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“Ooh, this ti – me…” - (08-03-2006) Já era hora, o rádio relógio começou a assoviar o riff de Patience dos Guns and Roses. Lentamente ele abriu os olhos, encolhido no lado direito da cama. O resto era dela. Começou a levantar enroscado nos panos brancos. Lençóis, fronhas, colcha. Sentou no limite do colchão, cotovelos sobre o final das coxas, palmas das mãos acolhendo o rosto amassado. Nem olhou para trás, sabia que ela não estava lá, sentiu o cheiro de café com leite vindo da cozinha, ao que parecia. Arrancou-se da cama, abriu a janela, instantaneamente se banhou de sol. Ela adora o sol. Começou a recolher as roupas do chão, só as dele. Sorriu quando viu o retrato sobre a mesinha redonda no canto do quarto perto da cortina. Os três porta-retratos de tamanhos e formatos diferentes iluminados pelo dia mostravam os registros de três viagens diferentes. A primeira, a mais antiga, mostra o casal num apartamento de praia, ele agarrado a ela, os braços entrelaçados na cintura, a boca beijando o pescoço no lado esquerdo, sem camisa, sem vergonha. Ela, cor de maçã, com um chapeuzinho de surfista azul e amarelo, ficam feios em qualquer pessoa, nela perfeito. Ela tem o braço em volta do pescoço dele e o outro esticado segura a câmera. O alarme não para de tocar. “Just a litlle patience…yeeeaahh”. Dá as costas para o dia, atravessa o quarto amarelado, pisa nas sombras formadas no chão com leveza, como se não quisesse tirar nada do lugar. Escova os dentes, a dele azul, a outra rosa. Assim com as toalhas penduradas atrás da porta. Enxuga o rosto e segue seu faro. O cheiro de café não passa, está impregnado no seu cabelo, na sua calça. Cruzando o corredor, pisa duro na passadeira desalinhada que ganhou de alguém. As paredes cheias de quadros tortos provenientes de sua fase artística. A sala nem se nota, apenas um amontoado de objetos indefinidos. O que essa mulher tem na cabeça. Não vê a bagunça que fez? “ Yeah, yeah, well i need you”. Percebe a cozinha quando o chão gela seus pés. O gelo sobe até o pescoço passando pelo estômago e coração. O cômodo está vazio, a louça dorme na pia, ignorando o escândalo dos passarinhos, a mesa, coberta por uma toalha azul e laranja, sustenta um saco de pão vazio e migalhas espalhadas por toda a extensão. No canto da pia um nicho intocado, bem de frente pra janela. Abre a geladeira cheia, tudo vencido, só o pó de café não pereceu. A porta da cozinha fica logo ao lado, ele abre e em seu tapete está uma garrafa de leite. De vidro, daquelas antigas. Ao trazer para dentro o braço descuidado esbarra no canto da mesa. A garrafa cai. Junto, ele. |
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Thaís 08-03-2006 03:13
nossa, excelente! entrei nos sentimentos dele. sentir saudades é mesmo muito ruim. e você conseguiu passar isso muito bem. parabéns! |
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Murilo Boudakian Moyses - murilo@cronistasreunidos.com.br 08-03-2006 11:31
Eu hein! |
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Rafael 08-03-2006 12:20
Experimentação ……..éééé!!! |
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Anonymous 14-03-2006 10:51
Meu… estou impressionado! |
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Zé - link 14-03-2006 10:56
(Esse foi meu também.) |
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malena 15-03-2006 02:59
esse momento é muito triste mesmo…nossa…muito legal |
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malena 15-03-2006 02:59
esse momento é muito triste mesmo…nossa…muito legal |