Nada como um dia após o outro…

Tem dias que simplesmente acordamos, não é mesmo? Mas tem dias que acordamos diferentes, sentindo estranho, que aquele não é o seu dia, que era melhor não Ter acordado ou que, talvez, nem ter nascido. Vou dar um exemplo claro e comovente.

Tudo começou no meio de um matagal, num claro e seco dia. Era só olhar o horizonte e ver aquela luz maravilhosa e dourada brilhando, multiplicando os infinitos raios solares. A brisa era lenta e calma, nem refrescava nem deixava aquecer. Seria mais um dia tranqüilo demais para ser verdade.

De repente, no meio da calmaria do campo me senti solto do meu corpo, parecia a morte, me senti puxado, perdido no meio de estranhos, sinceramente, parecia estar drogado. Tudo foi muito rápido, o mundo girava e não sabia mais se estava olhando para cima ou para baixo.

Não sabia que droga ela aquela, mas com uma série de acontecimentos rápidos me senti úmido e algo a mais, uma espécie de prisão dentro de mim mesmo, parecia que o mundo tinha se fechado e estava sentindo os efeitos mais alucinógenos de minha vida. A sensação era de estar preso dentro de um epicentro, sentindo toda a essência de um terremoto… péssimo.

Aquela droga tinha um efeito muito duradouro. Não conseguia sentir a minha vida novamente, tudo estava sinistro demais e cada vez mais eu me sentia num mundo de estranhos, naquela umidade terrível sob uma escuridão que parecia jamais passar. Depois de muito pensar tudo começou a ficar claro. A Terra simplesmente tinha parado de girar!!! Mas que óbvio! Estava na cara. Que droga que nada! A desaceleração provocou aquele choque, o terremoto e aquela mistura de estranhos que jamais havia visto e, para finalizar, parei do lado que o sol não batia… ufa, grande explicação! Seria noite para sempre!

Mas um dia não passaria tão devagar, acho que fiquei nesse estado por meses, quando de repente acordei. Que loucura, obvio que a Terra não parou, que não havia droga nenhuma nem meses… era só um sonho. Ei, mas não era possível, de repente tudo começou a se mexer novamente, comecei a me sentir oleoso, escorregando sem parar, sem equilíbrio. Isso não era mais um sonho, mas sim um pesadelo, dos piores, cadê o Fred? Já estou até imaginando aquela camisa verde e laranja… cadê você Fred?

Bom, de fato o Fred não apareceu, e me vi novamente feliz, num lindo, porém gelado, gramado. Mesmo com a sensação de ressaca, estava feliz. Parecia dia, era claro e luminoso… mas em mais um desses chaqualhões da vida (o que já estava ficando fácil de se adaptar) vi tudo se apagar novamente. Aliás, agora sim deveria estar no purgatório, meu corpo começou a se auto-corroer e vi dezenas de desconhecidos morrerem. Não agüentei a dor. Voltei a pensar que estava sob o efeito de drogas, porém no julgamento final, dentro de uma clínica de recuperação. Percebi depois de muito tempo, que estava tendo desmaios constantes, até que por fim, o pesadelo acabou.

Mas tudo não acabou de uma forma gloriosa não, o terror se espalhava pela lama que estava ao meu redor. Não via mais ninguém, apenas aquela lama e corpos, cheguei a ver conhecidos mutilados e praticamente irreconhecíveis. É claro, era um terremoto, só poderia ser – pensei novamente, mas já perdendo também a identidade, a não ser que eu fosse realmente um drogado sobrevivendo a um terremoto.

Finalmente, o pesadelo de verdade acabou, mas agora estou sozinho. Estou vendo a luz do dia novamente, o calor é predominante, e não falta água, só companhia. Apesar da lama, não poderia reclamar, mas apenas lamentar que sou apenas… um milho.

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1 Comentário on "Nada como um dia após o outro…"

  • Juliana K. diz

    Justo um milho?!?!

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