Queria ser um pintor

O homem é patético. Já algum tempo tenho essa certeza. Certeza que começou na velha discussão da guerra dos sexos. Elas vencem. Sempre. Mas posso estender essa certeza à raça humana, pois analisando bem, todos somos ainda primatas. Temos computadores e telefones celulares mas continuamos precisando falar certas coisas olhando os olhos do destinatário.

O que mais me impressiona na pateticidade (se é que tal palavra existe) da humanidade são os relacionamentos.
Em 2000 e quase 2 anos de civilização moderna os humanos ainda não sabem exatamente o que fazerem em certas situações. Por exemplo, ninguém, e eu digo ninguém com a maior tranqüilidade de não estar equivocado, sabe como chamar um parceiro(a) que foi consolidado há pouco tempo. Você beija a pessoa num dia e não sabe se pode beija-la no dia seguinte, e nem mesmo no mesmo dia em caso de ter acontecido em uma madrugada. Você está com o parceiro(a) no dia seguinte e depois de muita indecisão vocês acabam se beijando. Indecisão idiota já que os dois queriam enlouquecidamente se beijar. Após este momento seu amigo que você não encontra há tempos te encontra naquele barzinho que você raramente vai. Você tem que apresentar seu parceiro(a) de algum modo mas tem um sério problema de intitulação. Amigo(a)? Não é muito pouco. Caso? Não é muito coloquial. Namoro? Não é muito. Então você resolve não arriscar e o(a) apresenta pelo nome. Sim é a melhor escolha mas dependendo do parceiro(a) você pode entrar numa enrascada, pois pode ser interpretado como pouco caso ou pior, ele(a) pode achar que você quis esconder que vocês estão juntos, e isso pode acabar com minha crônica por aqui. Mas não eu não quero, e aqui quem manda sou eu.

Ok, essa primeira fase foi superada e você está namorando. Parabéns!!! Agora você vive aquela paixão incontrolável, quer estr junto o tempo todo, pensa nele(a) o tempo todo e quer que todas as outras homens(mulheres) do mundo se explodam, com todo respeito é lógico. Você queria que ela viesse e ela veio. Tudo vai ás mil maravilhas e você pensa que não vai mais se enrolar com essa tal língua portuguesa. Mas não desligue ainda. Você ainda leva mais uma confusão fresquinha. Afinal, demonstrar todo esse sentimento não é fácil. O “te adoro” já é muito pouco para explicar esse estranho frio na barriga que te atormenta desde daquele dia mágico. Você tenta dizer que está apaixonado mas ainda não é o bastante. Você sabe exatamente o que dizer pra resolver este problema mas é difícil dizer. “Te você-sabe-o-que” expressa tudo isso. Aliás, a culpa é dele. Ele fez isso com você. Ele te deixou bobo a esse ponto. Ele fez você ver o quanto as coisas podem melhorar. Te mostrou que você não é mais tão auto-suficiente assim. E “você-sabe-o-que” te obriga a mostrar tudo isso. Então você tem uma idéia genial. Você não precisa ser tão claro assim. É só dar uma de artista e expressar tudo isso em uma obra. Numa música, num quadro, numa crônica. Por que eu não aprendi a pintar? TE AMO!!!

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7 Comentários on "Queria ser um pintor"

  • Renata diz

    Cara, isto ficou muito jóia! Muito meigo! Vivam os homens sensíveis (pelamordedeus não confundir sensibilidade com bichice, seus pitbulls!).

    Tem uma coisa a mais: e pra dar o primeiro beijo, hein? Me conta o que são aqueles instantes antes do primeiro beijo?

  • Renata diz

    Cara, isto ficou muito jóia! Muito meigo! Vivam os homens sensíveis (pelamordedeus não confundir sensibilidade com bichice, seus pitbulls!).

    Tem uma coisa a mais: e pra dar o primeiro beijo, hein? Me conta o que são aqueles instantes antes do primeiro beijo?

  • Renata diz

    Cara, isto ficou muito jóia! Muito meigo! Vivam os homens sensíveis (pelamordedeus não confundir sensibilidade com bichice, seus pitbulls!).

    Tem uma coisa a mais: e pra dar o primeiro beijo, hein? Me conta o que são aqueles instantes antes do primeiro beijo?

  • Renata diz

    Opa! Acho que exagerei!

  • Kris diz

    Primeiramente obrigado pelos elogios. Já sobre o primeiro beijo é melhor eu nem começar pois senão ia virar um livro…hehehe…

  • Anninha diz

    Se vc tivesse aprendido a pintar, provavelmente não teria desenvolvido seu lado escritor e isso seria uma puta perda.

    É melhor este lado que mostra o que é, que mostra a verdade, a fantasia, a confusão, as dúvidas, as certezas, as fases, o que passa lá dentro e o que passa aqui fora. Tudo isso na quase certeza de ser compreendido, um quadro nem sempre mostraria todas essas cores.

    O texto está maravilhoso, apresentar pelo nome é sempre a melhor saída e o “você-sabe-o-que” é bom, mas normalmente não precisa de palavras.

  • Verô diz

    Adorei,Amei…

    Sempre disse que você é criativo e talentoso, mas o que o torna mais especial é ser verdadeiro e sentimental…

    E eu concordo totalmente com a Anninha “acima”, o “EU TE AMO”, não precisa ser dito exatamente desta forma… alias existem diversas formas de se mostrar o significado destas palvras, mas depois que é dito tudo fica muito melhor! Parabéns… Vê.

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