Livros, Privadas e Dois Vermes Fumegantes

Só no bar as coisas bestas da vida tomam ares de discussão filosófica com propriedade. As mesas próximas, o chopp contínuo e a catarse coletiva legitimam qualquer tipo de embate. Este estabelecimento único presencia as maiores perdas de tempo da humanidade e ainda assim lhes dá o título de válidas.

Numa mesa fictícia composta por seis rapazes nos seus vinte e vários anos as inutilidades intelectuais se alternam, indo da literatura sanitária até um mundo de cuecas.

– Eu levo livro pro banheiro sim.
– Que desrespeito!
– Olha ele nunca reclamou. Fico sentado horas lá e olha….nunca nem quis discutir a relação.
– Você vai ver na hora que pegar alguma doença.
– Que doença?
– Algum tipo de verme sei lá, fica com esses livros abertos no banheiro pra você ver, suas páginas devem estar infestadas de bactérias nocivas.
– É verdade, bem lembrado, obrigado por me avisar, assim nunca mais vou passar meus livros na cara.

Ás vezes você pode ter a impressão de que algo de realmente importante vai brotar de determinado assunto. Colocações cheias de reflexão, argumentos sólidos, opiniões firmes. É só impressão mesmo.

– Sou contra o “juntamento”.
– Contra o “juntamento”?
– É! Essa história de morar junto. Não concordo. Ou casa ou namora. Não existe esse negócio de “eu pego minhas coisas, você pega as suas e vamos morar juntos”. Tem que haver cerimônia, benção do padre, assinatura em cartório. Sem isso não vale nada. Não leva a lugar algum. O “juntamento” é uma instituição falida.
– Você fala como se os casados no papel se dessem melhor. Tem maiores complicações legais, custos altos de festa, sendo que o efeito é o mesmo na vida prática. Não precisamos viver com o fardo de “se casar”, vivemos como sempre vivemos.
– Mas cara, quando você junta os amigos não tem festa pra aproveitar.
– Você é um egoísta mesquinho.
– E também deixa de ganhar presentes.
– …

O ápice de qualquer debate de mesa de bar é a D.R. Discussão de Relacionamentos. Por anos esse tema freqüenta as bocas dos humanos e nem ao menos uma vez chegou-se a uma conclusão definitiva.

– Olha, se acontecesse um cataclisma que dividisse o planeta em duas metades. Toda a raça masculina ficaria de um lado e a feminina do outro.
– Que coisa impossível.
– É só uma premissa para eu expor minha idéia. Assim teríamos um mundo só de homens e um só de mulheres.
– Que idéia estúpida. Um mundo só de homens. Pra que?
– É só uma suposição para a pergunta que vou fazer.
– Faz então.
– Qual mundo você acha que daria mais certo? O dos homens ou das mulheres?
– Nós teríamos vídeo-game?

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8 Comentários on "Livros, Privadas e Dois Vermes Fumegantes"

  • Thais diz

    “nunca mais vou passar meus livros na cara” hahahahaha. muito boa!!!

    olha, realmente dificil saber qual mundo seria melhor…. acho que o dos homens. nós mulheres iriamos nos matar em 5 dias. hehehe.

    te amo. beijos

  • diz

    Que delícia! Trouxe tantas recordações boas! Só não consigo mais lembrar quem era a favor do que…

  • Murilo Moyses diz

    Egoísta mesquinho é a sua avó! Aquela simpática senhora distinta.

  • Rafael diz

    Ah! quantas conclusões que se tiram em uma mesa de bar!!!!

  • Van diz

    Estas quintas rendem, hein???

  • Aline Tieppo diz

    Deve ser por isso, Van, que o Paulo chega para mim toda sexta-feira e diz: “Meeeu, ontem foi a-ni-mal!”. Rendem, gata, rendem crônicas e mais crônicas! :)

  • Com video-game eu voto nos homens!

    (droga … confessei!)

  • Murilo diz

    Alguém aí falou alguma coisa sobre cabritas? Não. Ah. Ok.

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