Comensalismo

Eu e meu primo Alex, Alex Sami (homenagem dos meus Tios Claudiomiro e Sandra Regina a Sammy Davis Jr.) tínhamos alguma afinidade. Nos dávamos bem quando pequenos. Bem, não nos dávamos tanto, mas tínhamos afinidade. Jogávamos super trunfo, pilotávamos o meu carrinho de controle (maximus), surfávamos de morey boogie. Dividimos nossa infância entre escorregões nos quintais da Vila Formosa e queimaduras nos pés nas ruas da Praia Grande. Não importava onde estivéssemos uma de nossas constantes e nada simpáticas práticas era brincar de excluir. Era muito divertido excluir. Nosso alvo era o meu primo menor, irmão de Alex Sami, de nome Erik, Erik Cley (homenagem a Cassius Clay, posteriormente conhecido como Mohammed Ali). Se estivéssemos em um lugar qualquer meu priminho sempre estava ali. Do outro lado. Alex tinha um ano a mais do que eu, Erik tinha três anos a menos. Tal diferença o qualificava para brincar com minha irmã Vanessa, só Vanessa, que tinha oito anos a menos do que eu. Hoje em dia eu mal vejo o meu primo. Alex. Já o outro é um dos meus melhores amigos. O Erik.

Houve um momento em que eu e o Alex trocamos o prazer de jogar videogame na Mesbla pelo desafio excitante (no melhor sentido da palavra) de espiar os trocadores da área de lingerie. Desde então eu e Alex começamos a nos desentender. Não que um dos dois discordasse da troca do Atari pela tara, mas foi nessa época que nossos caminhos divergiram. Ele se tornou fã do típico relacionamento duradouro com almoço de domingo na casa dela com o sogrão. Eu me contentava em almoçar ela.

Passei o resto da minha solitária e covarde puberdade fora dos excitantes acontecimentos familiares. Por volta do meio de 1998 minha mãe me pediu para dar uma carona (não mais de maximus) ao meu primo, aquele da homenagem ao boxeador. Fui buscá-lo quem diria na casa da namorada (angelical ninfeta). Percebi que não era só eu que havia mudado de seção na loja de departamentos. Ao resgatar o fedelho percebi que mais do que crescido ele estava, legal.
Trocamos idéias, risadas e elogios. Para a ninfetinha é claro.

Como numa canonização fui lentamente deixando este ser ex-excluído entrar na minha vida para deixá-la muito mais divertida e difícil. Divertida pela espontaneidade e graciosa falta de saber de típico adolescente. Difícil pelo que ele é. Bonito. O filho da mãe é realmente bonito, e olha que eu acho essa coisa de achar homem bonito uma boiolice desgraçada.

Residente do interior. Do Tatuapé. Vem todo final de semana pra minha casa. Já abre a geladeira, come aquele último pedaço de pizza que estava guardado pra mais tarde e reclama que não tem mais. Deixou escova de dentes no banheiro daqui de casa e se eu não tomar cuidado começa a deixar roupas. É quase um casamento, só que dormimos em camas separadas, não temos relações sexuais e ambos não levantam a tampa pra fazer xixi.

Hoje não sei viver sem ele, com seus erros gramaticais, mau uso de consoantes e vogais, sempre pronto pra atacar, para abordar. Fico bobo a sorrir, espero ele investir e as migalhas que sobrar qual peixe piloto vou traçar.

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1 Comentário on "Comensalismo"

  • Elienai diz

    O comensalismo

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