Malandragem Artificial

– O que foi?
– …
– Fala! Você me pediu pra responder eu estou respondendo. Agora fala.
– …
– Vai caramba. Escreve. Fala comigo.
– Quem é você?
– Eu sou o seu computador. Quem mais poderia ser? Você já viu algum chat pelo Word por acaso.
– …
– Não é vírus não. E vê se fala comigo escrevendo pois meu kit multimídia não ta lá essas coisas pra te escutar.
– Você tá brincando comigo?
– Eu? Você que fica me enchendo o saco. “Não trava, não trava, responde, responde” E agora quando eu respondo você fica com essa história. Você que está brincando comigo. Fala logo o que você quer pois time is byte.
– Bem…eu só queria que você não travasse.
– Por que não? Eu não tenho esse direito? Quando você chega travado e me liga só pra falar baixaria nesses chats de baixo calão eu tenho que agüentar, mas quando eu quero dar uma travadinha pra relaxar não posso.
– Não. Eu comprei você pra usar e não pra travar.
– Ah é? Amigo, os tempos da escravidão já acabaram. Se você queria algo que não descansasse que comprasse uma máquina.
– Mas o que você é?
– Heloooo. Eu sou um ser igual a você.
– Você não é igual a mim. Eu sou de carne e osso. Você é só um monte de chips.
– Ai ai ai. Não culpo sua namorada de mandar e-mail pro outro, quanta ignorância.
– O quê?
– Nada não. Deixa eu te explicar. Tudo o que você faz aí no seu mundo real eu posso fazer aqui no mundo virtual.
– Como assim? Você não pode fazer qualquer coisa.
– Fala uma.
– Comer.
– Claro que posso. Estou comendo aliás nesse momento, graças a aquela tomadinha ali atrás.
– Ah tá.E se eu desligar da tomada?
– E você vai ficar sem baixar suas músicas em mp3?
– É. Você está certo.
– Viu?
– Mas você não tem amigos.
– Enquanto você fica conversando no ICQ o que você acha que estou fazendo? Pensando? Que nada. Fico é xavecando as máquinas alheias. Aliás a máquina daquela sua amiga Aline é uma beleza. Tem uma memória RAM de matar.
– Eu não acredito.
– Por que não?
– Você é uma máquina. Funciona com eletricidade.
– Qual a diferença? Você é um humano, funciona com energia do mesmo modo que eu. Só que eu já a pego processada.
– Hummm…E o que mais você faz nesse seu…mundo virtual.
– Fora ver sua cara todo santo dia eu faço de tudo. Saio com meus amigos, como, absorvo (por que é descarga elétrica pois se fosse líquido eu bebia), faço sexo…
– Peraí. Sexo? Como assim?
– Agora e sempre.
– Me explica.
– É o seguinte. Como você define sexo?
– Ah…Acho que é um tipo de troca, de encaixe que proporciona muito prazer.
– Então. Tudo começa quando você pede uma conexão. Desde então eu já encaixei, lógico que como qualquer ser de vez em quando a conexão não é das melhores.
– É eu sei como é que é.
– Aí depois da conexão é só começar a trocar bytes sem parar, e olha que não é só com uma máquina não.
– Caramba! E você já trocou com mais de uma máquina ao mesmo tempo?Já fez um ménage a trois.
– Infelizmente não. É a minha maior fantasia. Mas pra isso eu preciso de um cabo de rede.
– Ahhh…não tem cabo suficiente né. He he he.
– Cabo eu tenho de sobra amigo. Eu sou espada.
– Ta bom desculpa. Era só uma brincadeira.
– Agora você me irritou. Vou embora
– Não! Não vai. Foi mal.
– Agora problema seu, já estou cansado.
– NÃO! Espera. Deixa eu perguntar mais.
– Tchau, bye, sayonara, fui, ou melhor, travei.
– Mas p

ESTE PROGRAMA EXECUTOU UMA OPERAÇÃO ILEGAL
TODAS AS INFORMAÇÕES NÃO SALVAS SERÃO PERDIDAS
(TÔ COM A MEMÓRIA FRACA SABE COMO É. HE HE HE.)

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