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MICRÔNICA [#7] - (27-04-2002) - por Glauco Mattoso Maio sempre abre com manifestações comemorativas e reivindicativas do proletariado, mas pouco se fala do chamado “campesinato”, mesmo depois de todo o barulho que o MST conseguiu espalhar. Em termos emblemáticos, celebra-se muito mais o martelo que a foice. Sem dúvida uma falha publicitária do movimento, cujo marketing tem se aperfeiçoado tanto, a ponto de furar o bloqueio israelense e visitar o QG de Arafat logo após ter invadido a fazenda presidencial sem que os serviços de inteligência tivessem tempo de abortar a operação. Mas sempre é tempo de mudar de tática e renovar a propaganda. Mesmo que a foice não seja um símbolo tão popular por aqui quanto a enxada, pode-se meter a foice alheia na nossa seara e criar slogans tipo “Briga de foice no claro” para ocupações diurnas com cobertura da mídia. Ou: “Mais vale ser martelo que bigorna, mas é melhor ceifar que malhar em ferro frio.” Por falar em lemas e dilemas, o movimento tem um belo pepino filosófico para resolver: é internacionalista (Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!) mas se opõe à globalização. Apóia os muçulmanos no Oriente Médio e os narcoguerrilheiros na América Latina, mas a lei islâmica condena traficantes à morte (exceto os papouleiros do Talibã)… Enfim, como as contradições e incoerências não são privilégio desta ou daquela ideologia, vale festejar o Dia do Trabalho, seja ficando sem trabalhar, seja trabalhando na luta contra o patrão que desfruta o feriado. Quanto aos lavradores, os palavradores como eu só têm a colocar, entre a foice e o martelo, uma pena em forma de espada, ou de alfinete, caso deste soneto do livro PANACÉIA: SONETO 370 SEM-TERRA Não há justiça agrária sem reforma, Marxismo primitivo, mas em forma: Revolução começa pelo campo No ar, só paira a histórica pergunta |
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