11 por 7

Estou ficando velho. E não adianta fazer essa cara de “Mais uma crônica sobre esse assunto” pois você sabe o quanto essa questão aflige os cidadãos com mais de 20 anos.

Semana passada tive dias atarefados. Principalmente no hospital. Calma, não aconteceu nada comigo. Justamente pra isso estava lá. Fui fazer exames. Exames de velho.

Ressonância magnética, Mapa de pressão arterial e o tradicional exame de sangue.

Comecei pelo exame de sangue. Vejo que estou velho desde esse momento pois eu não estou com medo, afinal isso é uma coisa praticamente normal para mim. Sinal dos tempos. Sento e aparece a enfermeira. Ela tem a minha idade. É menor do que eu também. As agulhas também são menores e flexíveis. Não que eu esteja reclamando delas serem menores (as agulhas não as enfermeiras) mas isso tudo indica evolução. E eu aqui, olhando para meu braço. Ela diz que achou minha veia. Eu penso: “Aonde?”. Ok. O sangue começa a sair e é depositado em tubinhos multicor. Tudo esterilizado e descartável. Ela deixa uma pulsão no meu braço. Até então nunca tinha precisado de uma, nem ao menos sabia o que era. Mas todos sabemos. É aquele negocinho onde os atores-médicos engatam o soro nos filmes-hospitais.

Próxima parada, ressonância magnética. Uma palavra que no máximo me lembraria uma propaganda da Amil agora é meu destino.

Coloco uma meinha ridícula que parece de papel e um avental que com certeza é uns 3 números menores que o meu e vou para a prancha. A outra enfermeira que também é mais nova do que eu me diz que durante o exame não posso engolir saliva. Eu penso: “Isso é impossível”. Onde está o maldito sugador nessas horas? Entro na máquina e logo percebo que aquelas propagandas da Amil eram mentirosas. Aquele tubo não é um lugar agradável e muito menos espaçoso. Eu sou uma sardinha.
Descubro de onde surgiram as músicas tecno. Com certeza de uma aparelho de ressonância magnética. Sons eletrônicos, repetitivos e extremamente ALTOS.

Agora estou chegando ao fim. Da linha. Mapa de pressão arterial. Ok. É só um aparelho.
Medição de 15 em 15 minutos. Ok. Estou almoçando o aparelho funciona. Meu braço é esmagado.13 por 8. Estou no carro. Funciona. Esmagado. 13 por 9. Escritório. Esmagado. 13 por 8.

Vou dormir.

Estou na cantina do meu antigo colégio. Estou pelado. Todas as outras pessoas estão vestidas. O bedéu aparece horrorizado, tento explicar para ele que sempre tenho esse sonho mas ele nem presta atenção, me pega pelo braço. Esmagado. Cama. Esmagado. 14 por 9. Durmo de novo. Esmagado. 12 por 8. Esmagado. 12 por 8. 11 por 8. 11 por 7. 11 por 7.

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4 Comentários on "11 por 7"

  • anninha diz

    Passei mal de rir do bendito sonho!

    Adorei o texto, Kris.

    Pra variar, cômico. E o toque de diálogo com o leitor já desde o começo (“e não adianta fazer essa cara… questão que aflige os cidadãos com mais de 20”), como quem conta uma história deveras compenetrada entre um chopp e outro é bárbara.

    Gostei muito!

  • Rafael diz

    Poxa. Vc voltou mesmmo!Parabéns carinha.

  • Ai meu Deeeeeeeus! Vai explodir!

  • Marilene diz

    Cris ainda bem que não foi pedido exame de fezes ja pensou como seria naração … Beijos te adoro

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