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Carlinha - (18-01-2006)
- Conta da Carlinha Di?
- Então…Não tenho muito pra falar.
- Como assim? Dormiu com ela essa noite e não tem nada pra contar? Pode ir contando, quero todos os detalhes.
- Ah foi legal.
- Legal? Só legal? Que xôxo. Não tem nada de interessante para contar? Onde vocês foram antes? Como ela tava vestida? Foi romântico? Vai dar namoro?
- Que namoro o que! Ta doida?
- Ué, porque? Você dormiu com ela e tudo. Acho que não está querendo contar porque está apaixonado.
- Não é nada disso. É que não sei se devo te contar.
- Olha, se está falando nesse tom você PRECISA me contar. Que foi? É sobre você ter feito amor com ela?
- Então, na verdade acho que não dá pra chamar aquilo de amor.
- Aquilo? Porque?
- Olha…Vou te falar que estava muito mais para ódio.
-Nossa, mas porque? O que aconteceu?
- Foi assim. Tudo ia bem, o jantar foi usual, muito pouco rigattoni regado a bastante tinto. Combinação fatal. As coisas estavam funcionando, tudo como o planejado, fomos para um flat próximo, subimos no elevador embalados por beijos apaixonados.
- Apaixonados? Que lindo.
- É, mas de repente…
- Conta, conta.
- Quando entramos no quarto tudo se transformou. Ela fechou a porta com as costas, franziu a testa e me olhou com aqueles olhos?
- Que olhos?
- Aqueles olhos de quem quer dizer “Agora você ta fudido!”.
- Ai Di, que horror.
- Eu juro pra você. Não imaginava que ela era uma dessas.
- Mas o que ela fez? O que você fez?
- Ah, tentei agir com naturalidade. Entrei no jogo, encarnei o estilo selvagem.
- E deu certo?
- Nada, eu não sabia o que era realmente selvagem até ontem. Perto daquela fêmea sou apenas um bichinho domesticado.
- Caramba, mas o que ela fez de tão grave?
- Bem, ela tava cavalgando…
- Ai que coisa feia Diego!
- Ué o que você quer que eu fale. Ela tava cavalgando mesmo.
- Não precisa falar assim. Parece até que a menina é um animal.
- É que você não estava lá para entender.
- Tá, tá, continua.
- Então, a gente tava lá, no rala e rola. De repente, ela começou a gritar.
- O que?
- “ Vai, vai, vai”
- E?
- Eu tava até gostando. Adoro quando elas gritam. É o sinal que ou você está no caminho certo ou ela já desistiu de tentar gostar e começou a fingir. Mas ela não parecia fingir. Acho que dessa vez não. Porém, mesmo as coisas melhorando mais e mais, não estava preparado para o que estava por vir.
- O que?
- Ela continuou no vai-vai-vai por mais alguns minutos até mudar para “Vai seu filho da puta, Vai seu filho da puta, Vai seu filho da puta”.
- Meu Deus. Mas porque?
- Eu que sei? Não entendi nada. Achei até que poderia ter chamado ela de outro nome, porém nem tive tempo de perguntar. Logo após começar a me xingar, me meteu um soco na cara.
- Na cara?
- É. Bem aqui entre a bochecha e o nariz. E a desgranhenta é forte.
- Mas e aí? Você levantou? Foi embora?
- Não, não podia.
- Porque não?
- Uma porque a cada bofetada que ela dava, a cada xingamento novo, e lhe digo que a menina é muito criativa nesse sentido, ela ficava mais excitada. Duas porque ela não deixou.
- Caramba, que aberração!
- Não é?
- É.
- Mas o negócio é que ficou nessas. Depois do 7º assalto paramos com a luta.
- SETE ASSALTOS?
- Pra você ver. No final das contas tenho que admitir que curti o negócio.
- Gostou de apanhar?
- Olha, não é que eu gostei de apanhar. Não sou masoquista, mas ver o quanto ela gostava daquilo me deixou louco. Nunca satisfiz tanto uma mulher.
- É, sete assaltos não acontecem todo dia.
- Pois é.
- Vai ter repeteco então? Com a Carlinha Tyson?
- Não, engraçadinha.
- Porque não? Você gostou tanto?
- Ela não é meu tipo.
- Porque?
- Ela joga Futebol.
- E daí?
- Sabe como essas mulheres são, muito machonas.
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