Chicleteira de família

Era uma dessas micaretas da moda. Todo mundo de abadá, todo mundo feliz, babado bebado, beijando. Depois de uma fileira de quatro amigos foi a vez dele beijar ela. Mulher sem nome conhecido, que gostava de chiclete com banana. Logo após o primeiro beijo amargo de cerveja, começou um daqueles amassos bem obscenos, mãos, línguas,calcinhas, tudo que tinha direito. Na primeira pausa pra tomarem um gole de qualquer coisa alcoolica a mão, ele perguntou:

– E aí? Com quantos caras você já transou?
– Ahn?
– Com quantos caras você já transou? Fez sexo?
– Que é isso moleque. Não te interessa!
– Claro que me interessa.
– Não interessa. Que horas te dei liberdade pra me perguntar uma coisa dessas?
– Na hora que peguei sua perna, tirei…
– SHHHH!! Não muda de assunto. .
– Me desculpe se te insultei, só faço isso pelo nosso bem.
– Pelo nosso bem?
– É. Pelo nosso futuro, nossos filhos, nossa casa, nosso faqueiro que nunca vamos usar.
– Peraí, peraí. Não to entendendo nada. Sobre o que você está falando?
– Estou falando sobre a nossa vida daqui pra frente.
– Como assim? Vai ser normal, como sempre foi.
– Isso é o que você pensa.
– Você está louco?
– Nenhuma loucura, é questão de raciocínio. Nós nos beijamos. Daqui a um mês, um mês meio te peço em namoro. Passam uns dois anos e resolvemos casar.
– Casar?
– Isso, e de branco né. Minha mãe é muito ligada nessas tradições. Com o tempo é natural termos problemas. Depois dos três primeiros anos entramos em crise e resolvemos que chegou a hora de termos um filho…
– Filho???
– Isso. Laurent. Metade da minha família tem descendência francesa. Ele é introvertido e gosta de bolhas de sabão. Mas os meses passam e nos mostram que que ser filho único traz muitos problemas de convivência, assim encomendamos o segundo…
– Outro?
– Isso. Hassan.
– Hassan?
– É, a outra metade é árabe. Hassan vai ser ótimo. Artista plástico e hiperativo.
– Que?
– Estranha combinação né. Também acho. Ele vai precisar de espaço. Dai compramos nossa casa no suburbio…
– Suburbio?
– É, como eles dizem nos filmes. É mais seguro morar no subúrbio. E o espaço é muito….
– Para, para, para. Você tá me deixando tonta.
– Desculpa, tentei tirar seu sutiã e acabei te jogando contra a caixa de som né?
– Não por isso. Quer dizer também.
– Bem, pra simplificar. preciso saber isso antes de começar a botar em ação o nosso projeto.
– Que projeto?
– O nosso. Nossa vida. O projeto Eduardo e ….e….
– Wanda.
– Eduardo e Wanda. Isso.
– Entendi. Mas me explica uma coisa, qual a importância em saber com quantos caras eu já transei para todo o nosso projeto?
– Toda. Você acha que eu me casaria com uma mulher promíscua?

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6 Comentários on "Chicleteira de família"

  • Rafael diz

    Paradoxos à parte, eu diria que você tem uma imaginação bastante fértil meu caro. Bem impossível essa cena não? hehehehe

  • Thaís diz

    HAHAHAHAHA. doeu até a barriga de tanto rir. como os parametros mudam devido ao estilo de vida não é mesmo? Bem engraçada mesmo. to rindo sozinha. Parabéns!!! Te amo!!!! beijos

  • Murilo Boudakian Moyses diz

    Apoiado!

  • diz

    Vou tentar me lembrar de perguntar isso da próxima vez.

  • Muito divertido mano! O nome e explicação dos filhos é impagável!

    COntina nesse ritmo, Mamute!Parabéns!

  • Mafê diz

    Fazia tempo que não lia as crônicas Kris, pra ser mais exata 1 mês!!

    E olha que não é difícil encontrar um doido na balada com um papo desses… boba ela que não deu corda, imaginem onde isso iria parar?? hehehehhehe

    Mas a que eu mais gostei das 4 que li para recuperar o tempo perdido foi O sexo das Renas, nosso grande amigo César sempre fazia comentários desse tipo, como não existirem Nathans fêmeas, lembra desse cachorro???

    Beijosssssss

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