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Eu te amo! (e nem vou cobrar nada por isso) - (04-10-2005) O sexo vende. E muito. Milhões de sites de internet e a Rede Globo sabem muito bem disso. Mas e o amor? Não seria um produto negligenciado? Depende do tipo de amor. Temos claramente dois tipos de amor. O amor clássico é aquele legítimo, que faz rir, chorar, que abre a porta do carro e vai no estádio de futebol mesmo sem gostar. O outro é o verbalizado, aquele que é apenas falado, sem significado necessário, que decepciona, dá esperança, esquece de ligar e finge que está dormindo. O Amor, assim verbalizado está em alta, e o amor legítimo está em falta. Ainda que Adam Smith tenha nos mostrado que quanto menor a oferta maior a procura, o amor legítimo está tão ausente que já se tornou um tipo de lenda urbana. - Sabe o Rui? Como quem compra guia de cidades as quais nem sabe se vai visitar , as pessoas se conformaram com a verbalização do Amor, com a oferta de uma promessa de algo que não acontece, mas não deixa de ser desejado Amor como diria o povo, vende igual pão quente. O mercado é amplo. Historicamente, as mulheres são compradoras em potencial e os homens vendedores. É verdade que o mercado mostra uma tendência de inversão dos públicos. A troca é constantemente praticada também. Ainda que nem sempre os negociantes cheguem a um acordo: - Pati, eu esperei muito pra dizer mas acho que é a hora. O mercado é muito promissor. As aplicações são infindáveis. O produto tem atributos indiscutíveis. Não é perecível. - Você me ama môr? Tem grande potencial no atacado. - Mas você disse que me amava. O mercado paralelo também se aquece. Genéricos e similares são bem cotados no mercado. Diversifica-se para se atingir todo poder de compra. Por uma pechincha se consegue um “Gosto de você”, num investimento razoável pode-se obter um “Te adoro muitão” e apostando um pouco mais alto se fatura possivelmente um “Te adoro muito-muito-muito-muito-infinito”. - Mas já? Ainda existem poucos puristas que acreditam no legítimo amor, que invariavelmente se tornarão um grupo altamente restrito (algo parecido com os fãs de Star Trek). Não vendem seu Amor verbalizado nem pelas causas mais nobres. - E aí, já transou com ele? Observando tudo isso podemos projetar o Amor como a mercadoria do futuro. Quer premiar? Dê Amor. Não sabe onde investir? Ações de Amor. Chega sua fatura do cartão de crédito. Você olha seu programa de milhagem: “Parabéns, até esta data você acumulou 50.000 milhas, entre em contato com nosso SAC e efetue a troca por uma TV de 29 polegadas, um sistema de Home Theather ou uma declaração de Amor de um de nossos atendentes”. Vão sobrar TVs e Homes. O Amor estará finalmente na casa de todos que se dispuserem a pagar o preço. Logo, o ser humano não vai ter mais o que buscar, e sem propósito tende a parar, estagnar. O Amor estará banalizado. - Eu te amo. A esperança vai então residir naquele pequeno grupo restante, a ordem do legítimo amor, ou algo do tipo, com aqueles poemas estranhos e mania de pedir licença podem, quem sabe, devolver nossa esperança. |
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Thaís 04-10-2005 09:30
“eu te amo” acaba realmente sendo um ótimo jeito para quem quer conseguir as coisas fácil… hehehe. |
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José Ignacio - jicmendes@gmail.com 04-10-2005 09:40
Muito bom, Kris! Realmente, a milhagem de amor da população anda muito baixa. Acho que é porque estão procurando a coisa errada, nos lugares errados. Por isso, aqueles como nós, que defendem o amor genuíno, são desprezados pelo mercado. Ô luta! |
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Paulo - link 04-10-2005 11:16
You´re on a freaking winning streak here, maluco! Tesão! |
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Gabriela - link 04-10-2005 11:38
Profundo,hein? |
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Mafê - mafefurtado@terra.com.br 04-10-2005 11:44
Eu ainda acredito no amor… nesse amor genuíno, aquele que dói, mas que recompensa em pequenos detalhes… Ouvir “eu te amo” é mais do que bom, mas concordo com a Thaís, quando é sincero, quando vem lá de dentro mesmo, basta um olhar… ai ai… |
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José Ignacio - jicmendes@gmail.com 05-10-2005 06:50
Putz, os diálogos estão muito engraçados! |
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anninha 06-10-2005 10:23
fastástico o trabalho das palavra. |
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Rodrigo - rodrigo.monzillo@terra.com.br 09-10-2005 09:42
Concordo. Eu estou numa campanha para substituir a expressão banalizada “Eu te amo” por outra constituida de mais consoantes, com a profundidade que “LOVE YOU” tinha quando foi criada, por exemplo: Eu Zylisk vc! Ou ainda FYTQ TU! Já tentou falar palavras só com consoantes, é uma loucura… |