Bola ou Campo?

– Vamos lá, par ou ímpar?
– Par ou ímpar não.
– Como assim, par ou ímpar não?
– Não gosto.
– Não gosta porquê?
– Não acredito.
– Não acredita em par ou ímpar?
– Não acredito. Não acho confiável.
– Como assim? São números!
– Por isso mesmo.
– São exatos, não existe chance de dar errado. Você coloca um número, eu outro, somamos os dois e vemos se é par ou ímpar.
– Mas quem disse que vai estar certo? Será que dois é par mesmo? Vai saber. Não confio. Se fosse simples assim…
– Mas é simples assim!
– Cara, você quer jogar ou não? Se ficar insistindo não vamos começar nunca. Já disse que par ou ímpar não rola.
– Tá bom, tá bom. Então o que você quer? Dedos?
– Como assim dedos?
– Não quer decidir fazendo Dedos?
– O que é isso?
– De que planeta voce veio cara?
– Porque?
– Ímpossível você não conhecer Dedos.
– Nunca ouvi falar.
– Bem, Dedos é assim. Cada um coloca um número, depois somamos eles, daí, pegamos o total e contamos esse número apontando para um de nós em cada número. Para quem estiver apontado o dedo quando acabar a contagem é dado o direito da escolha.
– Hummmm, não sei.
– Não sabe o que?
– Você vem com números de novo. Acho que deveria ser alguma coisa mais exata. Mas tudo bem vai…
– Hein…mas…deixa pra lá, vamos logo. Deeeeeeedos!
– …
– Porque você não colocou um número?
– Era pra colocar?
– Lógico. Quando eu falar Dedos você coloca um número.
– Ah tá.
– Vamos de novo. Deeeeeeeeedos!
– Aê.
– Deixa eu ver, você colocou quatro e eu cinco. A soma dá nove. Vamos contar. UM, dois, três…
– EI, EI, pode ir parando!
– O que foi, qual o problema?
– Porquê você contou o “UM” apontando pra cima?
– Porquê é assim que se faz.
– Aaahhh, você não tinha me falado isso!
– E que diferença isso faz?
– Toda. Não discuto, pratico nem decido quem escolhe por meios religiosos.
– Religiosos?
– É, você aponta pra Deus, faz sua rezinha aí com esse “Deeeeedos” e é favorecido…Tá na cara que é um ritual.
– Cara, você tá louco.
– Pode me chamar de louco a vontade, mas eu não mexo com esse tipo de coisa.
– Tá. Ok. Como você quer decidir isso então?
– Uma maneira sensata seria Jokempô.
– JOKEMPÔ?
– É! Papel, pedra e tesoura sabe?
– Sei, lógico que sei. Mas adultos não decidem as coisas no Jokempô!
– Porquê não?
– Oras, porquê é coisa de criança.
– As crianças fazem boas escolhas.
– Tá, tá, tá. Jokempô então.
– Vamos lá. Tá preparado?
– ….
– Não fica bravo. Jóóóóóókeeeeemmmmmpô!
– Aê, ganhei.
– Ganhou nada.
– Lógico que ganhei, papel ganha da pedra.
– Lógico que não ganha.
– Como não? Papel enrola a pedra.
– Grande merda.
– São as regras.
– Só se for no seu mundo lunático.
– Meu mundo lunático? Em qualquer mundo. Papel enrola a pedra.
– Se isso fosse útil mesmo ladrões do mundo inteiro iam largar as armas e começar a assaltar com um lençol. A pedra rasga o papel.
– Cara, numa boa, que seja. Você ganhou então. Escolhe o que você quer e vamos jogar logo.
– Não quer dar o braço a torcer mas sabe que está errado né.
– É isso aí, isso mesmo. Escolhe.
– Hummm….eu quero bola.
– Beleza eu queria campo mesmo.

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3 Comentários on "Bola ou Campo?"

  • HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAUHUAHUAUHAHUAHUAHUAHUHAUA. Estou sem fôlego….

  • Muito bem Mamute!! “Bobagem” muito bem discutida! Demais! rs

  • Thaís diz

    muito bom o texto amor.

    sempre adorei jokempô. velhos tempos de Alex Kid, onde a grande indecisão da vida era se ia conseguir comprar um helicóptero ganhando do gorila azul essa grande batalha. hehehe.

    te amo muito!!!! beijos

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