Estranheza

Carlos havia acordado com uma sensação estranha de alegria que não consegui saber o porquê de tudo isso. Há muito tempo estava sozinho, seus amigos haviam sumido, alguns inclusive haviam morrido de overdose ou por algum tipo de ato violento. Seu trabalho não lhe trazia nenhum prazer, seu gato havia desaparecido há duas semanas.

Mas como um germe que percorria suas estranhas aquela sensação ia se espalahndo pelo seu corpo e pentrando no seu íntimo. Seus lábios rasgados pelo frio esboçavam um sorriso meio atrapalhado e seus olhos emanavam m brilho desconhecido. De repente começou a se achar bonito.

Aquela sensação de alegria começou a despontar como um princípio de felicidade. A partir desse momento Carlos entrou em desespero. O que iriam pensar dele? Queria fumar e não conseguia: estava envenenando seu corpo. Queria beber e o mesmo pensamento lhe vinha a mente. Tento tragar uma dose de uísque barato e aquilo voltou na mesma velocidade que veio. Tentou drogas. Suas mãos não atendiam seu comando.

Correu para a rua. A vizinha, uma senhora de uns 70 anos que plantava violetas e distribuia santinhos para nos arredores como num passe de mágica sorria para ele. Desceu as escadas correndo enquanto escutava os pássaros cantarem ao fundo e no seu caminho pequenos filetes de um sol da manhã cortavam aquele corredor de forma quase poética. Chegou a portaria e o porteiro lhe dava um “Bom Dia Sr. Carlos” de forma que ele nunca havia escutado antes.

No seu caminhar atrapalhado e desconcertado, porém leve, bebês riam para ele, pessoas estranhas sorriam e o dia de certa forma bizarra, estava lindo. Foi quando encontrou Clara.

Ela estava lá, parada, seus cabelos ruivos ao vento, seus olhos azuis reluzentes e suas tatuagens adornavam seus ombros de uma forma singela e delicada… toda sua crise desapareceu. A razão de tudo aquilo estava 20 m a sua frente e sua vida a partir daquele momento tomava um novo rumo… só pensava em cruzar a rua e ir ao encontro da amada…

Nas capas dos jornais sensacionalistas no dia seguinte a manchete era: “Drogado é atropelado por ônibus em avenida da cidade”.

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4 Comentários on "Estranheza"

  • maria margarida cruz diz

    João, você é novo neste espaço, não?

    E parabéns, começou muito bem.

    Triste de doer, mas dizem os psicólogos da vida que você não sonha nada que não seja seu potencial. Acho que esta foi uma bela forma de você manifestar seu potencial de beleza e sanidade. Espero que escape do ônibus a tempo. Em sentido figurado, é claro, mas de verdade mesmo. Espero que escolha os “pequenos filetes de um sol da manhã” e tenhm ouvidos para escutar os pássaros e olhos para ver o riso das crianças e as tatuagens do ser amado.

    Continue a escrever. Vou ficar atenta.

  • Renato Alencar diz

    Muito bem escrito, lembrou-me Nelson Rodrigues, continue assim e fará muito sucesso entre os leitores deste site.

  • João Marcelo diz

    Obrigado a todos pelos elogios, acho que ainda tenho muito a crescer e a desenvolver como escritor…

  • anninha diz

    Sobre esta eu já disse tudo que tinha a dizer.

    Também acho que vc tem mto a crescer e a se desenvolver como escritor, John, por isso mesmo, pau na máquina!!!

    Bom te ver por aqui! Um orgulho!

    Bjo gigante.

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