As Ordens da Dona Síndica

Um prédio residencial em POÁ:

– Nome por favor.
– Que isso seu Ademar! Não está me reconhecendo? Eu moro aqui, no 504. Abre aí a porta.
– Desculpe, mas foram as ordi da Dona Síndica. O Dotô vai ter que falar o nome completo.
– Ordens da Dona Síndica? Tá bom, eu sou o Sr. Augusto Mello Leitão. Posso entrar?
– RG, por favor.
– Larga de palhaçada Ademar, você sabe que sou eu!
– Sim, eu sei, Seu Augusto, mas sabe como é, as ordi da Dona Síndica.
– Mas para quê tudo isso?
– É que a Dona Síndica tá preocupada com a segurança do prédio, com esses atentado e tudo.
– Ah, mas quem iria querer bombardear esse prédio, hein Ademar? Estamos em Poá e nesse prédio só mora velhinhas aposentadas.
– Vai saber, né Dotô. Sabe como é, as ordi da Dona Síndica.
– Tudo bem, tudo bem… Aqui está o RG. Posso passar agora?
– Só um momentinho. O Dotô ta levando algum tipo de arma ou explosivo?
– Que tipo de pergunta é essa?
– Ah, tá aqui na lista de perguntas que tá nas ordi da Dona Síndica. O Dotô tá levando ou não?
– É claro que não Ademar!
– Pode abrir a pasta preu confirmar?
– Isso tá indo longe demais! É alguma brincadeira? Se for não tem nenhuma graça!
– Que isso Seu Dotô. Tenho o maior respeito pelo Sinhô.
– Não vou mostrar a minha pasta não!
– Então não posso deixar o Dotô entrar.
– Abre logo essa porta Ademar!
– Não posso Seu Dotô, até você mostrar o que tem dentro da pasta. São as ordi da Dona Síndica.
– Aqui toma essa P*&*$%!!! Não tem nada demais aí!!
– Ah, tá limpo Dotô.
– Ótimo, agora posso entrar em meu próprio prédio?
– Esvazie os bolso primeiro.
– O que? Não tem nada no meu bolso!
– E que saquinho é esse aí?
– Ah, esse? É o adoçante que peguei no restaurante!
– Ai meu Jesusinho! Ah minha Santa Nossa Virge Senhora! Meu Padi Ciço! É o diabo do pozinho branco!
– Que nada, é só o adoçante!
– É o tal do Antraxi!!! Eu vi nas notícia!!! Vou chamá a polícia!!!
– Ademar, quer parar com isso! Eu jogo fora o saquinho! Quer me deixar entrar logo?
– Só depois que os médico examiná o Sinhô. Eu ouvi dizê que é contagioso!
– Anthrax não é contagioso, Ademar. E depois para quê eu iria querer fazer um atentado nesse prédio, oras?
– Só sei que foram as ordi da Dona Síndica!
– Eu sei, eu sei… Eu não tenho o Anthrax! Me deixe entrar logo!
– Não Sinhô Dotô!
– Ademar, estou perdendo a paciência!
– Traz um exame médico falando que o Sinhô não tá com esse tal de Antraxi que eu deixo o Dotô entrá. São as ordi da Dona Síndica!
– É assim? Tudo bem! Então depois eu volto!

Duas horas depois…

– E aí Dotô? Trouxe o exame?
– Tá aqui nessa caixa!
– E o que tem nessa caixa?

Noticiário:
– Atentado à bomba destrói prédio em Poá. Ainda não desconfiam o porquê de um ataque a um prédio em Poá, onde a maioria dos moradores eram velhinhas aposentadas. Encontrado um bilhete com os seguintes dizeres: “Para as ordens da Dona Síndica”. Mais notícias depois dos comercias…

Compartilhe!

5 Comentários on "As Ordens da Dona Síndica"

  • paulo roberto vasconcellos diz

    É, você tinha razão parece com burocracias. E é tão legal quanto. Curti o final. Acho que o diálogo do burocracias é mais legal, mas o final deste é mais engraçado.

  • E o pior é que isso acontece muitas e muitas vezes. Mas nem vou dizer aonde. Ficou muito boa Leo.

  • paulo roberto vasconcellos diz

    leo, sendo eu um publiciotário e vc idem, logo que comecei a ler eu já tava desconfiando que o bem-feitor era um teaser publicitário. Com certeza a surpresa para quem não te conhece ou não é publicitário vai ser maior. Pode experimentar. De qualquer forma é genial. Vc captou um traço interessante da nossa profissão. Não temos como prever o impacto e o significado que nosso trabalho vai ter nas pessoas. E eu posso entender isso como uma crítica ou como uma coisa positiva.

  • Renata diz

    Putz! Acho que não virei publiciotária ainda. Não saquei qual seria o final…

    Em todo caso, a crônica tá ótima e a idéia de pensar sobre os “efeitos” da nossa (nossa?) profissão é muito boa, Paulo. Onde, no que será que a gente mexe, hein? Qual a nossa responsa?

  • paulo roberto vasconcellos diz

    Desculpa, galera. O comentário que eu fiz acima era para a outra crônica, aquela do teaser publicitário, das cartas. Não sei como foi parar aí.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *