– Juliana está tudo acabado.

Assim foi o brado retumbante de Roberto, 25 anos, arquiteto. Ele estava cansado, passado diria até amanteigado. A relação estava desgastada, o respeito mútuo tinha ido por água abaixo. Depois daquele fim de semana em Boissucanga as coisas não poderiam continuar.

– Eu acho o Rô e a Ju juntos tão lindos.
Assim foi a doce fala de Melissa, 22 anos, ainda não sabe. Ela sempre deu a maior força para os dois. Amiga inseparável de Mo(torola), 2 meses, celular. Sempre o usava para ligar para o Rô. Mas desde a última ligação não conseguiam mais conversar como antigamente. Ele não era mais amigo dela. Também depois do acontecido na praia como seria.

– Larga logo essa vagabunda.
Assim foi o grunhido alcoolizado de Mateus, 23B(por que 24 é coisa de viado), quase formado em Desenho industrial. Vai deixar de beber com os amigos pra ver uma mina? Ainda se for rolar um rala e rola quem sabe. Essas minas estão muito embaçadas hoje em dia. Ainda lembra das duas horas perdidas tentando algo com aquela mina do celular lá na praia. Mina fresca. Aliás que porcaria de fim de semana, pois o Roberto tava chato pra caramba. O Mateus teve que ir beber sozinho.

– Beto para com isso.
Assim foi a resposta controlada de Juliana, 25 anos, arquiteta. Ela acha que é besteira. Que tudo isso é coisa de convivência. Eles teriam que se habituar com esse tipo de coisa. Um ajuda o outro seja como for. Tem coisas que você só aprende fazendo a besteira.

– Mas como você foi falar aquilo?
– Desculpa não achei que você ia levar pra esse lado.
– Ainda na frente do Mateus.
– Ele nem viu, tava bêbado como sempre, você não viu que ele estava conversando com o abajur?
– Ele tava falando com a Melissa.
– Não depois que ele perguntou se ela curtia um sexo grupal.
– Tá bom, não vamos mudar de assunto, eu te perdôo, mas nunca mais me fala que eu devia ser cozinheiro.
– Mas o almoço tava tão bom.
– JULIANA!!!

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