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3 Amigos Quaisquer - (19-09-2001)

Essa é apenas uma história qualquer de 3 amigos quaisquer. E como uma história qualquer, se inicia com um diálogo qualquer.

- Claro que consigo!! – Exclamava Joana (Jô para os amigos) para Fred que estava com cara de desconfiado.
- Consegue nada!! Lembra quando você disse que conseguia comer 39 bolas de sorvete e na sétima bola você já estava com dor de barriga?- Retrucava Fred com uma fé inabalável.
- Ah, deixa ela Fred, se ela diz que consegue voar, é porque consegue sim. – Tentava apaziguar os ânimos Maurício (o Mau).
- Ta vendo? O Mau acredita em mim!! – Jô falava com orgulho.
- É porque o Mau é seu namoradinho!!
- Não sou nada! – Negava sempre Mau.
- Ta namorando, ta namorando…
- Cala a boca, seu cabeça de mamão!!
- Seu cabeça de cocô!!

E como qualquer grande amizade, os 3 amigos eram inseparáveis desde a infância. Discutiam sobre qualquer coisa. Estavam sempre inventando moda. Se me lembro bem, nesse dia Jô voltou pra casa com o braço quebrado depois de saltar de uma árvore, como qualquer criança já o fez. Os 3 eram o terror de qualquer vizinhança. “Nem quero ver quando eles chegarem na adolescência!” ou “Com certeza vão virar vândalos!” era o que qualquer vizinho sempre falava. Nesse ponto pulemos a história para a adolescência; onde nenhum deles havia virado vândalo e continuavam amigos.

- Cara, acho que eu estou gostando da Jô – Confessou o Mau para seu amigo e confidente Fred.
- Sério? Nunca imaginei. Afinal, nós 3 crescemos juntos, quase como irmãos. Lembra quando você roubou e cortou todo o cabelo da boneca preferida dela? – Lembrando saudosistamente Fred.
- Se lembro, ela ficou a semana toda sem falar comigo. Mas é sério, eu estou afinzaço da Jô. O que eu faço?
- Ah, sei lá, você não é bom em matemática? Ouvi falar que ela tem prova de matemática amanhã e está precisando de ajuda. Por que você não a chama pra dar uma “ajudinha” em matemática?
- Mas será que vai dar certo? Com a minha coragem é capaz da gente acabar apenas estudando mesmo. – Disse temeroso Mau.
- Coragem! Ah, ela ta chegando aí.
- Oi meninos!! – Chega esbanjando alegria Jô. – Hoje só passei pra dar um “oi” pros meus amigos preferidos, porque tenho prova amanhã e o Marcos ficou de me dar uma “ajudinha”. – E sai Jô dando uma piscadela sarcástica pros dois amigos da mesa.
- Belo conselho, cabeça de cocô – sai resmungando Mau.

Assim passam pela adolescência como qualquer adolescente, cheia daquelas desilusões amorosas e desencontros quaisquer. Uma fase que Mau realmente gostaria de esquecer. Mas nada que qualquer porre homérico com o Fred não resolvesse. Irei poupá-los de mais qualquer detalhe sobre isso. Depois de altos e baixos da vida, todos entraram em Faculdades quaisquer. Jô foi fazer veterinária, Mau administração e Fred engenharia. Nessa época eles acabaram se separando um pouco, cada um tinha seu grupinho de amigos e vidas diferentes. Ainda se encontravam em qualquer ocasião especial.

- Não acredito que a Jô vai se casar! – Disse Mau, ao perceber todos seus sentimentos pela Jô voltarem.
- Pois é, a gente está realmente ficando velho. Lembra quando você ficou a noite inteira espiando pela janela da casa da Jô só pra saber se ela estava mesmo estudando matemática?- Comentou Fred com um olhar meio distraído.
- Mas… Eu AMO a Jô!!! – Mau disse com lágrimas nos olhos.
- Ainda nessa?? Pensei que já tivesse desencanado!! Agora é tarde, parta pra outra!! – Fred já meio cheio dessa história.
- Não, ainda não é tarde! Vou me declarar hoje! Quem sabe ela desista dessa idéia estúpida de se casar, quem sabe ela resolva ficar comigo, quem sabe…
- Oi meninos!!! – Jô sempre chegava cumprimentando “os meninos” – Nossa, o que houve Mau?
- É hora Mau. Fale o que você estava me falando tempo atrás. – Fred tentava ajudar Mau a se declarar.
- Er… – Juntanto todas as forças Mau resolve finalmente falar – Nada não Jô. Quero apenas desejar que você seja muito feliz.
- Ai, ai… Seu cabeça de cocô… – Fred desanimado.

Todos acabam se formando e conseguem bons empregos quaisquer. Jô consegue abrir sua própria clínica, Mau entra para uma multinacional alemã e Fred vai pra uma empresa de consultoria internacional qualquer. Mau e Fred continuam a se encontrar em qualquer final de semana para o Happy Hour sagrado. A Jô, depois de casada quase não sai mais com qualquer amigo. Mas continua sempre em contato, principalmente com o Mau, por qualquer telefone.

- Pois é, já era hora. – afirmava Jô com alívio.
- Depois de 4 anos se divorciar assim. – Dizia Fred com cara de impressionado. – Se lembra na festa de casamento quando o Mau encheu a cara e…
- Haha… Claro que lembro, como ia esquecer? Aliás queria falar com você sobre o Mau. Pra ser bem sincera com você, acho que me separei porque estava me apaixonando pelo Mau. Meu casamento não ia muito bem e então percebi como ele era importante para mim. – Dizia Jô tirando um peso da garganta.
- Nossa… Mas… – Fred ainda procurava as palavras certas pra dizer.
- O Mau ainda não sabe que pedi o divórcio. Vou contar pra ele hoje e dizer que foi tudo por ele. – Jô já imaginava uma cena de filme romântico com “Unforgettable” tocando de fundo.
- Fala Fred!! E aí Jô!! Tudo bem com vocês? – Chega Mau.
- Mau, podemos conversar? – Pergunta Jô com uma cara séria.
- Claro Jô, eu já estava querendo falar com você há tempos. Andei pensando muito e tenho que confessar. – Mau faz uma pausa como se tomasse coragem. – Eu já estive apaixonado por você. Quase que eu me declarei à você dias antes de se casar. Hoje refleti muito no assunto e vi que era uma bobagem minha. Estava misturando a nossa amizade com outras coisas. Ainda bem que não me declarei pra você. Acho nossa amizade mais importante e não gostaria de a estragar com bobagens como essa. Por isso resolvi deixar tudo isso para trás e pedi a Marcinha em casamento. Queria que fosse a minha madrinha. O que acha?
- Er… Claro… Afinal amizade acima de tudo, né? – Concordou Jô se sentindo a pior pessoa de todo o mundo. E ainda completou: – Pois é, é melhor deixar toda essa bobagem de lado mesmo…
- Cabeça de cocô mesmo… – Disse Fred baixinho.

Alguns anos se passaram nessa nossa história. Os 3 continuaram as suas vidas quaisquer. A Jô acaba se mudando para os EUA para fazer um doutorado qualquer. O Fred continua em sua rotina qualquer. E depois de sua esposa o ter trocado por um xeique árabe qualquer, Mau decide dar um tempo na sua vida e vai morar na Alemanha.

- Então como ele está? – Perguntou Mau preocupado.
- Não sei, acabei de chegar também. Vim no primeiro vôo para cá! – Disse Jô ofegante e com lágrimas nos olhos.
- Também vim no primeiro vôo que encontrei. Não acreditei quando recebi a notícia.
- Eu também não. É tão estranho. Num dia parece tudo bem e no outro…
- Pois é, de repente. Parece que o cara que bateu no carro dele fugiu depois do acidente.
- Para onde o mundo vai parar, né? Que bom que você está aqui. – Jô abraça Mau.
- Que bom que você também está aqui! Que saudades! – Mau retribui o abraço carinhoso com lágrimas no rosto.
- Só assim mesmo para juntar os dois. – Entra Fred apenas com o pé engessado.
- FRED! SEU CABEÇA DE COCÔ! Pensei que estivesse quase morrendo! E está só com o pé quebrado! – Disse Fred nervoso, pensando no telefonema urgente que recebera no meio da madrugada dizendo que o amigo sofrera um acidente de carro e estava hospitalizado.
- Você quase mata a gente de preocupação! – Falou Jô com cara de brava, também pensando no telefonema preocupante que recebera.
- O que é isso amigos. Se falasse que era só o pé quebrado, vocês nunca teriam voltado para cá! Estava com saudades de vocês oras, e acho também que já está na hora de vocês dois conversarem melhor! – Disse com um sorrisinho sarcástico Fred. – E vocês se lembram quando a Jô quebrou o braço pensando que podia voar?
- Ora, cala a boca e me dá um abraço, seu cabeça de cocô!

E os 3 se abraçaram como se a época de infância tivesse retornado e o tempo que estiveram separados não existisse mais. Como qualquer grande amizade. E assim acaba essa nossa história qualquer. Sem qualquer grande drama existencial, sem quaisquer grandes provações, sem qualquer grande final, assim como é qualquer história de 3 amigos quaisquer.



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Murilo Boudakian Moyses - link - mumoyses@hotmail.com • 20-09-2001 03:45

Leopoldo! Seu safado. Impressionante o quanto uma história qualquer pode ser tão boa. ficou do cara.. (será que essa palavra esta na lista de palavras não recomendadas para se escrever nos comentários?)

Rafael - rafael@cronistasreunidos.com.br • 20-09-2001 07:23

Às vezes me pergunto se eu tivesse tempo pra escrever, se conseguiria escrever uma história dessas. Uma história emocionante qualquer. Excelente Joe! (aperto de mão e tapinha nas costas).

Renata - renata.natacci@jwt.com • 21-09-2001 06:26

Joe,

É não é que essas coisas acontecem mesmo? Com qualquer um…

Beno • 21-09-2001 10:07

Cara nao creio…. fiquei empolgado..lendo toda a historia….poxa..sacanagem….no final o cara nem se declara pra Jo….. puts que chato !!

Rosani - rosani@linsnet.br • 24-09-2001 10:53

Leo essa é muito boa tbém…gostei muito…rssss

Aninha - anacarol@eep.br • 05-10-2001 09:19

Léo,

Cabeça de cabotchá é mais legal… hahaha.

Luciana Miyojim - lmiyojim@hotmail.com • 06-10-2001 10:40

Leo,

Adorei sua historia qualquer! Deu nostalgia… tem algo de real como nessas historias que so acontecem??? :)

Saudades!

Luciana.

vandreza - vandreza@hotmail.com • 09-10-2001 03:15

leo, só vc pra fazer uma história qualquer ficar tão especial… beijo, van

Rewbenio - rewbenio@bol.com.br • 10-10-2001 02:42

Eh engracado como em um dia quaquer, uma pessoa qualquer, como eu, pode ler um texto como esse seu e notar que ele nao eh um texto qualquer. Parabens

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