Eu, Murphy e a suíte número 02

Murphy. Bom era quando esse nome para mim não passava de um macaco de brinquedo que fazia barulho de foca quando você o apertava. Atualmente convivo com um Murphy muito mais complexo. Tem nome e sobrenome, Maldito Murphy. Alguns o chamam de Desgraçado, Cruel e daí para frente. Ou melhor, para baixo. Mas o segundo nome sempre é Murphy.

Ele mostra para nós que tudo sempre pode piorar. E como. De diversas maneiras comprovamos sua Lei, saindo da sua faixa e indo para a que estava andando. Estava por que parou. Te deixando na dúvida se você não tivesse trocado se ela teria continuado andando.

Mas existem dias especiais, onde parece que o mundo está colorido e feliz como na terra de Rainbow Brite. Onde tudo está dando certo. Para os outros. Você tem a nítida impressão que Murphy está só com você. Ele reservou todas as suas forças para a sua pessoa. E tudo, absolutamente tudo está contra você.

Tive um desses dias no último feriado. Longe de casa há mais de uma semana, horas e horas distante da minha cama cheguei em meu apartamento lá pelas 4 horas da madrugada. Estava chovendo, e fazia muito frio lá fora. Estacionei meu carro rapidamente e corri para meu apartamento. Procurando minha chave pelas diversas mlas que levei para a viagem, não achei nada além do aparelho de barbear que procurei o feriado inteiro. Corri para o plano de emergência já preparado devido a minha insistência em perder a chave. Passei a deixar uma chave reserva com o zelador. Subi para falar com o porteiro. Elevador social parado devido ao apagão, elevador de serviço trancado no térreo devido ao ladrão, pego a escada pra deixar de ser vacilão. Chuva fina e gelada na cabeça pra chegar até a guarita. Fiquei feliz ao saber do porteiro que o zelador estava de férias. Nem sabia que zeladores tiravam férias. Eles merecem.

Segundo plano de emergência, dormir no carro. Como não tenho carro e sim uma caminhoneta (Saveiro) não seria saudável para minha coluna.
Analisando minhas opções lembrei de uma explicação que meus pais me davam quando eu perguntava o que era um motel quando eu era pequeno. Eles empre me falvam que o Motel era um hotel ou hospedaria para se passar a noite, para viajantes em trânsito. Aurélio concorda com meus pais. Por isso lembrando da explicação dos três, fui para o Motel.
Peguei o rumo do motel Queens, o mais próximo a minha residência. Pra quem não conhece este está situado em frente ao aeroporto de Congonhas, bem próximo da onde caiu um bimotor esses dias.

Adentramos o Motel, eu e Murphy em minha caminhoneta. Suíte número 02, que apesar do número era a última do último corredor. Subimos demos de cara com uma cama. E mais nada, um chuveiro apertado num canto um aparelho de televisão a cores no outro e um espelho no teto. Tratei de ir logo deitando pois tinha pouco tempo pra dormir por sorte Murphy estava com dor de cabeça e não rolou nada. Me cobri olhei para o teto e vi a figura de um homem nu em uma cama de Motel sozinho sem a esperança de ouvir a frase “benzinho vem tomar banho comigo”. Após alguns minutos de frustração adormeci.

Lá pelas seis da manhã sai a primeira ponte aérea, e mesmo não a usando acho que nunca vou esquecer. Pois foi essa hora que eu achei que ia morrer. Você não tem idéia do que é um Foker 100 passando a uns 15 metros da sua cabeça numa área de tradicional e atual queda de aviões. O susto me deixou bastante esperto para não perder o horário. “O pernoite vai só até as 10:00”.

Fechando a conta da suíte número 02 a moça da guarita(do Motel não do meu Prédio) me perguntou se alguém estava na suíte, eu disse que não, Murphy já tinha ido embora.

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1 Comentário on "Eu, Murphy e a suíte número 02"

  • anninha diz

    Acho que eu tinha comentado! ACho que seqüestraram meu cometário!

    Adorei o texto. Muito bom mesmo.

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