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No espaço. - (30-04-2008) A estação espacial internacional vivia dias populosos. Vladmyr e Marcello (fazer o quê se a mãe gostava de cinema?) passavam os dias entre tarefas de rotina, refeições sem graça (a não ser que você seja uma criança de sete anos) e poucos momentos de lazer. Vladmyr, o primeiro oficial, checou os tanques, escotilhas, plasístobos, jogou pra dentro uma pasta de arroz com tofu e abobrinha e surrupiou um pouco do reduzido estoque de vodka em cubos. Tarefas cumpridas, era hora de se divertir. Chamou por Marcello com um sotaque estranhíssimo, o que fazia o nome do companheiro lembrar o som de um koala caindo do vigésimo-quinto andar. Marcello, o segundo oficial, esvaziou os reservatórios das latrinas, levou os dejetos até o exaustor subatômico, fez as camas e preparou um “PF” de vatapá siberiano com urucum. Sente saudades do óleo de dendê de sua vó, baiana que emigrou para a União Soviética por culpa de um marido marxista. Escutou o som de um koala caindo do vigésimo-quinto andar. Olhou pela janela e não viu nada. Resolveu ir encontrar Vladmyr. Uma sala comum, branca e vazia, cercada de escotilhas apertadas era o compartimento PA2, mais conhecida cosmicamente como compartimento PRA2, após um incidente com uma americana e dois ucranianos em 93. Os compatriotas era mais ortodoxos e como bons russos planejavam jogar partidas de xadrez no PRA2. O jogo poderia até parecer meio parado, mas apimentado pelo fato da estação espacial estar orbitando a Terra a 26.000 quilômetros por hora. As regras eram as de sempre, o tabuleiro era colado à fuselagem da estacao e as peças possuíam imãs na base, desde 95 quando George Orville quase se perdeu pelo cosmos atrás de um bispo. Vladmyr e Marcello se posicionaram um de cada lado. Vlad com as brancas e Cello com as negras. Decisão que parece simples mas não foi. Ambos queriam jogar com as peças negras. Foi assim nos primeiros dois meses, todos os dias tentavam jogar mas não saiam do lugar (em relação a estacão pelo menos). Um dizia que era a cor do time de coração, o outro era fã de Darth Vader. Intermináveis discussões até Vlad se convencer a jogar com as “branquinhas”. Afinal adorava uma “branquinha”. Era a primeira vez que começavam com as cores definidas, a tensão tinha aumentado muito, o jogo psicológico havia chegado a níveis perigosos. Um dia a discussão fez com que Cello ameaçasse esvaziar o suprimento de água se não jogasse com suas peças favoritas. Agora finalmente iam conseguir definir quem era o melhor, quem estava certo ou qualquer coisa que não fosse as mesmas de todos os dias. Precisavam manter a sanidade de qualquer jeito, afinal só isso restaria quando voltassem pra terra, já sabiam que seus ossos ficariam tão resistentes quanto a primeira bolacha recheada de um pacote. A postos se entreolharam e antes que Vladmyr pudesse mover o primeiro peão, Cello interrompeu. - Você vai jogar assim? … |
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M Boudakian - link 30-04-2008 11:22
Me parece que as noites de insonia tem sido bem produtivas… |
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Luciana - link - lucicuzziol_08@hotmail.com 01-05-2008 01:45
Oi Kris com K, ou com C? |