : -z + 234 . 4486236712 = 525,000093”. Outro spe-cial feature que você pode adquirir é tele transportação, que provave-lmente não precisa de uma explicação. Como esse chipzinho foi inventado por moi, o chamariam de Lubilar, Lulilar ou até mesmo Luizar.

Bom, mas daí teria um problema… Todos teriam o tal Zeelar (ou seja lá qual seria seu nome) menos eu. Eu me rebelaria, me recusaria, e voltaria a usar o bom e velho celular… Ou até mesmo o Lhãozinho, pobre coitado, esquecido com toda essa tecnologia.

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6 Comentários on "Celulares"

  • Rafael diz

    Poxa Luiza, também penso como você. Minto. Pensava. Hoje eu tenho um celular, mas tenho muito medo da dependência que estou criando dele. Você acha que isso pode ser contagioso? Muito bom o seu texto, parabéns.

  • William diz

    Comigo foi um pouco diferente. Tive um celular vários anos antes de ter um telefone fixo – que era um luxo aqui onde eu moro. Mas celular pré-pago tem daquelas coisas – ouve mais do que fala. Sempre falta grana pro cartão … Até que em 99 instalaram um orelhão na esquina, quase na porta da minha casa. Resultado: virou o MEU ORELHÃO. Era o meu telefone, mesmo sabendo que eu tinha que deixar toda a vizinhança usar. Botei até o meu cachorro pra vigiar, e evitar depredação. O caso de amor só acabou neste ano, quando finalmente o século XX (digo, o telefone fixo inventado por Graham Bell) chegou à minha casa, já no século XXI. O orelhão ainda está ali, na esquina, mas eu estou aqui, na internet.

    Parabéns pelo seu texto. Estou esperando mais da sua “verve”. Boa sorte!

  • Roberto diz

    legal

  • Roberto diz

    legal

  • Roberto diz

    muito legal

  • Thiago diz

    só li isso mesmo porque vc falou no papa roach… vila cucaracha!!!….rs

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