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O que te importa? - (07-06-2006)

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?
- Boca torta!
- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?
- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.
- Eles usavam mesas de isopor.
- Esse é o charme.
- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?
- Como assim o que me importa?
- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?
- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.
- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.
- Muitas coisas.
- O que por exemplo?
- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.
- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.
- Coisas que eu possua?
- Isso.
- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.
- Tudo mesmo?
- Tudo.
- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?
- Sim.
- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?
- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.
- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.
- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.
- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.
- E porque supõe isso?
- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!
- Não fala assim, deficiente auditiva.
- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.
- Ela gostaria de me ouvir tocando.
- Você nunca tocou aquele piano.
- Mas eu poderia tocar.
- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.
- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.
- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?
- Que mala?
- Uma mala qualquer, genérica.
- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.
- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?
- Ahhh tá. Porque não falou antes?
- O que?
- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.
- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?
- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.
- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.
- Mas porque só numa mala?
- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.
- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.



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Anonymous • 07-06-2006 01:23

Sei como é difícil se separar de um piano… Mas, como ele tem rodinhas, daria para botar as coisas em cima dele e empurrá-lo pra fora do incêndio!

Thais • 07-06-2006 05:56

escolheu o objeto mais fácil de levar mesmo. hehehe. mas eu entendo. tenho coisas que não uso, e mesmo assim adoro.

muito engraçado o texto.

te amo. beijos

malena • 08-06-2006 03:55

engraçado…sempre fico pensando nisso: em caso de incêncio no apto ou algo assim o q eu levaria numa mala…meus gatos, meus documentos e fotos. hehehe.

Anonymous • 03-07-2006 05:55

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

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O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

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O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

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O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

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O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

Visite também o Arquivo de crônicas.

:: recomende :: comente este texto ::

O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

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O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

Visite também o Arquivo de crônicas.

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O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

Visite também o Arquivo de crônicas.

:: recomende :: comente este texto ::

O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

Visite também o Arquivo de crônicas.

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O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco, dane-se, a velha é surda.

- Ta, ta. Voltando ao assunto. Deixa eu reformular a pergunta pra facilitar pra você. Se pudesse levar da sua casa apenas uma mala, o que colocaria dentro?

- Que mala?

- Uma mala qualquer, genérica.

- Tenho que saber o tipo de mala. É grande ou pequena? Tem bolsos laterais? Rodinhas? Se tiver rodinhas dá pra levar coisas mais pesadas, ainda que uma hora ou outra você acabe capotando a coitada numa emenda da calçada.

- Uma mala cara. Normal. Quadrada, de zíper. Samsonite, sei lá. Tá tão difícil de entender?

- Ahhh tá. Porque não falou antes?

- O que?

- Que era uma Samsonite. Agora entendi, você está falando de uma mala mesmo. Dessas genéricas.

- Mas…eu….droga. Isso, uma mala dessas. O que você levaria?

- Pra quanto tempo de viagem? O lugar é quente ou frio? Neva? Se nevar, levo minha bota de neve, comprei aquela vez que fui pra Bariloche, nunca mais usei.

- Tanto faz cara. Não to falando de uma viagem. Faz assim, imagina que sua casa está pegando fogo, você tem muito pouco tempo pra sair, tem que escolher o que vai salvar do seu apartamento, só pode levar coisas dentro de uma mala.

- Mas porque só numa mala?

- Porque sim. Porque sim cara. Porque essa é a pergunta. Só quero saber isso, o que levaria na mala? O que é mais importante pra você? Que tem mais significado? O que faria mais falta na sua vida se ficasse pra trás? O que salvaria das chamas colocando na sua mala.

- Bem, pensando agora, com calma. Acho que o piano.

Crônica da Semana

Estréia

- Que horas são?

- 14:57

- Ainda?

- É.

- Esse tempo não passa!

- Porquê a pressa?

- Preciso pegar a Ana ainda antes de encontrar com a galera.

- Vão assistir juntos?

- Não vou deixar ela na aula de Mandarim e depois vou pro jogo.

- Hein?

- É lógico que vamos assistir juntos. Vamos todos na casa do Tibério. Ele tem uma plasma de 42, comprou três barris de chopp e possui uma irmã que é de outro mundo.

- De que adianta? Você vai estar casado!

- Não adiantaria nada nem se tivesse solteiro. Ela é só pra olhar mesmo.

- Ah sim, paisagem.

- Isso.

- E falando em namorada. Como foi ontem? O que você fez?

- Como foi o que?

- O dia do namorados ué. Você não comemorou? Tinha falado tanto do seu primeiro dia dos namorados casado.

- Ah sim. Comemorei sim.

- O que fez?

- Fiz um jantar pra Ana. Um risoto que ela adora, um vinhozinho, rosas. Aquelas coisas sabe?

- Sei sim. Pô, deve ter ficado bacana. E a trilha sonora?

- Que trilha sonora?

- A música. Não colocou uma musiquinha de pano de fundo? Um jazz relaxante, um lounge climinha?

- Não, a TV tava ligada.

- Hein, mas como assim?

- É, tava sem música, tava vendo TV.

- Mas cara, puta jantar romântico, super astral, tudo perfeito e você assistindo TV?

- Ah, qual o problema?

- Qual o problema? Você acha que ela gostou disso, ver o namorado assistindo TV no momento em que ela deveria a coisa mais importante? Ela não reclamou?

- Não que eu tenha percebido.

- Não dá pra acreditar numa coisa dessas. Ela deve ter ficado puta.

- Será?

- Porra!

- Mas acho que ela estava assistindo também.

- O que estava passando?

- o VT de Itália e Gana.

- Futebol ainda? Cara você mandou muito mal.

- Será? Nem pensei que ela poderia não gostar. Afinal, a Itália é potencial adversário do Brasil na próxima fase.

- Você é louco cara.

- Bem, se ela ficou puta já deve ter esquecido. Hoje comemoramos e fica tudo bem. Ela não conhece o Tibério, e nem gosta muito da irmã dele, mas, nesses momentos qualquer lugar é lugar.

- É, mas só vai comemorar se o Brasil ganhar né.

- Nada, a comemoração é garantida, hoje é aniversário dela.

Visite também o Arquivo de crônicas.

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O que te importa?

- Enfim, colocados todos os pingos nos “is”, todos os “tios” nos “nãos” e todos os tremas nos “conseqüentementes”, o que te importa?

- Boca torta!

- Quando você vai parar de usar piadinhas do “Chaves” cara?

- Chaves era muito bom. Muito melhor que essas coisas que as crianças assistem hoje em dia.

- Eles usavam mesas de isopor.

- Esse é o charme.

- Tá, que seja. Me responda, só que dessa vez sem a fantástica intervenção “chaviana”. O que te importa?

- Como assim o que me importa?

- Na vida cara. O que te importa. O que você mais preza?

- Olha, no momento prezo muito por mais um chopp. O garçom deve ter ido caçar o lúpulo. Ainda que eu não saiba o que isso seja e muito menos se este faz parte do chopp.

- Sério cara, to me abrindo aqui, quero saber o que é importante pra você.

- Muitas coisas.

- O que por exemplo?

- Arrumar uma namorada, tocar banjo, conversar com os amigos.

- Sim, sim. Mas fora isso, tava pensando em coisas materiais, coisas que você possa ter.

- Coisas que eu possua?

- Isso.

- Bem, acredito então que são importantes, meu carro, minha TV de plasma que pago até o ano que vem, meu liquidificador industrial. Tudo na verdade. Não gasto com supérfluos, tudo que tenho é importante.

- Tudo mesmo?

- Tudo.

- Até aquele piano de cauda que mal cabe na sua sala?

- Sim.

- Aquele que você nunca apertou nem uma tecla?

- Não fala assim. Você não entende, aquele piano é um velho sonho. Só comprei em homenagem a minha vó que sempre quis ter um.

- Não fala bobagem, sua vó nunca quis um piano.

- Claro que quis. Fala sobre isso desde que sou pequeno, só eu sei como foram duros aqueles dias. Você nem conhece minha vó pra falar o que ela quer ou não quer.

- Realmente não conheço sua avó, mas tenho certeza que um piano ela nunca desejou.

- E porque supõe isso?

- Uma, porque ela não é desse tipo, não tem sonhos, é ranzinza e o que gosta mesmo é de falar mal dos outros. Duas porque se ela quisesse teria comprado um, já que foi comprado com a mesada que ela dá pra você. E três, ELA É SURDA!

- Não fala assim, deficiente auditiva.

- Que seja. Por que então ela se interessaria num piano? Ela não dá a mínima para aquele trambolho.

- Ela gostaria de me ouvir tocando.

- Você nunca tocou aquele piano.

- Mas eu poderia tocar.

- Mesmo que tocasse, seria horrível você mal consegue apertar uma campainha direito. Castigaria os ouvidos da coitada.

- Ah meu, que saco,

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