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MICRÔNICA [#8] - (07-05-2002) - por Glauco Mattoso

Quando Flávio Prado era repórter do Sylvio Luiz na TV Record, fez matéria comigo e me filmou cheirando seu pé, ao que Sylvio comentou no ar: “Pezinho que mamãe beijou, vagabundo nenhum põe a boca!” Na verdade, eu tinha dito ao Flávio que não quero beijar o pé do Sylvio (e sim do Serginho Chulapa, mas isto é outra história), porém o Sylvião não perdeu a deixa de elogiar a mãe, coisa que todo mundo, inclusive os árbitros do futebol, nunca esquecem, pelo menos quando o dia delas se aproxima. A recíproca, claro, é mais verdadeira ainda: até a mãe do João Gordo foi vista declarando ternura pela fofura do filhinho, tal como fez a mãe do Joey Ramone, se “gabbando” da belezura do seu baby numa entrevista. Excepcionais são casos como o do filme “Jogue a mamãe do trem” ou daquelas mães solteiras brasileiras que andaram jogando bebês vivos no lixo. O mais comum é a chantagem emocional de parte a parte, como naquela piada sobre a diferença entre a mãe italiana e a judia (a primeira diz ao filho: “Limpe o prato, senão eu te mato!”; a segunda diz: “Limpe o prato, senão eu me mato!”), mas todas as manhas são relevadas em nome do valor maior que seria o amor, materno ou filial. Tem gente, inclusive, que acha ser este o único amor possível e real, diante do qual não vou ser eu o estraga-prazeres a contestar. Portanto, aí vai minha homenagem a todas as mamães de vistas grossas, inclusive a minha, que não tem olhos mais cegos que os meus. O poema está no livro GELÉIA DE ROCOCÓ:

SONETO 325 MATERNAL

Xodó como o de mãe não tem igual.
Tem dó do filho mesmo se ele for
um Chico Estrela ou Jack, o Estripador.
Beijinhos dá no monstro mais brutal.

Da mãe mama e desmama um animal.
Um filho não quer só dever favor:
quer vir a ser do amor merecedor,
ainda que se incline para o mal.

Algumas mães são casca de ferida,
piores do que o filho que lhes puxa.
Herdar pendor materno é lei da vida.

O gordo é procedente da gorducha.
Político é rebento da bandida.
O mago é primogênito da bruxa.



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Rafael - rafael@cronistasreunidos.com.br • 07-05-2002 09:25

Belíssima homenagem. Sem perder o humor, é claro.

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