O Radar

Existe um dispositivo em nossos organismos que nem os maiores biólogos descobriram onde está. Ele provavelmente não é um órgão. É algo como a alma, que existe está em todos lugares mas em nenhum lugar definido. A alma sombria funciona como um detector. É um radar.
Todo radar detecta, este em especial detecta nossa própria casa.
Pense, reflita e você vai lembrar daquela vez. Daquela vez que você estava desconfortável com seu estômago e que por isso você se despediu daquela pessoa que não via há tempos, perdeu a última rodada de chopp e foi pra casa.

No caminho seu estômago mandava avisos, como se fosse um vídeo cassete apertando ff e rew. Dobram-se algumas esquinas, dobra-se a barriga e as coisas se acalmam. Mais algumas travessas e tudo começa de novo como se trocasse de um vídeo 4 cabeças para um de 8. O farol fecha. Você se estica quase batendo a cabeça no teto pisando na embreagem o casal do carro ao lado olha e você com toda educação afirma;” É eu estou com vontade de cagar mesmo e aí?”. Decididamente sutileza não é uma característica sua nesse momento. A situação já está drástica e seus olhos já buscam um boteco ou uma moita mais fechadinha. Surpreendemente a crise passa de novo. Um pouco mais aliviado você continua o caminho pra casa. As coisas parecem que vão dar certo. A alguns quarteirões da sua casa você chega a escutar alguém batendo na porta gritando: “DEIXA EU SAIR”. Ele entrou em ação. O Radar detectou a presença de sua casa e vai sacrificar seu caminho. Além de aumentar as crises ele interfere também em outras coisas, como o trânsito ainda que você more em um bairro geralmente tranqüilo, no portão da garagem que costuma ser rápido e outros. Uma vez na garagem as contrações se intensificam, quem sabe o banheirinho dos empregados, droga está trancado, maldito radar.

Você adentra o elevador correndo, se mexe irrequieto, andando de um lado para o outro, dando voltas naquele cubículo suspenso. O elevador surpreendemente para no 1o. subsolo, no térreo e no mezzanino. 1o. Andar. É você. Tenta abrir a porta, mãos trêmulas, cadê a chave, não acha o buraco da fechadura. Consegue abrir, a crise parece que vai explodir, corre ao banheiro, e tudo se resolve e um baixar de calças. O mundo novamente faz sentido, você ama sua sogra, problemas??? Que problemas??? Ufa. Foi por pouco. Mas será que da próxima vez o Radar não ganhará de você???

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