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Colheita de Estrelas - (15-05-2003) Incontáveis estrelas iluminavam o céu naquela noite. A lua aparecia tímida perto de tanto brilho. Diziam não haver céu mais estrelado do que aquele de sua fazenda. Deu um último suspiro e chamou seus filhos para dentro de casa. Queria ficar o máximo possível perto dos dois, mas ainda tinha muito o que fazer. Pediu aos filhos para ajudar a recolher todas as estrelas do céu. Pegou uma sacola e lá foram eles. Eram tantas estrelas que o trabalho parecia durar séculos. Não se importava, afinal era um tempo a mais que podia passar com os filhos. Com todo cuidado pegaram uma por uma até encher toda a sacola. Voltaram para casa com um ar melancólico e com o céu limpo. As estrelas guardadas ajudavam a iluminar o caminho de volta. Dentro daquela pequena casa, pegou potes menores e foi distribuindo as pequenas estrelas que haviam recolhido. “Essa eu quero que entreguem para o tio Martinho” “Paguem essas ao Nonato” “Devolvam essas para o delegado Coutinho”. Os filhos, repletos de lágrimas contidas, ouviam atentamente ao pedido de seu velho pai. O mais velho não conseguiu mais se conter: “Não é justo! Por que você tem que ir?” Ele olhou em seus olhos: “Eu tenho que ir porque chegou minha hora. Vou com peso no coração, mas com a alma tranqüila. Sei que os criei bem e já esta em tempo criarem suas próprias estrelas.” O mais novo inconformado: “Por que você quer que a gente distribua tantas estrelas assim? Fique com algumas pelo menos.” Virou-se em direção ao filho mais novo: “Não, para onde eu vou não preciso mais de estrelas. E se não fosse por essas pessoas eu nunca teria um céu tão estrelado em minha vida. Nada mais justo que retribua com algumas de minha sacola.” Ambos consentiram e continuaram a separação das estrelas diante à um céu tão escuro. “Eu quero que vocês fiquem com a maior parte. Dividam igualmente. É o suficiente para iluminarem a noite mais sombria. Ainda assim nunca parem de cultivar suas próprias estrelas.” Deu um abraço apertado nos dois e saiu. Os filhos correram para alcançá-lo antes que cruzasse a porta. “Não vá assim. Aceite pelo menos uma estrela. A mais brilhante, para iluminar seu caminho. Uma lembrança nossa. E quando encontrar com a mamãe, entregue tal estrela e diga que não a esquecemos.” Ele aceitou o presente com carinho e partiu sem olhar para trás. Sabia que teriam um futuro iluminado. |
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Camila - link - naomemandeflores@hotmail.com 15-05-2003 09:35
Lindo, Leo! |
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Fernanda - nandalins@aol.com 15-05-2003 11:12
Linda mensagem, Leopoldo! É muito fácil falar de inverno com palavras frias. Falar de sofrimento com versos amargos. Mas você conseguiu despertar sorrisos, ao falar da morte com delicadeza. |
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Raquel - kelmachado@yahoo.com 16-05-2003 02:08
Nossa Leo, ficou muito bonito. Lindo mesmo. Parabéns pela ideia e, principalmente, pela execução! Iluminado! |
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Juliana K. - juliana.k@terra.com.br 18-05-2003 03:27
Belo uso das figuras de linguagem!! |
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paulo vasconcellos - pauloroberto@ajato.com.br 17-09-2004 05:31
mais uma história de um planeta chamado phantamasgoria. Não sei porque me lembrei desses desenhos malucos… |