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Bola ou Campo? - (11-10-2005)
- Vamos lá, par ou ímpar?
- Par ou ímpar não.
- Como assim, par ou ímpar não?
- Não gosto.
- Não gosta porquê?
- Não acredito.
- Não acredita em par ou ímpar?
- Não acredito. Não acho confiável.
- Como assim? São números!
- Por isso mesmo.
- São exatos, não existe chance de dar errado. Você coloca um número, eu outro, somamos os dois e vemos se é par ou ímpar.
- Mas quem disse que vai estar certo? Será que dois é par mesmo? Vai saber. Não confio. Se fosse simples assim…
- Mas é simples assim!
- Cara, você quer jogar ou não? Se ficar insistindo não vamos começar nunca. Já disse que par ou ímpar não rola.
- Tá bom, tá bom. Então o que você quer? Dedos?
- Como assim dedos?
- Não quer decidir fazendo Dedos?
- O que é isso?
- De que planeta voce veio cara?
- Porque?
- Ímpossível você não conhecer Dedos.
- Nunca ouvi falar.
- Bem, Dedos é assim. Cada um coloca um número, depois somamos eles, daí, pegamos o total e contamos esse número apontando para um de nós em cada número. Para quem estiver apontado o dedo quando acabar a contagem é dado o direito da escolha.
- Hummmm, não sei.
- Não sabe o que?
- Você vem com números de novo. Acho que deveria ser alguma coisa mais exata. Mas tudo bem vai…
- Hein…mas…deixa pra lá, vamos logo. Deeeeeeedos!
- …
- Porque você não colocou um número?
- Era pra colocar?
- Lógico. Quando eu falar Dedos você coloca um número.
- Ah tá.
- Vamos de novo. Deeeeeeeeedos!
- Aê.
- Deixa eu ver, você colocou quatro e eu cinco. A soma dá nove. Vamos contar. UM, dois, três…
- EI, EI, pode ir parando!
- O que foi, qual o problema?
- Porquê você contou o “UM” apontando pra cima?
- Porquê é assim que se faz.
- Aaahhh, você não tinha me falado isso!
- E que diferença isso faz?
- Toda. Não discuto, pratico nem decido quem escolhe por meios religiosos.
- Religiosos?
- É, você aponta pra Deus, faz sua rezinha aí com esse “Deeeeedos” e é favorecido…Tá na cara que é um ritual.
- Cara, você tá louco.
- Pode me chamar de louco a vontade, mas eu não mexo com esse tipo de coisa.
- Tá. Ok. Como você quer decidir isso então?
- Uma maneira sensata seria Jokempô.
- JOKEMPÔ?
- É! Papel, pedra e tesoura sabe?
- Sei, lógico que sei. Mas adultos não decidem as coisas no Jokempô!
- Porquê não?
- Oras, porquê é coisa de criança.
- As crianças fazem boas escolhas.
- Tá, tá, tá. Jokempô então.
- Vamos lá. Tá preparado?
- ….
- Não fica bravo. Jóóóóóókeeeeemmmmmpô!
- Aê, ganhei.
- Ganhou nada.
- Lógico que ganhei, papel ganha da pedra.
- Lógico que não ganha.
- Como não? Papel enrola a pedra.
- Grande merda.
- São as regras.
- Só se for no seu mundo lunático.
- Meu mundo lunático? Em qualquer mundo. Papel enrola a pedra.
- Se isso fosse útil mesmo ladrões do mundo inteiro iam largar as armas e começar a assaltar com um lençol. A pedra rasga o papel.
- Cara, numa boa, que seja. Você ganhou então. Escolhe o que você quer e vamos jogar logo.
- Não quer dar o braço a torcer mas sabe que está errado né.
- É isso aí, isso mesmo. Escolhe.
- Hummm….eu quero bola.
- Beleza eu queria campo mesmo.
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