Eu não sou escritor!

Eu não sou um escritor! Não sou e acho que nunca serei. Eu deixo esse encargo para nosso colega Ricardo, que ele sim é escritor. Amador, mas ainda sim escritor (vide no arquivo de crônicas do Ricardo “Ser ou não Ser…”).

Eu não sou um escritor! Não sou e acho que nunca quis ser. Não, não estou naquelas crises de artistas “eu não tenho talento!” ou “eu não sirvo para isso!”; eu não estou falando isso esperando respostas do tipo “o que é isso, é claro que você escreve bem”.

O motivo disso tudo é que eu realmente não sou escritor! Eu não domino a linguagem como um Guimarães Rosa. Eu não tenho a poesia de uma Cecília Meireles. E nem vendo livros como o Paulo Coelho (o mago e não nosso colega cronista). Eu não me arrisco a falar difícil, pois certamente estaria falando alguma bobagem. Eu não me arrisco a colocar poesia em cada frase, pois certamente iria ficar brega e pedante demais.

Eu não sou escritor! Considero-me apenas um contador de histórias. Não quero a pretensão de ser escritor. Quero apenas me expressar, contar alguma coisa, divertir ou emocionar com minhas histórias. Eu escrevo como falo e contento-me em acertar uma ênclise. Mas se eu errar, e garanto que errá-lo-ei, alguma mesóclise; tudo bem, quem não erra?

Até prefiro escrever como um “não escritor”, onde todos consigam ler e entender o que escrevo, que escrever sobre “vós que jazes sob mil contos de tênue luar” onde apenas poucos literatos consigam compreender. Talvez eu esteja apenas querendo justificar minha ignorância, porque no fundo eu gostaria de escrever como um Borges. Ou talvez eu esteja de saco cheio de ver um monte de intelectualóides se achando o máximo por fazer coisas ditas “cabeças” que ninguém compreende. Mas ainda talvez eu gostaria de entender essas coisas “cabeças”… hum… pensando bem… não gostaria tanto não…

O mundo precisa de mais “Sessões da Tarde” boas do que filmes iranianos ruins. Não estou falando que todas as sessões da tarde são boas (descartem qualquer sessão da tarde onde tenham as palavras “férias”, “do barulho”, “do agito”, ou algum trocadilho com a palavra “loucos”), e nem que os filmes iranianos são ruins, mas eu não trocaria um “Indiana Jones” por um “Balão Branco” (desculpem os críticos mais fervorosos de filmes iranianos). E é isso que tento fazer. Boas sessões da tarde! Talvez por falta de capacidade de fazer um bom filme iraniano, talvez por falta de pretensão minha. Ou talvez por gostar de uma boa sessão da tarde e não querer fazer algo que não sou.

Eu não sou escritor! Eu só quero me divertir (e acertar a próclise) e fazer com que os outros se divirtam com o que eu escrevo. Se isso for ser escritor, então eu sou escritor. Amador, mas ainda escritor.

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2 Comentários on "Eu não sou escritor!"

  • Leo, se você é escritor ou não eu não sei. Mas que você escreve bem, você escreve.

  • paulo roberto vasconcellos diz

    leo, o michelângelo não era pintor e fez a capela Sistina (é assim que escreve?) Eu acho que todo escritor é filho do seu tempo. O machadinho escrevia bem pra caralho. Mas quem tentar escrever como ele vai se foder porque não vai passar de imitação barata. O escritor escreve para ser lido, não pra provar que é fodão. Eu acho o seu texto adequado, engraçado e às vezes ousado. Então pára de reclamar que nem uma velha aposentada e vê se volta a fazer aquelas histórias interessantes.

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