Cornistas Esportivo

O pai recebe uma carta de seu filho que foi estudar na capital.”Pai aqui tudo é bonito, estou adorando o tempo que passo aqui. Tenho ótimas notícias, já decidi qual carreira irei seguir. Quero ser um cornista esportivo” assim começava a carta. O pai sentou no sofá e ficou tentantdo se acostumar com aquela idéia. “Mas que diabo é um cornista esportivo?” pensou o velho, começando a formular explicações para esta profissão. Talvez fosse uma coisa nova, que estava surgindo, coisa modernosa, não haveria de ser tão estranha assim lá na capital.

Tentou se acalmar com esta possibilidade. Mas pensamentos tenebrosos começavam a brotar: será que o cornista esportivo não era uma pessoa especializada em dormir com mulher de jogador? Se fosse assim, menos mal; pelo menos seu filho estava se dando bem, ele era o esperto de toda a história. Sorriu com satisfação. Seu filho iria enganar os grandes do futebol, quem sabe conseguiria fama. “Tá vendo aquele ali? Dormiu com a do Pelé ontem, fez um golaço” diriam os cornistas invejosos. Talvez se tornasse uma lenda no esporte. Começou a gostar da idéia, quem sabe essa coisa de cornista não fosse de todo mal. Mas algo assustador foi crescendo no seu inconsciente: e se o corno da história fosse ninguém menos do que seu filho? “Mas de jeito nenhum que eu deixo isso acontecer. Quem fizer isso com meu filho leva bala!” gritou o pai em fúria. Já podia até ver, “Pai ganhei o campeonato, achei três no armário, cinco em baixo da cama e dois no banheiro. Ah! Tinha uma na cozinha, imagina pai, até na cozinha! Foi uma goleada!”. Não tinha jeito, a verdade estava ali, seu filho seria o maior corno do Brasil.

Voltou a ler a carta, queria ver se achava alguma explicação para tudo aquilo – “Sabe pai, depois que eu li Armando Nogueira e Nelson Rodrigues, não tive dúvidas, queria ser como eles” – mas a coisa só complicou. O velho recostou-se na cadeira e ficou pensativo. Estava realmente intrigado com tudo aquilo. O Nelson Rodrigues ele até entendia, sempre teve uns livros meio esquisitos, com histórias cheias de traição e sacanagem; tudo bem, talvez ele fosse como o Pelé dos cornistas esportivos, o melhor de todos os tempos. Mas o Armando? Não, o Armando não. Foi a gota d’água. O pai já tinha decidido ir para a capital tirar essa história a limpo quando foi ler o final da carta. “Estou com saudades, um abarço de seu filho”.

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2 Comentários on "Cornistas Esportivo"

  • Anna Célia Dias Curtinhas diz

    Gostaria de fazer parte deste site.

    Como posso participar?

    Por favor, entre em contato comigo.

    Um abraço.

    Anna Célia

    Vitória – Espírito santo

  • malena diz

    OPAAAA! Alguém do ES!!!! Minha terra! Êhhhh!!!! É só clicar no “envie pra nós, no topo da página, em azul (não sou cronista , mas sou capixaba!)

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