O Chatotivismo (Parte 1)

Todo mundo tem seu momento de filosofia de botequim. Desde grandes pensadores e bebedores de cervejas até os bebedores de cerveja não muito pensantes, todos tentando desmistificar grandes questões intrísecas ao âmago do indivíduo (como desvendar a alma feminina ou tentar descobrir se a Joana é virgem mesmo). Temos do clássico pensamento de Quincas Borba “Ao vencedor as batatas” ao nosso amigo Volponi que criou a filosofia “o que eu não vejo, não existe”, o que nada mais é que uma idéia baseada em Descartes chamada Solipsismo. Como o Volponi mesmo exemplifica: “O segredo para nunca se tornar corno é ter um carro barulhento, ter um cachorro que sempre avisa quando você chega, chegar sempre na hora marcada e nunca, de jeito nenhum, ser curioso”. Apesar de eu não beber cerveja, já tomei coca-cola suficiente na companhia de bêbados para criar minha própria corrente filosófica, o Chatotivismo.

Para explicar o Chatotivismo, preciso primeiramente apresentar todo o contexto histórico da idéia. Um filósofo inglês medieval e monge Franciscano, William of Ockham (1285-1349) dizia “Pluralitas non est ponenda sine neccesitate” ou “pluralidade não deve ser colocada sem necessidade“. Esse é o “princípio da Navalha de Occam”. É um bom exemplo das idéias positivistas surgidas na época e usada até hoje para desmistificar certas teorias e suposições baseadas em fé e em dogmas. Hoje em dia o princípio é interpretado como “a explicação mais simples é a melhor“. No filme Contato (de Robert Zemeckis, baseado no livro do Carl Sagan) a Navalha de Occam é citada como argumento para provar a não existência de Deus: “É mais simples acreditar em uma evolução gradual do universo ou em um ser todo poderoso que tudo criou em menos de uma semana?”.

O Chatotivismo vai além do conceito da Navalha de Occam. Um pequeno exemplo prático para ilustrar a idéia:

“Por que a luz acende quando acendemos o interruptor?”

a) Porque quando mudamos a chave do interruptor o circuito se fecha e a corrente elétrica faz a lâmpada acender.
b) Porque quando apertamos o botãozinho, toca uma campainha que faz com que os pequenos duendes invisíveis acendam a lâmpada através de mágica.

Para nós é mais simples acreditar na primeira alternativa, portanto pela Navalha de Occam eliminamos a teoria dos duendes. Agora se botarmos a Xuxa para fazer esse “texte”, obviamente ela eliminaria a primeira alternativa, afinal os pequenos duendes são bem mais plausíveis para ela que essa tal de eletricidade.

Para evitar esses possíveis desvios na teoria (e na capacidade mental da nossa ilustríssima Rainha dos Baixinhos), cheguei ao seguinte conceito: “em casos de hipóteses de igual valor, a explicação mais chata sempre tende ser a verdadeira“.

Pude presenciar um pequeno exemplo prático desta teoria:

– Qual o endereço que diz aí?
– Bloco 6, apt. 31.
– Bloco 6? Mas o condomínio só tem 4 prédios. Todos com nomes de estações do ano. Primavera, Verão, Outono e Inverno. Como é possível ter 6 blocos?
– Ah, deve ser por causa do El Niño.
– São as chamadas “meia-estação”.
– Acho que o pedreiro estava bêbado e viu tudo dobrado.
– É que estamos no ano Bissexto.
– Não é nada disso, é que cada prédio tem 2 entradas.
– …
– …
– …
– É… Deve ser isso…
– A-hã…
– Pois é…
– …
– …
– …
– Ah, e aí? Vocês viram o jogo ontem?

(Fim da parte 1)

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7 Comentários on "O Chatotivismo (Parte 1)"

  • Murilo Boudakian Moyses diz

    Leopoldo Safado. Eu lembro disso!

  • Ricardo Alter diz

    Eu não estava presente mas posso adivinhar!!! hahahahahaha!!!!!!!

  • Essa é só a parte 1.

    Quero ver a parte 2, pra ver se eu peço direito de resposta ou não!

  • Lilian diz

    Léo, não é que a sua teoria dá certo? Apliquei diversas vezes esses fim de semana.

    Aliás, acho que conheço aquela pergunta do bloco 6 de algum lugar…

  • Sérgio diz

    O prédio do volponi deve ser conhecido como a esfinge da Lapa. que mistério

    P.S.: eu tb me lembro disso

  • malena diz

    me avisa qdo tiver a parteII. já tem a parte II? ah, nada não…

  • anninha diz

    A-D-O-R-E-I!!!

    Só tem uma coisa, como sua teoria é deveras divertida, deve haver alguma outra que seja válida e que elimine qq. possibilidade da sua ser a correta, segundo a sua própria teoria… ou não?! *rs*

    Léo, vc sempre surpreende. Vc tem MUITOS macaquinhos no sótão!!! *rs*

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