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Ao ser avô - (18-11-2001) Outro dia estava conversando com um amigo meu sobre o relacionamento entre as diferentes gerações. Sempre é complicado, temos objetivos, visão de mundo, prioridades e até falamos lÃnguas diferentes. Mas apesar das diferenças, amamos nossos pais e avôs. Nem tanto pelo que temos em comum, mas justamente pelas diferenças. Mas voltando à conversa com meu amigo, ele afirmou que quando tiver netinhos, será o avô mais legal do mundo; vai estar sempre na moda e conversar de igual para igual com eles. Doce ilusão. Certamente com as melhores intenções, mas infelizmente é uma tentativa fadada ao fracasso. Tem coisa mais ridÃcula que um velhinho tentando ser “moderninho”? Falando gÃrias ultrapassadas pensando que são atuais por já não serem do tempo deles (e nem mais do nosso). Soa falso, kitsch. E depois as gÃrias estão sempre em movimento, se renovando, bicho! O negócio é se conformar que nem sempre a gente pode estar na onda, ser o fera radical, o tremendão do momento. Atualmente é do peru falar gÃrias como “o pico tá bombando”, mas pode ter certeza que futuramente será uma das coisas que certamente nos arrependeremos de ter falado um dia. Mas xuxu beleza, essa renovação é natural. As gÃrias são feitas para acabar, é um “produto” descartável. Criamos, usamos e jogamos fora. Não há muito espaço para gÃrias antigas. Os dicionários são elitistas e conservadores demais para deixarem entrar tamanho pandemônio. Os textos modernos não querem parecer que pararam no tempo. Só restam lugares na boca de quem viveu o tempo em que se era cobra em pogobol, ou onde meia-soquete era uma brasa, mora, ou então quando os pimpolhos eram realmente supimpas! Caro amigo, ao ser avô, não tente ser algo que não você não é. Use gÃrias do seu tempo, afinal quem mais as usaria sem parecer ridÃculo? Quer coisa mais meiga que uma avó que faz “quitutes batutas” (olha que sonoridade!) para seus netos? Ou então um avô que ao invés de evacuar, faz “pututu”? Aposto que “pututu” é bem mais higiênico e poético que excremento. Não invada o mundo deles, pois provavelmente invadirá o mundo errado. Ou então se quiser ser realmente moderno para seus netinhos, fale e ensine-os muitos palavrões - para divertimento de seus netos e desesperos de seus pais. Palavrões nunca saem de moda. Mas a “imutabilidade dos palavrões” já é motivo para outra crônica (que, por sinal, já escrita por nosso colega Murilo). |
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Anninha - apschs@uol.com.br 09-12-2001 07:57
Batuta, Leo! |
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paulo roberto vasconcellos - prvasc@terra.com.br 10-12-2001 01:41
Puxou o vô, heim? |