| :: cronistasleitores :::::: arquivo de crônicas :: em@il :: |
|
Santo Homem - (14-01-2004) - por José Giolo Filho O dia não poderia ser outro. Nublado e quase frio, daqueles em que blusa é demais e camiseta é pouco. Sua lenda já ecoava na minha imaginação, num misto de medo e admiração. Houve quem dissesse que, certa feita, ao ser cumprimentado por um cidadão, o deixou com a mão estendida, sem resposta, em situação vexatória. Também se falou na sua habilidade com a arma, do modo em que abatia sua caça certeiramente, na junção da técnica e da parceria de sua cadela, a qual não me recordo o nome agora. Por falar em cadela, esse foi o primeiro motivo que fez eu ver o mito demonstrar sentimentos ao se emocionar pela recordação de quando sua companheira de caça foi vitimada por atropelamento. Os comentários ao seu respeito não param por aÃ: sabe-se que foi delegado numa época em que polÃtica fazia até vÃtimas, além de outras histórias que, de tamanha riqueza, não cabem nestas linhas. Mas o dia chegou, lá vinha ele em nossa direção, lentamente como se quisesse torturar-me a cada passo. Últimas recomendações de sua neta: _Não vá estender a mão! Tinha medo de que houvesse alguma rejeição por parte dele. Foi um breve acenar com a cabeça e nada mais. Confesso que, para o festejado encontro, senti-me frustrado, esperava algo mais. As conversas giravam em torno de assuntos, nos quais não havia espaços para uma interjeição minha ( temas familiares sempre são obstáculos aos recém-chegados ). Eis que, num gesto rápido, se dirigiu a mim e proferiu uma anedota, que diante da minha surpresa passou desapercebida. Sorri meio sem jeito e fui retribuÃdo. Daà em frente comecei a perceber outras virtudes da raça humana. Percebi que o indivÃduo hospeda em seu ‘mundo’ razões para seu comportamento, que possui um rastro e esse rastro é sua identidade. Num contexto, sua trilha se resume em ‘aprender a pescar e não somente dar ou receber o peixe’. Lições de polÃtica social que faltam a alguns próximos governantes. Ah! Já ia esquecendo, ele foi também locutor da Rádio Clube de Ribeirão, em tempos idos, em anos dourados. obs.: texto escrito em homenagem ao avô de uma pessoa especial que conheci. Uma lição de dinamismo num interior de tantos bixos preguiças…Seu nome é Santo. |
| :: |
|
malena - cmalena@hotmail.com 20-05-2004 12:32
bonito texto…pode gerar uma bonita história |