Eles um

Todos viemos a mundo para viver certo? Isto posto podemos dividir a ação de viver em quatro partes: Nascer, crescer, se reproduzir e morrer.

Estas quatro partes têm um objetivo básico: O Amor. O amor de nossos pais quando nascemos, os amores da adolescência enquanto crescemos (alguns falsos, alguns bêbados, alguns quase e um verdadeiro), o fazer amor e criar amor quando nos reproduzimos e o amor à vida quando morremos.
Particularmente os amores da adolescência são os que mais me fascinam. Talvez por eu ter acabado de sair dela, talvez por não ter encontrado o meu. Verdadeiro. Mas ao contrário de mim existem muitas pessoas da minha idade ou menos que já encontraram o amor verdadeiro. Eles se amam. E isso basta. Se completam, se divertem se juntam.

Eles são exemplo, símbolo da conquista e triunfo. Nos circundam, nós não verdadeiros, de singela ternura e inexplicável beleza. Bonitos. Como são bonitos. Ao acordar, ao adoentar, ao espirrar. Saúde. Transbordam saúde ainda que doentes pois o remédio está ali. A cura, a recompensa. Compensa. Se privam da tal chamada liberdade. Pra que liberdade se os vôos de procura terminaram. Começaram. A viver sua verdade. A verdade que leva ao próximo passo. Passo minha vez na adolescência pra viver a verdade desse novo caminho. Para a reprodução, para a evolução. Revolução em vidas genuínas e, amáveis.

Se amam. Ás vezes tanto, de tantas maneiras que não sabem mais como. Como amar ainda mais. Perguntam, pensam, dão tempo. Á cabeça, aos ouvidos, a saudade. A saudade aos poucos muitos toma conta de seu único indivíduo. Aquele que formaram. Aquele que fecundaram. Aquele ser único que perceberam ao se conhecer. Reconhecem que é impossível um indivíduo viver longe dele mesmo. Unitário. Indivisível.

Como em um conto de Shakespeare se reencontram. Em doces correspondências, tímidas, quase ingênuas. Falam. Escassas palavras. Doam gota a gota o oceano de sensações que se encontra dentro deles. Almas. Não gêmeas. Gêmeas são dois. Almejam mais do mesmo. Singular. Individual sofrimento de dois. Ainda se amam. Se amam. Amam. Amor próprio.

Saem de si. Na tentativa de novamente serem o outro. Não conseguem se fundir. Dois. Correm, pensam, correm. Sentem. Falta. Lembram que eles um deixaram de ser par. Não há mais salvação para esse casal. Ele já não existe mais. Ficou no passado
Restam partes. Quebra-cabeça. Quebram a cabeça e descobrem. Juntam as partes. Partes que não tem mais inteiro e só metade. Partes desse casal eu uma só pessoa, uma vida, um amor. Verdadeiro. Indivíduo. Partes. Todo.

Dedicada a um de meus irmãozinhos e minha cunhada preferida.

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